Veja como o Philadelphia Eagles foi reformulado após a era Chip Kelly

14 de novembro de 2017
Tags: david telles, matérias,

O Philadelphia Eagles segue impressionando na temporada, liderando tanto a NFC Leste quando a Conferência Nacional, somando 8 vitórias e 1 derrota até aqui. A performance do time não é por acaso e nesse texto vamos abordar a montagem do elenco que vem fazendo essa excelente campanha, principalmente após o desastre que foram os anos sob o comando de Chip Kelly.

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A experiência fracassada com Chip Kelly

Em dezembro de 2012, o dono do Philadelphia Eagles, Jeffrey Lurie, afirmou que a franquia estava fora de rumo após passar duas temporadas sem conseguir chegar aos playoffs. Isso levou à demissão do técnico Andy Reid, que passara as últimas 14 temporadas no comando no Eagles (Reid foi responsável pelo auge da equipe na era do Super Bowl – foram 224 vitórias em temporada regular, 9 aparições na pós-temporada e uma ida à decisão do futebol americano profissional).

Logo após a demissão de Reid, o Eagles anunciou a contratação de Chip Kelly como seu novo treinador. Kelly chegou à NFL referendado pelo ótimo trabalho realizado no College Football, na qual fez história no comando da Universidade de Oregon e que seria o líder que o time precisava. Entretanto, na liga profissional, o sucesso do treinador durou pouco.

O técnico sempre teve dificuldades para encontrar um QB que se acostumasse com seu estilo de jogo e isso gerou uma grande instabilidade na posição. Em sua primeira temporada comandando o Eagles, Kelly apostou no experiente Michael Vick para ser o seu QB titular. O veterano acertou 54,6% de seus passes, média inferior ao que tinha ao longo da carreira e as lesões encerraram precocemente sua temporada. Com a lesão de Vick, Nick Foles assumiu a posição e foi bem comandando o ataque que utilizava um sistema de jogo pouco ortodoxo e liderou a franquia aos playoffs em 2013 (Foles teve 64% de passes certos, 2.891 jardas, 27 TDs e apenas 2 INTs).

Todavia, conforme o tempo foi passando, os coordenadores defensivos começaram a estudar com mais atenção o ataque do Eagles e muitas das chamadas exóticas de Kelly pararam de ser surpresas para as defesas adversárias. Assim, os oponentes conseguiram anular o setor ofensivo de Philadelphia. A maior prova disso foi a dificuldade que Foles teve na temporada de 2014 (59,8% de passes certos, 2.163 jardas, 13 TDs e 10 INTs até se machucar e encerrar sua temporada – ao fim daquele ano, acabou sendo trocado para o Rams).

Em dezembro de 2014, ocorre um fato que determinante para que o insucesso de Chip Kelly fosse ainda maior. O GM Howie Roseman perde qualquer poder que tinha sobre a montagem do time, que passa a ser do então HC. E foi aí que o treinador se perdeu.

Na offseason entre a temporada de 2014 e 2015, Chip Kelly destruiu o elenco do Eagles. Se desfez de Nick Foles (para seu lugar veio o QB Sam Bradford) e de nomes como o RB LeSean McCoy, o WR Jeremy Maclin, os OGs Todd Herremans e Evan Mathis (vale lembrar que o WR DeSean Jackson, principal alvo de Foles em 2013, já havia saído em 2014). A reposição desses jogadores não foi à altura, deixando o time com menos qualidade. Para o corpo de recebedores, por exemplo, chegaram Riley Cooper e Miles Austin, além de um Nelson Agholor que pouco produziu sobre o comando de Kelly. Para o lugar de Evan Mathis, o HC promoveu a entrada de OG Andrew Gardner, que não tinha condições de ser titular.

As trocas mais problemáticas talvez tenham sido as que envolveram os RBs e QBs. O excelente LeSean McCoy foi para o Buffalo Bills e para o seu lugar chegou DeMarco Murray, que tinha liderado a NFL em jardas terrestres em 2014. No entanto, a utilização do forte corredor num sistema que privilegiava corridas pelas laterais acabou com qualquer chance de sucesso de Murray em Philadelphia.

Já com Bradford, Kelly exigiu do QB coisas que o atleta não possuía e que seriam difíceis de encaixar com o estilo de jogo ofensivo praticado por Philadelphia. A falta de mobilidade do quarterback prejudicou a spread offense adotada por Kelly e o treinador pouco adaptou seu playbook para beneficiar seu QB. O ataque que praticamente não usava o huddle para organizar os lances tirou a autonomia de Bradford de chamar jogadas e o jogador virou o rei dos checkdowns, arriscando pouco (o QB teve um péssimo desempenho na red zone em 2015 muito por conta disso).

Ao fim da temporada de 2015, o Philadelphia Eagles estava perdido. O time que possuía um excelente roster no início da década ficou completamente destruído por conta de um técnico que não se mostrou capaz de gerir um vestiário e quis implementar seu estilo de jogo acima de tudo. Entretanto, o Eagles conseguiu se reerguer.

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Howie Roseman retorna para salvar a pátria

É público e notório que Chip Kelly e Howie Roseman nunca se deram bem em Philadelphia. Quando Kelly assumiu o controle sobre o elenco do Eagles, o executivo foi “rebaixado” (apesar da franquia ter dito à época que era uma promoção), chegando a ter seu escritório num prédio separado ao do então treinador. Com a demissão de Kelly, Roseman assumiu novamente as funções de GM e vem se mostrando muito capaz com a atribuição.

Conjuntamente com Doug Pederson, técnico contratado para a temporada de 2016, Roseman percebeu que a principal deficiência do Eagles era seu QB e fez um movimento arriscado para ter em seu elenco alguém capaz de liderar a franquia. Realizou diversas negociações (muitas delas se livrando das peças que chegaram na era de Kelly – como DeMarco Murray, Byron Maxwell, Kiko Alonso e Sam Bradford) para acumular escolhas de Draft e assim fez uma troca pesada para adquirir a 2ª escolha geral do Draft de 2017, que pertencia ao Cleveland Browns. Com ela, a equipe selecionou Carson Wentz, que após um ano de estreia irregular, está fazendo uma bela temporada em 2017, estando inclusive cotado para o prêmio de MVP. Essa movimentação atrelou o futuro de Roseman ao de Wentz e o sucesso do QB ajuda e muito o dirigente.

Na offseason de 2017, o foco foi de dar mais armas para Wentz e para o setor ofensivo como um todo e o GM montou de vez um time ao redor de seu quarterback. Ao cortar o DE Connor Barwin, o DB Leodis McKelvin e o RB Ryan Matthews o time economizou cerca de US$ 15M no salary cap. Com mais dinheiro disponível, o Eagles trouxe o WR Alshon Jeffery para ser o alvo sólido de Carson Wentz, com um contrato de apenas um ano, excelente caso o recebedor voltasse a apresentar problemas físicos (algo que não aconteceu até agora). Logo após, outro que veio foi o WR Torrey Smith, importante para jogadas explosivas. A subida de produção de Nelson Agholor também foi importante, pois dá tempo para a franquia desenvolver os jovens Mack Hollins e Shelton Gibson, que foram selecionados no Draft deste ano.

Ainda na intertemporada, Roseman renovou o backfield ao trazer LeGarrette Blount, líder em TDs terrestres na temporada de 2016, com 18 ao todo. O reforço deu a Wentz um corredor confiável e uma arma para terceiras descidas curtas. Com Darren Sproles (que acabou se machucando no decorrer do ano) e Wendell Smallwood (uma excelente opção para receber passes e em terceiras descidas mais longas) o grupo parecia sólido. Mas Roseman ainda teve a oportunidade de dar ainda mais força para o jogo terrestre com a chegada recente de Jay Ajayi, numa troca que parece ter sido muito vantajosa para o Eagles (o RB veio do Miami Dolphins em troca de uma escolha de 4ª rodada no Draft – apesar de haver boatos que dizem que o atleta não terá vida longa na NFL por conta dos problemas em seus joelhos). Completando os corredores, os calouros Corey Clement (teve um excelente jogo contra o Denver Broncos) e Donnel Pumphrey (que também está na IR) são os nomes para o futuro da posição.

Defensivamente, o trabalho foi igualmente bom. Philadelphia trocou uma escolha de 3ª rodada pelo DT Timmy Jernigan, que formou uma excelente dupla com o DT Fletcher Cox e é um upgrade em relação a Bennie Logan, que não teve seu vínculo renovado. Com isso, a linha defensiva ficou sendo formada por Brandon Graham, Jernigan, Cox e Vinny Curry, um grupo fortíssimo, que ainda conta com a presença do DE calouro Derek Barnett na rotação, que foi selecionado com a principal escolha de Philadelphia no Draft de 2017.

Outro ponto fraco atacado por Roseman foi a posição de cornerback. O gerente reforçou a secundária com a troca do WR Jordan Matthews e uma escolha de 3ª rodada no Draft por Ronald Darby. O grupo de CBs também conta com o secundarista Jalen Mills e Patrick Robinson, que chegou na offseason, e ambos estão numa bela temporada. No Draft deste ano, ainda foi buscar Sidney Jones (uma aposta para o futuro, já que o atleta dificilmente joga nesta temporada) e Rasul Douglas. Ou seja, além de contar com um jogador de grande qualidade em Darby, Roseman está com um corpo de CBs com jovens atletas que podem render bastante nos próximos anos (Mills, Douglas e Jones são os maiores exemplos).

Essa abordagem é o que parece ser o maior acerto do melhor GM da NFL no momento. Roseman reformou da água para o vinho o elenco do Philadelphia Eagles não apenas para 2017, mas para os anos que estão por vir. Isso dá uma grande estabilidade para a franquia e certeza para o torcedor de que o grande momento do time deve perdurar por mais tempo.


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David Telles é o setorista da NFC NORTE. Analisa Packers, Bears, Lions e Vikings às segundas e sextas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @DavidRTelles