sexta-feira, 9 de Março de 2018

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Sabemos que títulos são conquistados e dinastias são construídas fora da temporada regular. Afinal, a capacidade de juntar o maior número de talentos possível dentro de um time, além de combiná-los para que cada um renda da melhor forma possível durante a desgastante temporada regular representa a diferença entre se preparar para alguma partida em Janeiro (mês dos playoffs) ou uma certeza de outra intertemporada de questionamentos e que normalmente leva a uma demissão em massa dentro das equipes, a chamada reconstrução completa. Mais do que isso, o próprio Super Bowl 52 nos mostrou que o mundo é dos arrojados, aqueles que tomam decisões que a maioria tem receio de tomar e assumem riscos calculados na busca pela glória maior do esporte, e o mesmo pode ser transplantado quando o assunto é a citada montagem de um time.

Entra o Los Angeles Rams. Mudança de cidade, falta de afinidade com a torcida (mesmo o time atuando em Los Angeles no passado) e desempenho ruim em praticamente todas as temporadas enquanto locada no Missouri foram a toada do time na primeira temporada de volta a LA, até uma jovem figura assumir o comando técnico e representar o início de uma nova era: Sean McVay, o técnico mais novo da história da  fase moderna da NFL. Com um ataque avassalador e uma defesa oportunista, o Rams teve uma reviravolta incrível em apenas uma temporada e conquistou o título da NFC Oeste, outrora divisão mais física e competitiva da NFL e depois de muito tempo foi mandante de uma partida de playoff. A combinação irresistível do ataque comandado por McVay e da defesa por Wade Phillips foi uma das coisas mais legais de se acompanhar dentro da temporada, parecendo realmente um pai se reportando à seu filho durante as partidas, tamanha diferença de idade (70 anos de Phillips e 31 de McVay).

Contudo, outra situação que a NFL nos ensina é que times não podem se acomodar após uma boa temporada, mas sim se equiparem ainda mais para lidarem com todas as expectativas criadas para si, além do fato que, como campeões de divisão, a tabela de jogos fica consideravelmente mais difícil e viram uma espécie de alvo, no qual todos os times querem vencer, principalmente os rivais de divisão.

O Rams sabe disso, e a agressividade da equipe na remontagem da defesa até agora é a prova perfeita desta situação. A equipe já fez quatro trocas e elas tecnicamente ainda nem podem acontecer (o “ano-novo” da NFL começa dia 14 de Março): enviaram o DE Robert Quinn para o Miami Dolphins e recentemente o LB Alec Ogletree para o New York Giants além de que adquiriram o CB Marcus Peters e ontem o também CB Aqib Talib de Chiefs e Broncos, respectivamente.

Fato interessante é que a secundária (alvo dos dois principais reforços) não foi exatamente um show de horrores em 2017: foi a 11ª em jardas cedidas por tentativa de passe e a 7ª quando o assunto é rating do QB adversário, números muito bons se analisados em um contexto mais geral. O que torna as coisas  mais interessantes ainda é que foi a primeira temporada da unidade comandada por Wade Phillips, talvez o melhor coordenador defensivo de sua geração e um verdadeiro gênio quando o assunto é defesa. Mesmo com esta rápida mudança positiva, Phillips claramente não gostou de alguma coisa e já promoveu quatro mudanças (até agora).

Instantaneamente Los Angeles passa a ter a melhor dupla de Cornerbacks da NFC e quiçá da NFL (brigando com Jalen Ramsey e AJ Bouye do Jacksonvillle Jaguars). O Pro Football Focus, site especializado em dar notes e grades aos jogadores classificou ambos os atletas entre os vinte melhores de toda a NFL nesta posição, o que nos diz que o Rams está muito bem servido em sua secundária que não deverá contar com  o ótimo Trumaine Johnson, que ficará sem contrato e ao que tudo indica não retornará para o Rams em 2018.

A reunião de Talib com Phillips marcará o reencontro da dupla que passou diversos anos atuando em conjunto no Denver Broncos. Ainda deve estar fresco em sua memória o Super Bowl 50, em que a unidade de Phillips obliterou o ataque comandado pelo então MVP Cam Newton, que nada pode fazer frente ao soberbo desempenho defensivo da franquia do Colorado que até anotou um TD defensivo, na recuperação de fumble do DT Malik Jackson. A troca só demonstra o quão influente é o coordenador defensivo, que em sua autobiografia lançada no ano passado destacou seu gosto por jogadores com habilidades específicas, isto é, atletas físicos, na hora de montar sua defesa. Fato intrigante é que o calendário reserva ao Rams um encontro com a AFC Oeste em 2018, ou seja, Talib enfrentará o Broncos e Marcus Peters reencontrará o Chiefs dentro da próxima temporada.

Claro, há uma certa dose de perigo dentro deste plano de montagem da secundária. Peters e principalmente Talib são conhecidos pelo temperamento mais esquentado (dentro e fora de campo) e colecionam confusões ao longo de suas respectivas carreiras. Talib inclusive, foi suspenso pela NFL por uma partida em 2017 após brigar com o WR Michael Crabtree, do Oakland Raiders. Peters, por sua vez, foi advertido por simplesmente pegar uma flanela dos juízes e atirar na arquibancada, irritado pela marcação de uma falta contra o Chiefs. Phillips com certeza calculou todos os riscos e confia que pode remanejar a dupla e contar seus egos inflamados, tudo pelo bem da equipe.

As movimentações buscam capitalizar a ótima campanha de 2017 enquanto a equipe ainda tem um bom espaço no teto salarial, afinal figuras importantes com o QB Jared Goff e o RB Todd Gurley ainda estão em seus contratos de calouros e representam uma pechincha pelo desempenho entregue, principalmente Gurley, que muitos diziam ser merecedor do prêmio de MVP após anotar 19 TDs totais e compilar mais de 2000 jardas de scrimmage na última temporada (entre áreas e terrestres).

Se por um lado o time fica muito mais forte, por outro há de observarmos como duas figuras tidas como difíceis de lidar se comportarão atuando juntos e mais, como que lidarão com alguma possível adversidade enquanto companheiros. Talib nunca deixou de ser polêmico em sua estadia no Colorado mas entregava um ótimo desempenho dentro de campo no esquema defensivo de Phillips, que representava o ápice das habilidades do veterano: possibilitava uma marcação física individual alinhando de forma agressiva, isto é, podendo pressionar o recebedor adversário nas cinco jardas iniciais (o que é permitido) além de atrapalhar sua rota, o que também está dentro do livro de regras dentro deste espaço do campo.

O Rams já era um dos times mais legais de se acompanhar por conta do ataque explosivo, que saiu da pior para a melhor marca de pontos por partida em apenas uma temporada, sendo o primeiro time da era Super Bowl a fazer isso (saltaram de 14 para 29.9 pontos por jogo sob o comando de Sean McVay). Agora, ao que tudo indica, o time tem tudo para ter uma defesa física e imponente no que diz respeito à seus Cornerbacks, o que de certa forma pode elevar o time, juntamente com o atual campeão Philadelphia Eagles, a ser indicado como um dos favoritos para conquistar a NFC e representar a conferência no próximo Super Bowl, em fevereiro de 2019.

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