Tony Romo confirma: será reserva de Dak Prescott

16 de novembro de 2016
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Uma das grandes histórias da temporada regular é o fato do QB Dak Prescott, recrutado na 4ª rodada do último Draft, oriundo da universidade de Mississippi State, ter guiado o Dallas Cowboys ao recorde de 8-1, que simplesmente é o melhor de toda a NFL. Antes do começo da temporada, Prescott seria apenas o 3º QB da equipe, atrás de Tony Romo e Kellen Moore no depth chart, porém, após lesões dos dois atletas, o calouro foi jogado aos leões e respondeu da melhor forma possível. Agora que Romo está saudável, especulava-se quem seria o titular: o veterano que está há 10 anos no comando do America’s Team mas que tem problemas crônicos em se manter saudável, ou o calouro que assombrou a liga ao ser extremamente eficiente, apoiado num jogo terrestre sensacional com o também calouro RB Ezekiel Elliott, e uma linha ofensiva dominante.

O Cowboys, através de seu dono, GM e presidente Jerry Jones, declarou que era impossível o time não continuar apoiado em Prescott para a parte final da temporada, relegando o outrora titular absoluto ao cargo de reserva imediato. Agora foi a vez de Tony Romo falar sobre o assunto, em um discurso de quase seis minutos marcado pela humildade e reconhecimento que o histórico dele como titular do Cowboys não vale em nada frente ao desempenho do time em 2016, que é um dos mais interessantes de se assistir. Foi a primeira vez que Romo falou com a imprensa durante a temporada de 2016, e é fato afirmarmos que parecia uma entrevista diferente de grande parte das que vemos diariamente no cenário do esporte, se assemelhando a uma cerimônia em que Romo “passou a tocha” para Prescott, e mesmo que o espírito competitivo dentro dele clamasse pela competitividade, o lado humano do QB o fez entender que, com a idade avançada e o surgimento de Prescott, seus dias em Dallas podem estar contados. Confira alguns trechos do discurso do veterano, que pode ser visto na íntegra aqui:

Dak Prescott, pelo que fez e vem fazendo, mereceu o direito de ser o Quarterback titular. Por mais difícil que seja para mim chegar aqui e dizer isso, ele merece. Ele guiou nosso time ao recorde de 8-1 até agora, o que é extremamente difícil de se fazer. Se parar para pensar por apenas um segundo eu não quero estar fora daqui (Cowboys), caso pensem isso, então vocês nunca sentiram a êxtase de competir e vencer por esta franquia. Este sentimento nunca me abandonou. De fato, tal sentimento queima dentro de mim mais do que nunca na vida.

Sobre sua lesão especificamente, Romo foi mais incisivo:

Nesta altura, dizer que a primeira metade da temporada foi algo emocional é até uma perda de tempo. Me machucar no ano em que sentia ter o melhor time que já tive aqui simplesmente esmagou minha alma. Então, ver que não seriam três ou quatro, porém dez semanas de ausência foi algo que me afetou demais e me fez pensar que eu mesmo tinha uma tremenda parcela de culpa em desapontar companheiros, fãs e a organização. No final das contas, eles contavam comigo para conseguir o título. Isto que Quarterbacks supostamente devem fazer, é por esse critério que somos julgados. Eu amo isso. Ainda amo. Mas aqui estou eu, fora de campo sem nenhuma possibilidade real de ajudar meus companheiros a vencerem dentro do campo. É quando sou forçado a encará-los frente a frente com isto acontecendo.

Temporadas passam rápido. Jogos tornam-se mais preciosos que nunca. Chances de sucesso diminuem. Seu potencial sucessor está no time. Machucado por duas temporadas consecutivas e agora estou na segunda parte dos 30 anos. A pressão está murmurando. Todo mundo duvida de você. Você passou toda sua carreira para chegar aqui. Agora começa tudo novamente, isto faz você sentir um intruso de certa forma. Os técnicos são excepcionais, porém eles tem um time para treinar e você não faz parte dele, é um lugar escuro para estar, provavelmente o mais escuro que estive na vida. Você está triste e deprimido e se pergunta “como que isto foi acontecer?” É neste momento que você descobre quem realmente é e qual o seu propósito, seu objetivo.

Ele encerrou falando sobre o calouro QB Dak Prescott e como o Cowboys está em 2016:

Futebol é a mais pura meritocracia. Nada é dado de graça. Você ganha tudo, dia após dia após dia. Você tem que provar isto. Este é o modo que a NFL, e o futebol funciona.

Penso que todos sabem que algo mágico está acontecendo com isso time. Não afetarei Dak negativamente nem o time me tornando uma distração. Penso que Dak sabe que o apoiarei da mesma forma que ele me apoiaria. Agora, se trata do time. É por isso que lutamos por toda a vida.

Lembro quando era apenas uma criança, começando a pensar na vida e querendo ser parte de algo maior que eu mesmo. Para todo garoto do colegial ou da universidade, existe uma grandeza em ser o tipo de atleta que realmente queira ser parte de uma equipe. Todo mundo quer ser parte da razão do sucesso ou fracasso de uma equipe, todo mundo entre nós sonha em ser aquela pessoa. Mas existem momentos especiais em que assumimos um compromisso compartilhado, em desempenhar um papel coletivo e fazê-lo juntos, é por isso que você é lembrado. Não suas estatísticas nem seu prestígio, mas as relações e parcerias alcançadas como um grupo. É algo difícil de se alcançar mas extremamente prazeroso quando acontece. E no final, seu desejo inflama sua alma para o melhor que você pode ser, aprendi que este é o processo. É isto que separa o esporte de qualquer outra coisa, e é por isso que amamos e no que confiamos, é justamente por isso que ainda quero atuar e competir.

Por fim, gostaria de deixar algo que aprendi neste processo. Sinto que temos duas batalhas, ou dois inimigos coexistindo: uma com o homem que está a frente de você, e a segunda com o homem dentro de você. Penso que, assim que assume o controle daquele que está dentro si, o que está fora simplesmente não importa. Acredito ser isto que todos devemos tentar fazer. Obrigado a todos.

Romo não respondeu nenhuma pergunta, simplesmente leu aquilo que havia preparado a ser dito para a imprensa que acompanhava. No atual rumo da situação, parece ser o começo do final da era Tony Romo como titular no Dallas Cowboys, já que exercerá grande peso no teto salarial da equipe nos anos posteriores, algo totalmente dispensável para um QB reserva de 36 anos e um histórico não muito positivo, principalmente na parte final das temporadas. No final do dia, a NFL é apenas um negócio, e se ponto de vista dos negócios for mais viável abrir mão daquele que foi a face da franquia nas últimas dez temporadas, tenha a certeza que o Cowboys o fará.

O veterano QB foi honesto ao mesmo tempo que lamentou ter deixado seus companheiros. Foi um discurso preparado, mas que de certeza forma passou a mensagem que o desempenho do Dallas Cowboys como um time é mais importante neste momento que o fato de haver um jogador com a camisa #9 no banco de reservas, algo inédito em muito tempo para a franquia texana. Ao mesmo tempo que o atleta não planeja chamar para si toda a atenção, o apoio a Dak será muito importante, já que a torcida do Cowboys é uma das mais exigentes da NFL e com certeza clamará pelo experiente QB ao primeiro insucesso do calouro, o que de certa forma até pode ser compreensível.

Tony Romo assumiu a titularidade em 2006, e desde lá, foram 133 jogos como titular pela equipe, em que somou mais de 34 mil jardas aéreas com 247 passes para TD e 117 interceptações. A melhor campanha veio em 2014, quando liderou o time a 12 vitórias, em que lançou 34 passes para TD contra apenas nove interceptações durante toda a temporada, ambas melhores marcas de sua carreira para uma campanha completa que o colocaram como um dos candidatos ao prêmio de MVP da temporada regular. Embora o futuro de Romo, que ainda poderia encontrar emprego em alguma outra franquia com chance real de título, seja algo que será especulado por toda a temporada, por enquanto fica apenas o registro sincero daquele que foi a alma de um time por uma década, mas que parece aceitar que seu tempo em Arlington se aproxima do final.

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Paulo César acompanha a NFL desde 2012, com o primeiro contato ocorrendo em 2010. Escreveu para o extinto “Colts Brasil” e HTE Sports. No site, escreve a coluna “Top 5”, às segundas, abordando listas com temas diversos semanalmente.