quinta-feira, 29 de junho de 2017

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Para conhecer mais sobre os tipos de cobertura e aproveitar melhor o conteúdo desse post, não deixe de ler aqui nossa análise sobre as coberturas defensivas.

Na NFL atual, times ganham ou perdem jogos pelo ar. Essa é a regra. Aquela filosofia que defendia a ideia de “pare a corrida e corra bem com a bola para vencer” soa bem ultrapassada a cada temporada que passa. O quarterback ganha ainda mais importância e relevância com a direção que a liga profissional toma ao não só incentivar, mas favorecer o jogo aéreo até mesmo com regras que o protege demasiadamente. É claro que isso exige mais dos treinadores também – eles precisam ter total conhecimento dos pontos fortes e fracos de cada tipo de cobertura utilizado pelas defesas para saber como atacar cada um. Falaremos exatamente disso aqui, abordando as formas de cobertura aérea mais utilizadas na NFL.

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Primeiro, devemos entender como um quarterback vai fazer a leitura de qual cobertura ele está enfrentando em determinado lance. Muitas vezes o tipo de cobertura empregado pode ser identificado antes mesmo do snap se o QB observar 3 fatores:

– Número de safeties em profundidade;

– Distância entre os CBs e seus respectivos recebedores;

– Quantidade de jogadores no box;

É cada vez mais difícil distinguir o tipo de cobertura antes do snap porque as defesas disfarçam muito bem e modificam rapidamente o posicionamento logo após o snap, mas ainda em uma grande quantidade de jogadas o adversário será conservador e não arriscará criar disfarces toda hora para não ser pego fora de posição no momento do passe. O uso de uma “motion” ajuda demais nessa identificação, pois se o jogador é acompanhado por um defensor específico durante essas sua movimentação pré-snap, sabe-se que ele está marcado homem a homem. Isso não quer dizer que toda a defesa fará esse tipo de marcação, mas é um indício parcial importante.

COVER 1

É uma cobertura muito comum na NFL, principalmente quando uma equipe precisa de mais apoio do Strong Safety no box contra a corrida ou para marcar o Tight End por dentro. Mesmo os times que não tem ela como base a utilizam em determinados momentos de uma partida. Nela, a marcação é homem a homem em cima de todos os recebedores alinhados com a presença do Free Safety sozinho mais ao fundo para servir de homem de segurança no caso de algum recebedor conseguir uma separação em rota longa.

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Antes mesmo do snap, a leitura do QB vai ser no Strong Safety em primeiro lugar. Se ele estiver posicionado muito próximo – até 5 jardas – de um recebedor, é um bom indício de Cover 1 ou Cover 3. Para tirar essa dúvida, ou pelo menos em partes, o quarterback vai analisar o alinhamento dos CBs e LBs em relação aos WRs e TE(s). Em uma Cover 1, eles vão querer estar de frente para o recebedor ou mais externos a eles, oferecendo a parte interna do campo por confiar na ajuda em profundidade do Free Safety pelo meio.

Pontos fortes:

– Todos os recebedores estão marcados de perto. Sem chance de alguém aparecer do nada em uma rota propositadamente atrasada e sem marcação.

–  Cobertura muito usada em casos de Blitz. Homem a homem em todos os recebedores e o FS na sobra passa segurança para a defesa.

– Torna difícil a execução de rotas que cortam para fora do campo devido ao posicionamento dos CBs que costumam forçar o recebedor para dentro.

– A pressão em cima do QB pode vir de pelo menos 5 jogadores em qualquer jogada. Mesmo que o ataque use o máximo de recebedores (5), a defesa ainda terá 5 para o pass rush e um na sobra (FS).

– Como os marcadores jogam no mano a mano, costumam estar em press coverage, pressionando fisicamente o recebedor já na saída da linha de scrimmage. Isso atrapalha demais o timing do QB com o WR/TE/RB.

– Efetiva contra passes curtos e rápidos para rotas que não se cruzem ou não tenham conceitos que explorem bem o fator homem a homem.

Pontos fracos:

– Facilita a criação de duelos desfavoráveis à defesa porque expõe a fraqueza de defensores menos aptos na cobertura ao exigir demais deles no homem a homem, praticamente sem ajuda.

– Costuma ceder bons ganhos de jardas quando algum recebedor bate seu marcador, pois os demais defensores estão preocupados com outros jogadores de ataque e o FS não vai conseguir chegar imediatamente mesmo que faça uma leitura rápida da jogada. Em caso de duas rotas longas onde ambos WRs derrotem os CBs, o FS terá que escolher um para ajudar. O outro estará livre para um ganho longo e provável para TD, por exemplo.

– Fraca contra a corrida. A lógica é simples, pois na marcação homem a homem os defensores estão de costas para o QB e têm olhos apenas para o recebedor. Se os recebedores puxam a marcação, eles não vão nem sequer perceber que é uma jogada terrestre para poder auxiliar os companheiros.

– Como todos os recebedores são marcados no homem a homem, é muito difícil disfarçar em caso de “motion”.

– Muita pressão em cima dos CBs que estão praticamente isolados na cobertura do respectivo recebedor.

– Das três zonas de profundidade do campo, apenas uma está coberta. No caso, a do meio pelo Free Safety.

Para atacar a Cover 1, existem diversas alternativas. O “Mesh Concept” funciona muito bem com rotas se cruzando, sendo que cada uma vem de um lado da formação como vemos na imagem acima. Rotas que se cruzam sempre caem bem contra coberturas que se baseiem na marcação homem a homem. Aliás, essa imagem mostra dois conceitos que são ótimos contra a Cover 1 em um desenho só, pois usar rotas longas fugindo do Free Safety – duas rotas “corner” no caso da figura acima – e fazendo ele escolher onde ele vai ajudar também é bem interessante.

Explorar o jogo terrestre, abusar de “rub routes” em que os recebedores se cruzam já na saída da linha de scrimmage e chamar jogadas que possuam rotas “double move” com um duplo movimento do recebedor são outras possibilidades para o coordenador ofensivo. Para finalizar, usar vários “slants” curtos em um só lance costuma ser efetivo. O marcador vai estar próximo, mas se o ataque alinhar 3 ou 4 recebedores deverá aparecer uma vantagem de um jogador mais rápido contra um mais lento.

COVER 2 ZONE

A Cover 2 Zone utiliza dois safeties no fundo do campo, cada um responsável pela metade do campo. Seus Cornerbacks farão uma marcação em zona. Falando da leitura pré-snap do quarteraback para identificar esse tipo de cobertura, ele irá observar a distância dos CBs para os Wide Receivers e o posicionamento dos safeties que deverão estar bem recuados. Os Cornerbacks costumam alinhar lateralmente – porque em zona ele não tira os olhos do QB – e mais recuados que na marcação homem a homem.

Pontos fortes:

– Mesmo nas suas supostas fraquezas, gera muita dificuldade para o QB, pois exige lançamentos longos e complicados em regiões pontuais.

– Muito forte contra o jogo terrestre por contar até mesmo com a ajuda dos CBs que estão o tempo todo de olho na bola.

– Povoamento importante da região intermediária do campo com cinco jogadores para atrapalhar o passe nessa área.

– Vantagem contra Wide Receivers rápidos graças ao recuo dos CBs e cobertura dupla ao fundo por parte dos safeties.

Pontos fracos:

– Cobertura do recebedor no slot em rotas longas pode ser um problema.

– Dois defensores cobrindo as três zonas de fundo de campo, o que pode gerar um espaço vazio nas laterais em profundidade (20 a 30 jardas a partir da linha de scrimmage).

– Em caso dos recebedores fazerem os CBs recuarem, sobra muito campo para os Linebackers cobrirem jogadores rápidos como os Running Backs.

– Ao ficarem presos em suas zonas de marcação, os CBs podem ser induzidos a deixar para o safety uma rota longa para dentro do campo como a “post” e deixá-lo sobrecarregado em sua área.

Na imagem acima, temos uma das mais clássicas formas de atacar uma Cover 2 Zone. O recebedor “Z” corre uma rota “corner”, atrai o Safety daquele lado para a ponta e deixa “Y” sozinho contra o sobrecarregado MIKE linebacker que precisa recuar o campo inteiro para cobrir uma rota muito longa, o que não é sua especialidade de jeito nenhum. Abrir os safeties horizontalmente, jogando um para cada ponta para gerar espaço pelo meio e isolar um linebacker no recebedor alinhado no slot é uma bela cartada contra essa cobertura.

Seria possível também usar o “X” e o RB vindo do backfield em rotas curtas para o lado esquerdo, com uma sendo um pouco mais vertical que a outra e fazendo o CB optar, além de exigir do LB uma cobertura até a ponta. Dependendo de quem o Cornerback marque, o outro terá boas chances de estar livre o suficiente para receber.

No desenho acima, a ideia é mexer com o safety. O “Z” corre uma longa rota “In” para tentar atrair ele pelo meio e abrir o caminho do recebedor “Y” na rota “seam”. Novamente a técnica de isolar o safety e explorar o LB no fundo do campo. Nas duas imagens aqui, são exigidos lançamentos longos e difíceis para o QB, pelo menos em tese. Mesmo onde pode ser explorada, a Cover 2 Zone tem um nível de exigência interessante.

O conceito “Flood” funciona bem também contra essa cobertura. Utiliza-se normalmente 3 recebedores correndo rotas para o mesmo lado, explorando o espaço lateral do campo.

COVER 2 MAN

A diferença entre Cover 2 Zone para Cover 2 Man está no nome. Em uma, dois safeties estão dividindo o fundo do campo em metade para cada com os Cornerbacks fazendo marcação em zona. Na Cover 2 Man, os safeties funcionam da mesma forma, porém os CBs estão fazendo cobertura homem a homem. Para que o quarterback consiga identificar esse tipo de cobertura, ele deverá olhar se os safeties estão bem recuados, ambos mais ou menos na mesma altura e dividindo o campo. Já os cornerbacks deverão estar mais próximos dos recebedores que estão encarregados de cobrir, bem de frente para eles e não lateralmente para observar o QB. São esses os indícios de Cover 2 Man antes do snap acontecer.

Pontos fortes:

– Todos os recebedores estão cobertos com especial atenção da defesa no mano a mano.

– Funciona bem contra conceitos que busquem achar espaços vazios no campo e confundir a marcação para que eles apareçam.

– Os cornerbacks podem ser físicos já na linha de scrimmage, pressionando o recebedor em press coverage.

– Com liberdade, os safeties podem dobrar a marcação em até dois recebedores mais perigosos com rotas intermediárias ou longas.

Pontos fracos:

– Rotas que se cruzam (rub routes, crossing routes, slant+flat), como contra qualquer esquema homem a homem.

– Dois safeties cobrindo três zonas em profundidade.

– Defensores no mano a mano e sem ajuda nas rotas mais curtas.

– “Motion” é um recurso que dificilmente vai permitir a defesa esconder suas intenções de cobertura quando em Cover 2 Man.

– Ruim contra o jogo corrido. Pelo mesmo motivo explicado na Cover 1.

Podemos observar na imagem que as rotas que se cruzam são um elemento recorrente quando um ataque precisa se livrar da marcação homem a homem. Nessa chamada em particular, o WR da ponta segue em uma shallow cross para dentro do campo, o WR no slot executa uma rota “Out” e, para complementar, o RB sai do backfield em uma rota “Flag” em direção a lateral. Um cruzamento triplo de rotas, esticando a defesa, fazendo defensores se chocarem ou terem que dar a volta no companheiro de time para seguir na marcação e permitindo a separação dos atletas de ataque.

Se o CB for acompanhando a shallow cross e o Nickel CB (NCB) ficar com a “Out”, o QB vai explorar o LB correndo meio campo horizontal atrás do RB. Todavia, se a marcação se confundir e o CB recuar contra a “Out” e o NCB se ajustar para ir atrás da shallow cross, eles terão hesitado e, com isso, os recebedores terão criado separação. Leitura Hi-Lo para o QB, primeiro a rota mais longa e, caso não seja possível o passe, depois a shallow.

Outras formas de atacar a Cover 2 Man se dão a partir da “bunch formation”, onde alinha-se vários recebedores bem próximos uns dos outros, sempre dificultando para quem cobre no mano a mano; uso inteligente do jogo terrestre; insistir em “motions” para isolar um duelo desfavorável e dar ao recebedor que fez o movimento pré-snap mais campo para abrir separação; exploração da velocidade dos recebedores com rotas que permitam jardas após a recepção em campo aberto.

COVER 3

Os CBs são responsáveis por dividir o fundo do campo com o Free Safety em três partes iguais (daí o nome Cover 3), todos eles fazendo cobertura em zona da sua área designada. Antes mesmo do snap, a leitura do QB vai ser no Strong Safety em primeiro lugar. Se ele estiver posicionado muito próximo – até 5 jardas – de um recebedor, é um bom indício de Cover 1 ou Cover 3. Para tirar essa dúvida, ou pelo menos parte dela, o quarterback vai analisar o alinhamento dos CBs e LBs em relação aos WRs e TE(s). Em uma Cover 3, eles vão querer estar posicionados lateralmente com os olhos sempre voltados para o QB. Além disso,  os CBs costumam estar mais recuados, não muito próximos dos recebedores.

 Pontos fortes:

– Privilegia a cobertura em profundidade ao ter três defensores nas três zonas do fundo do campo.

– Usa o Strong Safety como um híbrido que vai ajudar na cobertura no flat (primeiras 5 jardas nas áreas laterais do campo) ou no combate ao jogo terrestre.

– Tem muita força contra o jogo terrestre. Além da ajuda dos CBs que estão sempre com os olhos na bola, o Strong Safety está no box ou muito próximo a ele e é um homem a mais em cima do ataque.

– É uma espécie de cobertura muito boa para disfarçar com a Cover 1, principalmente.

Pontos fracos:

– Costuma ter problemas contra rotas no flat feitas, em sua maioria, por recebedores cobertos pelos LBs ou SS, como a rota hitch, quick out ou a própria flat.

– Não é a mais indicada contra o conceito Flood que tem 3 ou 4 recebedores explorando a mesma região em diferentes níveis de “altura”.

– Quatro defensores intermediários para cobrir as 6 zonas do campo nessa região.

– Apesar de fechar bem o fundo do campo, a chamada “four verticals” traz problemas para o Free Safety.

O CB tem como prioridade proteger a sua zona de fundo de campo, então ele vai jogar mais recuado e deixar o Strong Safety cobrir a área que fica na sua frente (Flat). O problema é quando tem dois recebedores ali naquele lado direito da imagem e ambos fazem a mesma rota curta (hitch). O SS de um lado e o WILL linebacker do outro vão ter que optar qual rota curta marcar. Assim que escolherem (normalmente vão no que está mais próximo), a bola vai no outro recebedor que ganha jardas até o CB chegar para o tackle.

Acima temos um desenho que coloca pressão em cima do Free Safety. Duas rotas em sua região e pelo lado direito do ataque o CB está ocupado cobrindo uma “comeback”. Na esquerda do ataque, não tem rota no CB por ali, mas ele não está vendo o outro lado do campo, então a não ser que o FS comunique muito rápido, o CB vai deixar a rota “post” para ele que ficaria com duas “post” para marcar.

Ainda poderíamos desenhar uma “four verticals” que é uma jogada onde 4 recebedores correm reto em direção a end zone. Como são 3 atletas cobrindo o fundo do campo, um iria sobrar. O conceito “flood” também funciona bem, como antecipado. Uma outra alternativa eficiente seria o uso de rotas curtas para a lateral como a “comeback” de 5 jardas, flat, quick out etc. Sempre explorando a região do “flat”, o free safety com mais rotas do que pode marcar ou a necessidade dos CBs de recuarem.

CONCLUSÃO

Essas são as coberturas mais utilizadas na NFL e como elas podem ser atacadas de maneira eficiente, cada uma com suas particularidades. Cover 0, Cover 4 e Quarter, Quarter, Half aparecem em menor escala e podem ser abordadas no futuro. É importante para curtir mais o jogo conseguir identificar os tipos de cobertura e se seu time está usando as armas corretas para combatê-la. O plano de jogo é adequado ao que a defesa apresenta? Conhecendo os pontos fortes e fracos de cada, é possível responder essa pergunta com propriedade.


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