sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

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O draft de 2015 trouxe uma das duplas de quarterbacks mais promissoras dos últimos anos: Jameis Winston e Marcus Mariota. Selecionados respectivamente por Tampa Bay Buccaneers e Tennessee Titans nas duas primeiras posições, eles prometiam comandar os ataques de suas franquias por longos anos. Quase três temporadas depois, como eles estão se desenvolvendo? Já podemos cravar se foram acertos ou erros dos general managers que os escolheram?

Essa questão foi enviada por Fernando Barros (@ofernandotango) e foi escolhida para ser analisada na coluna dessa semana. Se você tem uma pergunta sobre a NFL e gostaria de vê-la respondida na próxima quinta-feira, mande-a no Twitter para @massaricarlos!

Quando olhamos os scouting reports sobre Winston e Mariota de antes do draft de 2015, é natural encontramos muito mais elogios do que críticas – afinal, foram os dois primeiros nomes chamados no recrutamento. Sobre o então jogador de Florida State, seu desenvolvimento mental do jogo era um ponto forte, com capacidade avançada de ler defesas para um quarterback ainda no College – além, claro, de todo seu talento físico e força no braço. De negativo, o histórico de problemas extra-campo e a tendência de forçar muitos passes desnecessários. O atleta de Oregon, por sua vez, também tinha o braço e a inteligência muito bem vistos, mas a maior preocupação era diferente: o ataque precário que comandava na universidade e a necessidade de extremo aprendizado na transição para a NFL.

Os dois primeiros anos de Mariota foram bastante superiores aos de Winston. Vamos comparar os números:

2015:

Mariota: 62,2% dos passes completos (20º melhor da liga), 7,62 jardas por tentativa (10º), 19 touchdowns, 10 interceptações, rating de 91,5 (17º).
Winston: 58,3% dos passes completos (32º), 7,56 jardas por tentativa (12º), 22 touchdowns, 15 interceptações, rating de 84,2 (28º).

2016:

Mariota: 61,2% dos passes completos (20º), 7,60 jardas por tentativa (9º), 26 touchdowns, 9 interceptações, rating de 95,6 (10º).
Winston: 60,8% dos passes completos (22º), 7,21 jardas por tentativa (15º), 28 touchdowns, 18 interceptações, rating de 86,1 (21º).

Existe uma série de questões a se analisar tanto dentro desses números como fora deles. Winston lançou treze interceptações a mais que Mariota, mas isso se deve ao ataque ele operava que normalmente o obrigava a resolver tudo com o braço. Tennessee tentou ser um time baseado no jogo terrestre, com DeMarco Murray e Derrick Henry chegando em 2016 para correr sempre que possível, permitindo que o quarterback ficasse em posições mais confortáveis. A discrepância dos rankings dos dois times na categoria é gigantesca: Titans em terceiro lugar com 4,6 jardas por tentativa, Buccaneers em vigésimo nono com 3,6.

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Apesar disso, não é possível afirmar que as franquias colocaram nem Mariota, nem Winston em posições para alcançar rapidamente o sucesso. Isso se deve à fragilidade das comissões técnicas – com o Titans, Ken Whisenhunt foi demitido em novembro da temporada de calouro de seu quarterback e Mike Mularkey assumiu a posição e a ocupa até hoje, mas sua cabeça é constantemente pedida em Nashville. Com o Buccaneers, a história é parecidíssima: Lovie Smith perdeu o emprego após o primeiro ano do ex-Florida State e substituído por Dirk Koetter, que provavelmente irá para a rua na próxima Black Monday.

Essas comissões técnicas fraquíssimas e incapazes de desenvolver seus talentos custam caro para duas franquias que investiram pesado e esperam que Winston e Mariota se tornem quarterbacks de elite. Em 2017, Winston até que evoluiu, mas ainda se encontra longe do topo da lista da posição, enquanto Mariota sofreu uma regressão brutal e tem a companhia apenas de DeShone Kizer e Trevor Siemian como titulares que lançaram mais interceptações do que touchdowns.

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Tanto Mularkey como Koetter são mentes ofensivas e foram promovidos dos cargos de coordenador ofensivo de suas equipes, mas ambos falharam redondamente em colocar seus jovens quarterbacks em posição para alcançar o sucesso. Isso falando exclusivamente no esquema, já que as duas franquias tem investido pesado para dar alvos de qualidade para Winston e Mariota, selecionando OJ Howard e Corey Davis na primeira rodada do último draft e trazendo free agents como DeSean Jackson e Eric Decker.

Com Koetter, a reclamação é mais sobre não conseguir eliminar os hábitos ruins de Winston, sobretudo o de forçar passes em coberturas complicadas que já era alertado antes mesmo de seu recrutamento. As chamadas ruins em terceiras descidas também são contestadas. Com Mularkey, o buraco é bem mais embaixo: o esquema utilizado absolutamente não é adequado para o quarterback. Muitos técnicos costumam valorizar suas crenças em relação ao material humano que possuem e isso não é algo que funciona. Não é uma coincidência que os melhores momentos da unidade ofensiva do Tennessee Titans em 2017 são sempre em no-huddle, quando Mariota pode chamar as próprias jogadas.

O Tampa Bay Buccaneers faz uma pífia campanha de 4-10 quando muitos esperavam que seu ataque seria de altíssimo nível e faria barulho na NFC. Koetter é seriamente cotado para a demissão. O Tennessee Titans tem 8-6 no momento e ainda luta por uma vaga na pós-temporada, o que deve ser suficiente para manter Mularkey no cargo – algo que seria terrível no longo prazo e poderia continuar levando Marcus Mariota a uma regressão maior ainda.

Não há dúvidas que existe muito talento em Jameis Winston e Marcus Mariota e que eles tem toda a capacidade de serem os franchise quarterbacks que se esperava desde o princípio. Eles ainda não alcançaram o status de jogadores verdadeiramente confiáveis e estão distantes da prateleira principal de signal callers da NFL, mas precisam de treinadores melhores e que os coloquem em situações que possam alcançar o sucesso.

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O auge técnico de um quarterback hoje acontece por volta dos 30 anos e eles ainda estão longe disso. O caminho do desenvolvimento é longo e espinhoso, regressões acontecem e problemas novos surgem. Apesar disso, eu não tenho dúvidas que suas franquias acertaram ao selecioná-los com as primeiras escolhas do draft de 2015.

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