Vamos falar de Draft? (Parte I)

16 de novembro de 2016
Tags: dentro do huddle, felipe laurence,

dentro do huddle

Vamos ser bem sinceros: ainda tá muito cedo pra falar de Draft. A Semana 10 da NFL acabou de terminar e muito do que se fala da escolha de jogadores universitários do ano que vem são análises superficiais relacionadas aos jogos dessa temporada da NCAA. Ou seja, não dá, em pleno 16 de novembro de 2016, para precisar com exatidão o que vai acontecer lá em 27 de abril de 2017. Muito do que é falado nesse final de ano se torna completamente inútil quando os estudos sobre os jogadores que vão pro Draft se intensificam nos primeiros meses de 2017.

Em todo caso, essa preliminar análise superficial do Draft tem um propósito que eu acho interessante: já colocar na boca dos torcedores alguns dos nomes que provavelmente estarão em evidência no ano que vem, para que o interessado vá por conta própria atrás de informações sobre esses jogadores e comecem a estuda-lo em profundidade. O que mais tem nesse processo do Draft é uma reciclagem do que outros falam, simples repetição do que gente que estuda à fundo todo esse processo fala. Acredito que isso empobreça a discussão sobre o Draft porque quanto mais gente estudar os jogadores universitários isso cria duas vantagens: você começa a entender como cada time pensa e também entende mais o futebol americano já que vai ter que criar uma certa bagagem para entender os nuances desses prospects.

Nas próximas duas semanas, vou fazer uma análise geral de cada posição desse próximo Draft, evidenciando quais as posições com jogadores mais interessantes e quais não têm muito o que se ver. Lembrando mais uma vez que essas são as minhas impressões preliminares sobre esses jogadores/posições, minha opinião vai mudar no decorrer dos meses e pretendo fazer essa atualização do que eu acho por via dessa série “Vamos falar de Draft?”. Enfim. Hoje vou focar nas posições de ataque e na semana que vem (se nenhum outro assunto urgente surgir) falo da defesa!

Quarterbacks

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Seu time vai precisar de um quarterback no ano que vem? Se for pra ser titular, tenho uma péssima notícia: esse é o pior Draft para a posição desde 2013 (mas não temam, a classe desse próximo ano não chega nem perto de ser tão ruim quanto aquela). Isso significa que temos uma porrada de jogadores absurdamente talentosos, só que pouco preparados para a NFL e que provavelmente necessitarão de um trabalho de desenvolvimento pesado antes de entrarem em campo. Essa é uma boa notícia para aqueles times que precisam achar um reserva ou que já começam a pensar em um plano de transição para seus quarterbacks que já se aproximam do fim da carreira na liga.

O que eu procuro ver em um prospect da posição? Em primeiro lugar se o quarterback tem boa mira, se tem visão para lançar a bola onde ele quer e se tem uma boa leitura das defesas adversárias. Essa última parte é um problema para jogadores da NCAA porque com o baixo nível geral das defesas universitárias, eles fazem leitura simples e já saem correndo com a bola. A habilidade de escapar do pocket é um atributo importante quando se estuda um quarterback, mas ele precisa saber sair na hora certa porque na NFL se ele antecipar isso vai tomar aquelas porradas que nem o Robert Griffin III toma.

Principais nomes: Deshaun Watson (Clemson), DeShone Kizer (Notre Dame), Davis Webb (California), Brad Kaaya (Miami) e Joshua Dobbs (Tennessee).

Running Backs

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Por outro lado, seu time precisa de um running back? Aí sim eu tenho uma ótima notícia: vai literalmente sobrar jogadores de qualidade da posição lá pro 4º e 5º rounds. A quantidade absurda de corredores com potencial de NFL que vão entrar no Draft do ano que vem é enorme e o absurdo sucesso que o Ezekiel Elliott (DAL) vem tendo vai fazer com que os times procurem repetir a fórmula do Cowboys (afinal, a NFL é uma liga em que os times copiam aquilo que dá certo um do outro). Mais do que qualquer outra coisa, o que chama a atenção nessa classe de running backs é que a maioria são jogadores fortes e que mesmo assim conseguem ter uma aceleração que vai tornar bem complicado o primeiro contato por parte das defesas adversárias. Outra característica importante para RBs que essa classe consegue cumprir é uma boa visão de campo, eles conseguem identificar os gaps e improvisar corridas fora do que foi combinado no huddle.

Principais nomes: Leonard Fournette (LSU), Dalvin Cook (Florida State), D’Onta Foreman (Texas), Nick Chubb (Georgia) e Wayne Gallman (Clemson).

Wide Receivers

NCAA Football: Western Michigan at Northern Illinois

É consenso que a classe de wide receivers do Draft desse ano não era grande coisa e isso fica evidenciado na temporada: você pouco ouve falar de grandes atuações dos novatos dessa posição (e o interessante é que as exceções são jogadores como Michael Thomas e Tyreek Hill que não foram escolhidos no primeiro round). O que eu vejo da classe desse próximo Draft é que ela é um pouco melhor no teste do olho, os jogadores que devem ir correm rotas melhor (pra mim é a característica mais importante de um WR que quer ter sucesso na NFL) do que os do ano passado e têm uma “awareness” melhor do que acontece no jogo. Até serem testados no ambiente controlado do Combine não dá pra saber se são rápidos (nesse caso o estudo dos jogos pouco elucidam o assunto) e também não dá pra ter uma ideia do seu tamanho (e peso) reais já que as universidades ~metem o louco~ e ficam escondendo essas informações.

Principais nomes: Corey Davis (Western Michigan), John Ross (Washington), Mike Williams (Clemson), Amara Darboh (Michigan) e Malachi Dupre (LSU).

Tight Ends

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Aqui nós temos um problema enorme: as universidades não usam mais tight ends com a apuração na técnica que os times da NFL querem. Como falei em uma coluna há algumas semanas, a função da NCAA não é formar jogadores pra NFL então em algumas posições se cria essa desconexão entre o universitário e o profissional. Nos TEs isso é bem claro, as universidades estão dando uma atenção cada vez maior para ex-jogadores de basquete que conseguem se impor fisicamente em passes intermediários do que em jogadores que também consigam auxiliar a linha ofensiva como os times da liga gostam. Por isso a avaliação dessa posição é bem complicada, você tem que focar naquilo que você vê e paciência se os times não os utilizam pra proteção no passe.

Principais nomes: O.J. Howard (Alabama), Evan Engram (Ole Miss), Jake Butt (Michigan), Jordan Leggett (Clemson) e Durham Smythe (Notre Dame).

Offensive Linemen

NCAA Football: Alabama vs Southern California

Se tem uma posição que eu gosto de avaliar são os jogadores de linha ofensiva. Existem tantos nuances e variações técnicas que é a posição em que eu mais mudo de opinião. Por conta dessa complexidade não dá pra falar em profundidade sobre o que eu acho da posição nessa análise preliminar, mas assim como nos tights ends há uma desconexão entre NCAA e NFL: no universitário os “packages” que eles são ensinados são bem mais simples do que no profissional (até pelo fato de terem um número limitado de anos por jogar) para entrarem em campo mais rapidamente então muitos jogadores de linha ofensiva têm uma transição conturbada pro profissional e demora entre um a três anos até conseguirem pegar os macetes das posições (por isso é temeroso pegar jogador de linha ofensiva no Top 5).

Principais nomes: OT Cam Robinson (Alabama), OT Roderick Johnson (Florida State), C Ethan Pocic (LSU), OT Adam Bisnowaty (Pittsburgh) e OG Dorian Johnson (Pittsburgh).

O que você achou da coluna dessa semana? Tem alguma pergunta sobre como estudar jogadores pro Draft ou sobre alguma dessas posições que eu falei hoje? Deixe um comentário aqui ou venha falar comigo no Twitter lá no @oQuarterback! Também fique por dentro por tudo o que rola na NFL e na NCAA lendo aqui o Liga dos 32 e acompanhando o site no Twitter e no Facebook!

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Felipe Laurence é administrador do oQuarterback desde 2011 e colunista da Liga dos 32. Advogado de profissão, assiste NFL desde 2000 e tem como maior hobby a difusão do futebol americano pelo Brasil. No Twitter: @oQuarterback.