Série Tática – Zone Blitz e Fire Zone Blitz

7 de março de 2016
Tags: tática, tiago araruna,

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Esse esquema de Blitz implica em 5 ou mais jogadores com a função de perseguir o Quarterback adversário, mantendo os demais atletas em uma cobertura em Zona no campo de defesa. É um conceito que evoluiu com Dick LeBeau (à época coordenador defensivo do Steelers) no que se passou a chamar de Fire Zone Blitz, uma nova espécie muito difundida da Zone Blitz, bastante utilizada por Dom Carpers (coordenador defensivo do Packers) e diversos outros coordenadores ao redor da liga e até mesmo no College Football.

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É essencial perceber que na Fire Zone Blitz, apesar de o objetivo ser atacar o QB com agressividade no backfield, ela o faz de maneira que tenha essa característica, mas sem desproteger demais a secundária contra o passe, até por isso normalmente cinco jogadores tentarão pressionar o Quarterback e os outros seis ficarão na cobertura como explicaremos mais adiante.

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Não sendo uma Blitz tudo ou nada que coloca sete homens atacando a linha ofensiva na busca frenética por fazer o Signal Caller comer grama, será mais frequente ver cinco jogadores avançando com esse objetivo em uma Zone Blitz. A pergunta que fica é: como considerar uma Blitz que faz uso de apenas cinco caras (na maioria das vezes) como algo agressivo? Simples. Porque em boa parte dos snaps, esses cinco irão parecer seis ou sete para aqueles responsáveis por bloquear e proteger o QB.

A Fire Zone Blitz emprega um sistema muito inteligente de pressão, onde no momento pré-snap veremos cinco ameaçando partir pro ataque na Blitz, mas um deles recua – finge que vai para frente e depois vai para trás rápido – logo após o Center jogar a bola na mão do Quarterback. Isso faz com que o atleta da linha ofensiva que estava preparado para marcar o defensor que recuou fique congelado na jogada sem saber quem bloquear, enquanto o quinto pass rusher aparece vindo de trás (e pode ser de qualquer posição como explicaremos) e de surpresa atacando um espaço que muitas vezes se abrirá na linha de proteção.

Um outro ponto digno de nota é que os rushers costumam se cruzar em frente à OL visando dificultar ainda mais para o grupo que estará tentando descobrir quem bloqueia quem. Não é incomum ver defensores passando completamente desbloqueados a depender do design da chamada que adota esse esquema.

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As combinações de jogadores que irão recuar e quais irão na Blitz são quase infinitas e isso possibilita muita liberdade a depender da criatividade do coordenador defensivo de cada time. É possível utilizar DLs, CBs, Ss e LBs na Blitz desde que se defina quem irá cobrir em Zona o campo defensivo para evitar o sucesso do jogo aéreo adversário. Com relação aos que seguirão na caça ao Quarterback em Blitz, cada um tem Gap pré-definido (leia sobre Gaps e Techniques aqui) com o objetivo de se aproveitar dos pontos fracos da OL, bem como ter certeza de que nenhum espaço vai ficar aberto para uma possível jogada terrestre.

Abordando um pouco mais o funcionamento da cobertura em Zona na secundária – afinal o nome do esquema é Zone Blitz não à toa – podemos perceber, como inclusive já foi falado nesse artigo, que não se trata de uma Blitz tudo ou nada, é agressiva mas sem se desproteger atrás. Para isso, alinhará frequentemente 3 defensores em Zona cobrindo o fundo do campo (basicamente 1/3 para cada) e os outros 3 que estão na marcação ficarão responsáveis por cerca de 10 jardas após a linha de scrimmage. Resumindo e simplificando bem: 5 vão na Blitz, 3 marcam em Zona nas primeiras 10 jardas e 3 marcam o fundo do campo. Assim funcionará a Fire Zone Blitz em parte considerável das jogadas em que servir de base.

As defesas 3-4 tem maior facilidade com o Zone Blitz por ser uma formação que conta com apenas três jogadores de linha defensiva, de forma que nenhum Defensive Linemen costumará recuar na cobertura, mas sim um dos Outside Linebackers, por exemplo. Já na 4-3, ver um DL engatar a marcha ré e tentar marcar algum recebedor na sua área (zona) é comum e um ponto fraco que pode ser explorado pelo QB do oponente. Em aspectos gerais, portanto, é mais recomendado que o esquema Fire Zone Blitz seja exercido por uma defesa que tenha como formação base a 3-4.

ANALISANDO O TAPE

fire zone blitz 1

Nessa imagem da jogada (veremos o vídeo dela mais abaixo), é possível perceber que o OLB do lado esquerdo da defesa está ameaçando Blitz, mas recuará como indica a sua seta amarela. Os jogadores que vão surpreender na pressão para tentar o sack são um ILB e um CB, ambos também com setas indicativas mostrando como eles virão de trás e onde atacarão a linha ofensiva. Observe que os pass rushers se cruzam à frente dos atletas da OL e não atacam o jogador imediatamente a sua frente.

No lado direito da linha defensiva, vemos um alinhamento em que o defensor está de frente para o Tight End, mas você verá no desenvolvimento da jogada – e bem precisamente no segundo vídeo ao final da matéria – que ele ataca o A Gap entre o Center e o Left Guard, mudando drasticamente de direção e confundindo os bloqueios.

fire zone blitz 2

A respeito da cobertura, é exatamente como foi falado no texto: todos em zona com três atletas marcando a área intermediária e outros três responsáveis pelo fundo do campo. Note que os seis atletas na marcação estão virados para o Quarterback, lendo seus olhos e ao mesmo tempo ligados na região do campo que são responsáveis por cobrir.

No duelo Blitz vs Linha Ofensiva, podemos ver claramente que o recuo de um jogador, a vinda de outros inesperados e a troca de posições logo após o snap ajudaram a confundir os bloqueadores e um LB (traço amarelo) consegue penetrar quase que intocado a princípio. Mais que suficiente para apressar o passe de Joe Flacco, que acaba sendo incompleto.

VÍDEOS DA JOGADA

Observe tudo o que foi explicado de forma conceitual no texto (e imagens) acontecendo claramente nos dois vídeos abaixo. Trata-se da mesma jogada que acabamos de destrinchar nos prints em dois ângulos diferentes: aéreo e por trás da linha ofensiva. Assista os vídeos e depois releia a parte conceitual para captar bem o espírito da Fire Zone Blitz.

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Tiago Araruna acompanha a NFL desde 2006 e é o idealizador do projeto Liga dos 32. Como Editor-Chefe do Portal, está à frente da coluna semanal 32 por 32, toda quinta no ar. Co-apresentador do Podcast Liga dos 32 que vai ao ar às quartas . No twitter: @tiagoararuna