Série Tática – A moderna Run/Pass Option chegou na NFL

24 de agosto de 2017
Tags: 32 por 32, tiago araruna,

O futebol americano e todas as suas variações táticas passam por constante evolução ou readaptação, como preferir. A cada temporada no High School, College e na NFL, os coordenadores ofensivos estão a todo vapor buscando maneiras de tornarem seus ataques mais eficientes através de novas ideias ou – mais comum – do reaproveitamento de ideias que deram certo no passado com uma nova cara.

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Nas “categorias de baixo” (High School e College), o objetivo não é formar um jogador para a NFL, mas sim conquistar títulos. Sendo assim, tentam ao máximo simplificar as leituras para o quarterback, fazendo com que ele possa tomar decisões mais fáceis, pensar menos e conseguir o maior número de jardas possíveis advindas desse processo. Como a NFL recebe os jogadores vindos justamente do High School e College, acaba tendo que se adaptar ao que eles fizeram por lá, principalmente se a posição é a de quarterback. Claro que não irão mudar, pelo menos em regra, todo o esquema ofensivo para se adequar a ele, mas certamente são feitas algumas concessões para que essa transição seja feita de uma forma menos traumatizante.

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A Run/Pass Option (RPO) é uma evolução natural da Read Option, onde o QB – em regra – lê o jogador da ponta (Edge) e decide se entrega a bola ao RB ou se fica com ela, assim a linha ofensiva não precisa sequer bloquear aquele defensor. Ele é bloqueado pela dúvida. Na Run/Pass option, as possibilidades vão além de corrida do RB ou corrida do QB, pois há também sempre uma ou mais alternativas de passe no lance. Isso mesmo, após o snap o QB vai ler normalmente um LB ou Defensive Back e decidir se a jogada será uma corrida ou passe. Possibilidades quase que infinitas e que deixam a defesa na dúvida, tentando adivinhar o que vem pela frente por puro palpite.

Como foi explicado, sempre vai haver um jogador que é a leitura do QB e dependendo do que ele faça após o snap, a jogada vai seguir por um caminho ou outro, corrida ou passe. Diferente da Read Option, a leitura não é o defensor da ponta da linha de scrimmage (o mais comum na Read Option), mas ainda assim continua sendo uma leitura apenas durante toda a jogada, o que facilita demais a vida do quarterback que não precisa desvendar uma defesa inteira, mas tão somente um jogador. Se o defensor que é a leitura naquela jogada abandona sua zona de cobertura, o QB lança a bola lá onde ele deveria estar. Se ele fica na sua zona de cobertura, a chamada será uma corrida do RB ou do próprio quarterback.

Em jogadas de passe é fácil pereceber a Run/Pass Option. A linha ofensiva bloqueia sempre como se fosse uma jogada terrestre, seja passe ou corrida o que aconteça no lance. Ou seja, sempre bloqueiam pra frente e não recuando como acontece na proteção do QB em jogadas de passe. Assim, quando a linha bloqueia para a corrida, há o “fake” onde o quarterback finge entregar a bola para o RB e acontece um passe na sequência, estamos diante de uma Run/Pass Option. É como se fosse uma “triple option” em Spread Offense, abrindo o campo como os tempos modernos exigem.

Parece uma “play action” comum, mas nesse vídeo especificamente foi uma Run/Pass option moderna e que está chegando com tudo na NFL. Perceba que a linha ofensiva bloqueia para frente e lateralmente em Zona como se fosse uma corrida porque, na verdade, de fato poderia ter sido. Como o nome da jogada diz, pode ser tanto passe quanto corrida. A diferença pro “play action” é que nele a corrida é só uma ameaça, uma tentativa de enganar a defesa para o passe. Na Run/Pass Option o legal é que o quarterback pode escolher se passa ou entrega para a corrida durante a jogada. O que define é a leitura do defensor chave, que no lance acima foi o CB em azul.

Nessa partida, o Rams jogou muito duro contra o jogo terrestre, muitas vezes usando seus CBs e Safeties para auxiliar o front seven nessa tarefa. Com a chamada de Run/Pass option, Matt Ryan pôde se antecipar ao CB destacado em azul. Caso ele ficasse na cobertura, a bola iria para o RB Devonta Freeman, caso ele se adiantasse para defender contra o jogo terrestre, aconteceria o passe na rota “post” como de fato aconteceu. O fato do Rams ter 7 homens no box (área amarela) e outro praticamente nele também contribuiu com a decisão do QB do Falcons. Shanahan é um coordenador que se baseia demais no número de defensores no box para definir com certa segurança o que deve ser feito.

Existem pelo menos 8 zonas de cobertura para a defesa cobrir e – normalmente – até 8 Gaps na região da linha ofensiva. Todos sabemos que o coordenador defensivo tem, para isso, 11 jogadores em campo. É aí que a Run/Pass Option ataca. Para que a defesa tenha um plano sólido a cada jogada, determinados jogadores terão uma dupla função – cobrir o passe ou ajudar contra a corrida. Esses serão o alvo da leitura do QB que vai determinar se vem passe ou corrida no lance.

Observe na imagem acima o linebacker com a marcação “leitura” nele. É o defensor chave da jogada, responsável por determinar qual será o caminho que o ataque vai seguir. Se ele avançar para fechar o Gap B por onde o RB está designado para correr, a bola será lançada para o recebedor no slot pelo lado direito que corre uma rota “hitch”. Caso o LB fique recuado e tire a opção de lançamento para esse recebedor, a jogada será terrestre com a bola sendo entregue ao RB. A rota vertical na ponta direita serve para atrair a atenção do SS e tirá-lo do combate ao jogo terrestre caso venha ser essa a opção do quarterback.

O aspecto negativo da Run/Pass Option recai no fator simplificação. Fica muito fácil para o quarterback ler a defesa quando na verdade ele está lendo apenas um defensor. Para aquele jogador que está chegando na NFL, ter muitas jogadas desse tipo no playbook pode prejudicar o seu desenvolvimento como um “pocket passer” que é a melhor maneira de vencer na liga profissional.

Não podemos imaginar que a Run/Pass Option será a base de um ataque da NFL, mas certamente ela está sendo cada vez mais incorporada pelos seus times e parece que veio para ficar como mais uma alternativa nos playbooks ofensivos. O grande segredo é identificar o defensor sobrecarregado e fazer a leitura dele na jogada. Times como o Panthers, Chiefs, Falcons, Browns e Bengals já adotaram uma boa dose de jogadas RPO que chega muito forte no High School, College e futebol americano profissional. Com uma infinidade de possibilidades e não exigindo muito do cérebro do quarterback, por que não ter umas boas páginas de Run/Pass Option no playbook?


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Tiago Araruna acompanha a NFL desde 2006 e é o idealizador do projeto Liga dos 32. Como Editor-Chefe do Portal, está à frente da coluna semanal 32 por 32, toda quinta no ar. Co-apresentador do Podcast Liga dos 32 que vai ao ar às quartas . No twitter: @tiagoararuna