Série Tática – Run-And-Shoot Offense

21 de março de 2016
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Esse esquema ofensivo é fácil de ser explicado por ser bem básico e simples, o que não quer dizer que seja tranquilo identificá-lo e usar a cobertura adequada. Quem já jogou futebol americano, seja com um amigo ou até com um grupo de pessoas, alguma vez já deve ter usado esse conceito sem nem saber do que se trata. É o famoso football de quintal, aquele que as crianças jogam em suas casas nos Estados Unidos, sem uma rota pré-determinada para correr, mas apenas um “vai, corre para onde você preferir que eu vou achar suas mãos com um passe”. Daí veio a ideia da Run-And-Shoot, um futebol “alegria nas pernas”, sem se prender tanto a rotas específicas e dando certa liberdade ao recebedor.

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É claro que ao entrar no mundo da NFL, jamais seria um esquema que daria total poder aos jogadores para escolher a rota que quisessem na hora que desejassem. A Run-And-Shoot traz consigo o conceito das “option routes”, ou seja, em cada jogada o atleta terá duas ou três rotas e optará por uma a depender de como esteja sendo marcado e que tipo de cobertura ele enfrenta. Isso deu consideravelmente certo com o Houston Oilers, que chegou aos playoffs em 7 temporadas seguidas abusando desse tipo de ataque com direito a um sistema ofensivo top 10 em todas elas. No entanto, não venceram um Super Bowl.

As críticas que recaiam sobre o Oilers se davam com relação à falta de força física suficiente e necessária para ser um verdadeiro campeão na NFL. Por usarem uma formação sem Tight Ends ou Fullbacks e alinharem quatro Wide Receivers em campo, a falta de um pouco de brutalidade no ataque sempre foi algo questionado.

O grande diferencial da Run-And-Shoot Offense não era exatamente essa formação com quatro WRs, mas sim a forma como as jogadas se desenvolviam, trazendo certo improviso para uma posição muitas vezes tão engessada às rotas que devem correr. O esquema era algo tão simples como “escolha sua rota como queira, apenas garanta que você vai estar livre da marcação”. Como disse, na NFL não era bem escolha qualquer rota, mas haviam várias opções disponíveis.

Fica óbvio para quem assiste os jogos da liga hoje em dia com um pouco mais de atenção que a Run-And-Shoot não é a base para qualquer ataque que seja, até porque as equipes gostam de mesclar conceitos e esquemas, variar durante o jogo, de forma que permanecer com 4 WRs 85% do tempo não é algo muito aconselhável. Porém, existem times que fazem uso de alguns preceitos do referido sistema em algumas jogadas de seus playbooks.

Vamos analisar essa rota do Victor Cruz pelo New York Giants, um perfeito exemplo de Run-And-Shoot na NFL moderna:

run and shoot 1

Temos esse vídeo aéreo de Eagles e Giants. Com o traçado amarelo está Hakeem Nicks e com o vermelho é o Victor Cruz. Logo de cara é possível notar que ambos tem duas opções de rotas na jogada, portanto deverão optar por uma delas de acordo com a cobertura que enfrentem, conforme foi explicado no texto acima. Um outro ponto é o conceito “switch” empregado no lance e fazendo com que os recebedores se cruzem já na saída da linha de scrimmage. Perceba também que há 4 Wide Receivers alinhados na jogada seguindo o padrão clássico que consagrou a Run-And-Shoot Offense.

A ideia dessa chamada é fazer com que Victor Cruz (setas vermelhas) vá por fora em uma rota “go”, mas caso o defensor responsável por marcá-lo cubra em profundidade, deverá parar com uma rota “curl”. A escolha depende unicamente do que a defesa fizer e o QB precisa pensar exatamente da mesma forma que o seu recebedor.

No caso de Hakeem Nicks (setas amarela), ele deve correr a “go” em profundidade ou, caso o cornerback recue bem e se posicione com vantagem para defenser o fundo do campo, cortar para dentro na horizontal em uma rota “in”.

Caso não conheça as rotas dos recebedores, temos um post da série tática sobre o tema aqui.

run and shoot 2

Acompanhe nessa segunda imagem o desenvolvimento da jogada. Como Hakeem Nicks (amarelo) recebeu a marcação press coverage no homem a homem (explicamos as coberturas aqui), optou por “apostar corrida” com o defensor e seguir na rota “go”. Já Victor Cruz (vermelho), percebeu rapidamente que seu marcador (azul) estava bem posicionado contra uma rota “go” em profundidade, então optou pela “curl” e parou no campo para receber o passe. Depois, quebrou tackles e anotou o TD.

No vídeo abaixo você pode ver a jogada e – após ler toda a explicação da Run-And-Shoot e ver as imagens acima – entender bem como o esquema funciona. Observe que no momento que Eli Manning lança a bola, apenas Cruz está livre. Nicks fica aberto um segundo depois:

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Tiago Araruna acompanha a NFL desde 2006 e é o idealizador do projeto Liga dos 32. Como Editor-Chefe do Portal, está à frente da coluna semanal 32 por 32, toda quinta no ar. Co-apresentador do Podcast Liga dos 32 que vai ao ar às quartas . No twitter: @tiagoararuna