quinta-feira, 13 de julho de 2017

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Cam Newton é um astro da NFL, já eleito MVP da temporada 2015, e o grande nome ofensivo do Carolina Panthers. Mas antes disso ele foi o quarterback da Universidade de Auburn, onde foi treinado por Gus Malzahn, conhecido pelos seus ataques potentes e pelo que conseguiu realizar tendo Super Cam como seu QB. Em 2010, o ataque do “Tigers” brilhou graças à mistura do talento de Newton no campo e de Malzahn como técnico e mente ofensiva.

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Malzahn era o famoso coordenador ofensivo que adorava colocar o quarterback para lançar muitas vezes a bola nos times que trabalhou, porém, em Auburn foi preciso se adaptar. A prioridade passou a ser estabelecer um jogo terrestre eficiente a ponto de colocar a defesa em cheque para tudo o que o ataque poderia fazer em seguida. Tudo isso com pitadas de Spread Offense e muito “no huddle”.

Esse jogo terrestre que elevou o padrão ofensivo do “Tigers” era completamente baseado em um “power running game” ou “power offensive play”. Fica melhor de entender a ideia desse conceito através da imagem abaixo:

A jogada vai para o lado esquerdo, então o que chamamos de “lado da jogada” ao nos referirmos à linha ofensiva é o grupo posicionado na sua esquerda. Ali vemos que o Left Tackle ignora o “Edge” (pass rusher na ponta da linha marcado na imagem como “leitura”) e auxilia o Left Guard no bloqueio na parte interna da linha para, em seguida, bloquear o SAM linebacker no segundo nível da defesa. Faltou esse detalhe na imagem, mas o LG bloqueia o DT à sua frente, ajudado em um primeiro momento pelo LT.

 O referido “Edge” assinalado como “leitura” na figura acima é anulado pela dúvida através da “Read Option” e não sabe se a bola vai ficar com o RB ou com o QB, o que prejudica sua ação imediata. Para fechar, o Right Guard vai direto para o segundo nível em um “pull”, no que é seguido pelo QB caso ele fique com a bola. Alternativamente, se Cam Newton entrega a bola para o RB, esse corre na direção da lateral do campo.

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Como sabemos, a espécie de “Read Option” mais conhecida é a “Zone Read”, onde o QB decide se entrega a bola ao RB ou se fica com ela com base na reação do Edge. No entanto, na “Zone Read”, se o quarterback fica com a bola, ele irá correr para a lateral, enquanto que se a posse da bola passa para o running back, este irá correr pelo meio da linha. Essa jogada é conhecida como “traditional veer”.

O que vimos na imagem acima, entretanto, inverte essa lógica. Daí o apelido da jogada ser “inverted veer”, pois ela modifica os caminhos naturais que o QB e o RB costumavam correr na “Read Option” tradicional. Na “inverted”, Cam Newton corre pelo meio da linha e o RB faz o caminho lateral, correndo para a ponta do campo. O desenvolvimento da jogada depende daquilo que o Edge fizer. Se ele abrir demais fechando a lateral, Cam corre com a bola. Se ele for por dentro tentando atacar o QB, o RB recebe o “pitch” na lateral para fazer sua corrida por lá. Esse “pitch” do QB para o RB aberto lateralmente é conhecido como “sweep”.

O sistema de bloqueios presente na imagem é “power blocking” puro. Inclusive, essa jogada pode ser feita com essas mesmas opções de corrida para QB e RB, mas com a presença de um Fullback para bloquear o Edge que na figura não é bloqueado por ninguém, apenas pela opção em si e pela dúvida sobre quem fica com a bola. Nesse caso, o time usaria 3 Wide Receivers e o Fullback na formação. O mesmo “power blocking” estaria presente, chegando ao segundo nível e com direito ao “pull” do Guard.

É lógico que não adianta usar a “inverted veer” somada a um sistema de “power blocking” se o quarterback não for muito forte e capaz de correr por dentro da linha ofensiva. Para isso, ele precisa, além de muito músculo, ser resistente a tackles e ter a agilidade de um bom corredor, o que é o caso de Cam Newton. Por motivos óbvios, pouquíssimos times da NFL conseguiriam implementar esse tipo de jogo terrestre, sendo mais comum no College Football e bem divertido de assistir também!

Saímos de 2010 e chegamos a 2015, ano em que Cam Newton foi eleito o MVP da NFL e levou seu time ao Super Bowl 50. Essa jogada que ele fazia em Auburn ainda existe no Panthers? A resposta é positiva. Não só existem por meio de execuções idênticas ao desenho que vimos na imagem detalhada mais acima como também através de variações bem interessantes dela. A “inverted veer” auxiliou demais o ataque do Carolina Panthers na sua campanha quase perfeita rumo ao Super Bowl.

A equipe treinada por Ron Rivera fez uso da “inverted veer” com uma inteligente variação da jogada. Contando com o mesmo “Power Blocking”, inclusive com o “Pull” do Guard na maioria das chamadas desse tipo, ao invés de fazer a leitura do Edge como estava acostumado desde os tempos de Auburn, Cam Newton lê um defensor alinhado no interior da linha defensiva, ou seja, pode ser um Nose Tackle, Defensive Tackle ou Defensive End em 3-4. Fazendo a leitura de um gigante atleta do interior da linha, Cam abre novas possibilidades para o ataque.

O leque de opções ao deixar um defensor do interior da linha defensiva desbloqueado para que se possa bloqueá-lo a partir da dúvida sobre quem fica com a bola é imenso. Se na NFL os times leem o “Edge” via de regra, ser capaz de ler para bloquear um Defensive Tackle ou Nose Tackle, por exemplo, faz com que o ataque tenha ainda mais controle sobre a jogada e fica muito mais difícil para as defesas se prepararem contra as muitas possibilidades dessas “Read Options” que podem mudar completamente a cada snap.

No vídeo, um lance muito semelhante ao que Cam fazia em Auburn. O Right Guard abre o caminho, o “Edge” é bloqueado graças ao “Read Option” – e depois pelo próprio RB – e Cam Newton usa todo seu talento e força para correr pelo meio das trincheiras, conquistando assim um bom número de jardas na jogada. A “inverted veer” foi vista várias e várias vezes nos jogos do Panthers na temporada que o time chegou ao Super Bowl.

A “inverted veer” utilizada por Cam Newton e seu treinador Gus Malzahn em Auburn é a mesma que aparece no playbook do Carolina Panthers de Ron Rivera – com algumas variações. O objetivo da jogada está no nome e é inverter a lógica, quebrar o padrão da “Read Option” tradicional. Infelizmente para a maioria dos times, nem todos têm Cam Newton ou alguém desse porte como seu QB pra executá-la.

 


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