TOP 5: Piores seleções com a primeira escolha geral do Draft

14 de novembro de 2016
Tags: paulo cesar, top 5,

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O TOP 5 desta semana continua analisando o desempenho de atletas selecionados em uma altura exclusiva do Draft. Diferentemente de quase todas as ligas esportivas do mundo, as ligas norte-americanas  “premiam” os piores times de uma temporada com a possibilidade se reforçarem imediatamente na próxima temporada. Com ligas semi profissionais a nível universitário, um time que vai mal na temporada anterior tem a chance de se recuperar rapidamente no Draft, podendo teoricamente selecionar o melhor jogador universitário daquele ano para recolocar uma franquia nos trilhos da vitória já na próxima campanha. Na história, não são poucos os exemplos de atletas que rapidamente mudaram o rumo de um time após uma campanha patética na campanha anterior.

Porém, se por um lado há exemplos de jogadores que mudaram o time de maneira positiva, a ciência inexata que é o Draft nos mostra o quão difícil é o processo de avaliar um jogador a nível universitário. Isto somado a fatores como a provável mudança de cidade, adaptação a um novo livro de jogadas, a maneira disfuncional que uma franquia monta seu time e simplesmente a pressão de ser o primeiro a ter seu nome chamado na noite do recrutamento anual fazem que aquele atleta que supostamente era o pilar de reconstrução da franquia tenha uma carreira melancólica na NFL, que não lembra em nada a forma que tais jogadores entraram na NFL. O TOP 5 desta semana lista os cinco atletas recrutados na primeira posição geral mas que tiveram carreiras muito aquém do esperado enquanto profissionais.

5) QB Tim Couch 

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Recrutado pelo Cleveland Browns na 1ª escolha geral do Draft de 1999

Abrindo o TOP 5, é seguro dizer que nenhum time na história da NFL teve duas escolhas tão patéticas quanto o Browns no período de 1999 e 2000. Além de Couch, o time recrutou o DE Courtney Brown em 2000 que também teve uma carreira pífia na NFL, porém apenas Couch conseguiu seu lugar nesta inglória lista já que Brown teve uma temporada de calouro bastante decente. Olheiros ficaram impressionados com o tamanho de Couch, que media quase dois metros de altura no período do Draft e tinha um verdadeiro canhão no braço, mas ignoraram o fato que ao jogador por Kentucky, ele contava com um livro de jogadas bastante limitado baseado no Air Raid Offense, que simplesmente não funciona na NFL e foi responsável por extipar carreiras de atletas como David Klinger e Andre Ware no passado. Somado ao fato que o Browns sempre foi uma franquia disfuncional desde que foi reinagurada em Cleveland, têm-se que Couch teve apenas cinco temporadas muito abaixo de qualquer expectativa, marcadas pelo QB rating de 75.9 durante o período, o que de certa forma era esperado.

4) DT Steve Emtman

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Recrutado pelo Indianapolis Colts na 1ª escolha geral do Draft de 1992

Emtman teve uma carreira simplesmente destruídora jogando por Washington enquanto universitário. Tamanha dominância no College fez sua seleção, mesmo sendo um atleta de linha defensiva, uma escolha não muito “sexy” para abrir o Draft, ser óbvia para o Colts basear sua defesa no jogador, porém as lesões extirparam qualquer chance de ter um impacto positivo na temporada. Terminou na lista de machucados em cada uma das três primeiras temporadas como profissional, rompendo os ligamentos do joelho enquanto calouro e simplesmente lesionou o tendão patelar e dois ligamentos do joelho em sua segunda temporada, uma lesão que normalmente já representa a aposentadoria de boa parte dos jogadores que a tem. De alguma maneira, Emtman voltou a atuar, porém jamais chegou perto do impacto esperado que sua presença na defesa do Colts faria, ao sofrer uma hérnia em seu primeiro jogo durante a terceira temporada como profissional. Decidiu se aposentar com apenas 27 anos, compilando apenas oito sacks durante toda sua carreira, um número irrisório para um atleta selecionado na primeira escolha geral. Emtman é um dos vários “e se” na história da NFL, que nos deixa como exercício de imaginação o quão gloriosa poderia ser sua carreira entre os profissionais, se as lesões não o tivessem afetado tanto.

3) RB Ki-Jana Carter

Recrutado pelo Cincinnati Bengals na 1ª escolha geral do Draft de 1995

Para alguns atletas que ganham a alcunha de “bust”, são algumas lesões durante temporadas consecutivas que tiram seus atributos especiais, aquilo que os fazem diferente de qualquer outro jogador e o impede de manter uma regularidade durante uma prolífica e duradoura carreira. No caso de Carter, infelizmente, foi apenas uma lesão: ele rompeu o ligamento cruzado do joelho em sua terceira tentativa terrestre, em seu primeiro jogo de pré-temporada durante a campanha de 1995 e nunca conseguiu se recuperar completamente, perdendo a agilidade característica que normalmente não era vista em um RB que pesava 110 kg, mas que era extremamente ágil. Carter trabalhou duro para voltar a atuar, e teve uma carreira de sete temporadas na NFL, porém foram todas sem sequer ser titular pelo Bengals, que o relegou ao cargo de reserva durante toda a carreira. Decidiu se aposentar aos 31 anos e, mesmo unindo velocidade, explosão física e agilidade que fizeram o Bengals acreditar no atleta em 1995, nunca correu para mais que 464 jardas terrestres em uma temporada completa.

2) QB JaMarcus Russell 

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Recrutado pelo Oakland Raiders na 1ª escolha geral do Draft de 2007

O atleta, um dos melhores jogadores da história da tradicional universidade de LSU, tinha alguns dos atribuitos intangíveis que todas as franquias procuram em um QB, como calma em momentos decisivos e simplesmente o fato que era um vencedor. Apesar de alguns boatos que por diversos momentos era desinteressado e não se mostrava animado, o Raiders acreditou no potencial de Russell e o selecionou na primeira escolha do Draft de 2007, quando o time reduziu-se naquela altura a dois jogadores: Russell e um WR vindo de Georgia Tech chamado Calvin Johnson Jr. Enquanto o Megatron fez história pelo Detroit Lions e é cotado para o Hall da Fama algum dia, Russell passou toda sua carreira da forma como os críticos imaginaram, desinteressado e claramente acima do peso. Teve 4083 jardas aéreas, 18 TDs e 23 interceptações durante suas três temporadas com o Raiders, que perdeu a paciência com o atleta e o dispensou em 2010. Recentemente ele até tentou voltar para a NFL, porém já era tarde demais para ele, que não encontrou nenhum time interessado em dar uma chance ao jogador que outrora estampou a abertura do Draft. Certa vez, o Raiders enviou para o atleta um livro com todas as páginas em branco, que segundo a comissão técnica, era uma material de estudo do próximo adversário do Raiders, a fim de testar se o QB daria ao trabalho de abrir o livro. Ao ser perguntado sobre o conteúdo daquele material, Russell declarou ter passado a madrugada estudando o conteúdo, que era deveras interessante e ajudar a equipe a conseguir a importante vitória na semana seguinte. Bem, fica difícil não o incluir nesta lista, uma das últimas escolhas do lendário Al Davis no comando da franquia da Califórnia.

1) QB/RB Terry Baker

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Recrutado pelo Los Angeles Rams com a 1ª escolha geral do Draft de 1963

Sei que muitos, ao imaginar o título da coluna desta semana, imaginaram que JaMarcus Russell estaria no topo dela, porém não há atleta que tenha gerado tamanha expectativa de seu desempenho na NFL como Terry Baker no começo dos anos 60. Um exímio atleta por Oregon State, ele é até hoje o único jogador a vencer o Heisman Trophy, prêmio dado ao melhor jogador universitário na temporada do futebol americano, e ter jogado o Final Four, a semi-final do torneio universitário anual de basquete, que por sinal é um dos mais charmosos do mundo. O Rams acreditou estar selecionando uma estrela para comandar a franquia pelas décadas seguintes, porém, de forma inacreditável, Baker falhou em causar qualquer impacto pela equipe. Seus números são simplesmente desanimadores: foram 18 jogos como profissional em que lançou um total de 21 passes, sendo 19 em sua temporada de calouro. Vendo o desastre que era como um QB da NFL, o Rams o converteu para RB, porém o resultado foi o mesmo, tendo uma média 3.6 jardas por tentativas terrestres, que foram um total de 58. Decidiu abdicar do esporte aos 26 anos, sem lançar um único passe para TD durante a carreira, que por algum motivo, não chegou perto daquilo que poderia adicionar ao Rams, que lhe renderam o prêmio de pior atleta da história a ser selecionado na primeira escolha do Draft.

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Paulo César é o setorista da NFC LESTE. Analisa Giants, Cowboys, Redskins e Eagles às terças e quintas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @PcesarPJunior