TOP 5 – Jogos Mais Gelados da História da NFL

17 de março de 2017
Tags: paulo cesar, top 5,

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É inegável que a atmosfera de um estádio da NFL é dificilmente igualada por qualquer outro tipo de esporte, seja nos EUA ou em qualquer parte do mundo. Dos populares churrascos nos estacionamentos até o fato da capacidade de qualquer estádio beirar quase sempre os 100% de taxa de ocupação, o apoio da base de fãs é fator crucial na caminhada de um time durante a temporada regular nos oito jogos anuais que normalmente as equipes fazem em seus domínios. Porém, como nem tudo são flores, o mês de janeiro não apenas nos brinda com os playoffs, parte da temporada em que nascem as verdadeiras lendas, como também trás o inverno no hemisfério Norte, que costuma ser rigoroso em certas partes do território americano. A Liga dos 32 lista agora, no seu TOP 5 semanal, os cinco jogos que registraram as menores temperaturas da história da NFL, não por acaso, todos os jogos listados aqui foram disputados entre o final de Dezembro e o mês de Janeiro, o auge do inverno nos EUA.

Nota: a lista foi feita levando em consideração a temperatura ambiente.

5) NFC Championship Game: New York Giants vs Green Bay Packers – Lambeau Field, em 20 de Janeiro de 2008

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Temperatura ambiente: -20º C

Ventos: 27km/h

Sensação térmica: -31º C

Precipitação: nenhuma

Esta partida marcou o fim de uma era para o Green Bay Packers. Não foi apenas a primeira derrota em casa da tradicional equipe em um jogo valendo o campeonato da conferência, como também foi a última partida do lendário QB Brett Favre com o uniforme dos cabeças de queijo, já que após a derrota por 23 x 20 para o time comandado por Eli Manning, o Packers decidiu que era hora de investir em outro QB titular, um tal de Aaron Rodgers, que passara toda a carreira até então na reserva. Favre, até então conhecido como “rei do frio”, conectou o WR Donald Driver para um TD de 90 jardas logo na primeira campanha, sendo a jogada mais longa da história do time em playoffs, que abriu o placar no congelante Lambeau Field. Porém, Manning abusou de seu principal recebedor, o WR Plaxico Burress, que terminou a partida com 11 recepções para 154 jardas e chegava naquela altura a seu terceiro jogo seguido em playoff sem lançar uma interceptação. A partida terminou empatada em 20 x 20 e, graças às regras da prorrogação que eram um pouco diferentes na época, o FG de 47 jardas do K Lawrence Tynes logo na primeira posse decretou a vitória para os visitantes, que seguiriam até o Super Bowl, onde venceriam o então invicto New England Patriots numa das maiores zebras da história do esporte.

4) AFC Divisional Playoff: Oakland Raiders vs Cleveland Browns – Cleveland Stadium, em 4 de Janeiro de 1981

Oakland Raiders safety Mike Davis, right, intercepts a Brian Sipe pass intended for Browns tight end Ozzie Newsome, 82, in the end zone with 49 seconds left in AFC playoff game Sunday, Jan. 5, 1981 in Cleveland. The interception sealed a 14-12 win for the Raiders who advance to the AFC championship against San Diego. (AP Photo)

Temperatura ambiente: -20º C

Ventos: 25 km/h

Sensação térmica: -38º C

Precipitação: nenhuma

Mais de 78.000 pessoas lotaram o estádio municipal de Cleveland, em Ohio, para assistir a uma das partidas mais dolorosas da história da franquia, que há anos sofre com o ostracismo. A partida em si foi uma verdadeira batalha de defesas, jogada sobre a sensação térmica que ultrapassou os trinta graus negativos durante todo o embate, porém uma ação do então HC do Browns Sam Hutigliano, fez as baixíssimas temperaturas serem apenas um detalhe do porquê este jogo é lembrado. Perdendo por 14 x 12 nos instantes finais da partida, o Browns tinha a bola na linha de 13 jardas do campo de ataque, e com isso a possibilidade de chutar o FG da vitória e se qualificar para o jogo do título da AFC, porém Hutigliano, de forma inexplicável, chamou uma jogada de passe, que ficou conhecida como Red Right 88, que foi uma tentativa de passe para o TE Ozzie Newsome (sim, o atual GM do Baltimore Ravens), que acabou interceptada pelo S Mike Davis, em ação que decretou a vitória do Raiders e com isso extirpou a temporada do Cleveland Browns, que naquela época já era conhecida como uma franquia que simplesmente não correspondia em momentos decisivos, algo que permanece até os dias de hoje, já que o time anseia há decadas pelo QB da franquia, aquele jogador que mude a estigma de serem um dos piores times de toda a NFL por um longo período de tempo. Lembrar deste embate dá calafrios na torcida, talvez até mais do que aqueles que presenciaram a partida jogada em temperaturas que chegaram a vinte graus negativos.

3) NFC Wildcard: Seattle Seahawks vs Minnesota Vikings – TCF Stadium, em 10 de Janeiro de 2016

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Temperatura ambiente: -21º C

Ventos: 20 km/h

Sensação térmica: -31º C

Precipitação: nenhuma

Com certeza esta partida ainda está fresca na memória de praticamente todo mundo, já que foi jogada no começo deste ano, no estádio da universidade de Minnesota, onde o Golden Gophers, time de futebol americano universitário atua, já que o estádio do Vikings ainda estava sendo construído. Estava tão frio, mesmo sem qualquer tipo de neve ou chuva, que o Vikings distribuiu cobertores e café de forma gratuita a todos os mais de 50.000 torcedores que enfrentaram as condições adversas de temperatura para apoiar o então campeão da NFC Norte em duelo contra o Seattle Seahawks. A partida estava 09 x 00 para o Vikings até o quarto período, quando o TD do WR Doug Baldwin e um FG do K Steven Hauschka deu a vantagem para os visitantes, porém, o QB Teddy Bridgewater comandou uma ótima campanha nos instantes finais que levou o time até a zona de FG do K Blair Walsh, mas num roteiro cinematográfico, o chute fácil de 27 jardas foi para a esquerda das traves, muito por conda das condições adversas de clima naquela tarde, jogada em estádio aberto. Walsh já sofria com a inconsistência há tempos porém havia sido responsável por todos os nove pontos de sua equipe naquela tarde, porém, na hora de maior pressão, o K não soube corresponder e com isso acabava a temporada do Minnesota Vikings no gélido TCF Stadium.

2) AFC Championship Game: San Diego Chargers vs Cincinnati Bengals – Riverfront Stadium, em 10 de Janeiro de 1982

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Temperatura ambiente: -22º C

Ventos: 43 km/h

Sensação térmica: -50ºC

Precipitação: nenhuma

Quando uma partida fica conhecida como “freezer bowl”, já imagina-se que não foi jogada sobre as melhores condições climáticas possíveis. O vento de mais de 40km/h naquela tarde faz desta partida oficialmente a mais gelada da história, com a sensação térmica na casa dos cinquenta graus negativos durante o jogo, mesmo assim, milhares de torcedores foram avistados no estacionamento do estádio nos tradicionais “tailgates”, que já fazem parte do roteiro das partidas da NFL. Jogar nestas condições foi muito pior para o San Diego Chargers, que tinha enfrentado o Dolphins na ensolarada Miami uma semana antes de viajar até Ohio e enfrentar tais condições adversas. Dan Fouts, lendário QB do Chargers e que hoje está no Hall da Fama, declarou que o ato de colocar e tirar o capacete já lhe causava dor, tamanho frio estava naquela tarde no Riverfront Stadium, que mesmo assim esteve lotado com mais de 46.000 torcedores no jogo máximo da AFC. Há lendas que Fouts, ao ostentar uma imponente barba na época, fez crescer camadas de gelo sobre ela durante o embate, e ele admitiu ser impossível lançar a bola com o espiral característico dos grandes QBs da NFL. Nem o fato de contar com Fouts foi suficiente para o Chargers, que não foi páreo para o QB Ken Anderson, MVP da temporada regular daquele ano e que também venceu o prêmio de Comeback Player of the Year, que liderou o Bengals à tranquila vitória por 27 x 07. Anderson teve que receber tratamento médico ao final da partida, assim como centenas de pessoas que assistiam as partidas, pois sua orelha direita simplesmente congelou durante o confronto.

1) NFL Championship Game: Dallas Cowboys vs Green Bay Packers – Lambeau Field, em 31 de Dezembro de 1967

With seconds remaining, quarterback Bart Starr (15), Green Bay Packers, bulls his way behind the Packers' play leader - the center - and key blocker Jerry Kramer (64), who is delivering key block to Dallas' tackle Jethro Pugh (75), Dec. 31, 1967. Starr gave Green Bay a 21-17 NFL victory for its third year in a row. (AP Photo) ORG XMIT: APHS437868

Temperatura ambiente: -26° C

Ventos: 20 km/h

Sensação térmica: -44º C

Precipitação: neve

Por diversos fatores, incluindo o recorde negativo de temperatura, o Ice Bowl de 1967 é considerado um dos, senão o maior jogo da história da NFL. Para começar, foi o encontro de dois lendários HCs: Vince Lombardi do Packers e Tom Landry, do Dallas Cowboys, numa época romântica da NFL, em que atletas não jogavam por contratos multimilionários e nem estampavam os tablóides por se envolverem em polêmicas durante a intertemporada. Dave Robinson, então LB do Packers e hoje integrante do Hall da Fama, deu entrevista uma vez declarando como Lombardi preparou seu time para enfrentar as condições climáticas mais adversas da história de uma partida: “Vince nos disse antes da partida: ‘eu não ligo para o fato dos jogadores da linha ofensiva usarem luvas, mas não quero que RBs, WRs e jogadores de defesa usando’. Então, com todo mundo se remoendo, cheguei sorrateiramente até o gerente de equipamentos e disse “ei, me dê uma luva marrom, Vince nunca saberá a diferença.” Logo na primeira jogada de scrimmage, o FB do Packers Chuck Muncien sofreu um fumble recuperado pelo Cowboys. O árbitro principal naturalmente soou o apito que marcou o fim da jogada, porém, ao tirar o apito da boca, foi surpreendido com o sangue que saía de sua boca, pois tamanha temperatura congelante que estava naquela naquela tarde foi suficiente para congelar o apito em sua boca. Pelo resto da partida, a equipe de arbitragem usou gritos e gestos para comandar a partida, aposentando o apito por pelo menos uma tarde. Dentre as mais de 50.000 pessoas que lotaram o Lambeau Field, uma acabou morrendo de hipotermia, e não viu o QB Bart Starr liderar o Packers à vitória por  21 x 17, num dos jogos mais icônicos da história que marcou o terceiro campeonato da NFL consecutivo para a equipe de Wisconsin.

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Paulo César é o setorista da NFC LESTE. Analisa Giants, Cowboys, Redskins e Eagles às terças e quintas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @PcesarPJunior