Raio X dos Playoffs – Wild Card: Jogos do sábado

5 de janeiro de 2017
Tags: igor seidl, lions, raiders, seahawks, texans,

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Nosso podcast começa com um “are you ready for some football” mas por aqui a questão é: estão prontos para alguns números? Pois vamos à um raio-X dos jogos do sábado dos playoffs, rodada de wild card.

Nesta matéria serão utilizados dados da profootball focus e de outros 2 sistemas numéricos de avaliação distintos: NEPs (net expected points, ou pontos líquidos esperados) da numberfire, e o DVOA da football outsiders. Os dados serão complementados pelas estatísticas usuais da pro football reference.

Mãos à obra!

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Oakland Raiders (AFC, seed 5) em  Houston Texans (AFC, seed 4)

A rodada começa no sábado de tarde com o que poderia muito bem ser uma partida de abertura para as demais. Infelizmente para o Raiders, que depois de mais de 10 anos voltará a jogar nos playoffs, o dia promete ser de decepção, independentemente do resultado. Após uma campanha brilhante sob o comando de Derek Carr, a tradicional franquia parecia estar velejando em bons ventos e pronta para tomar os playoffs em assalto, até que seu capitão fosse abatido e afastado da popa na semana 16. Apesar de boas peças na defesa, sem sua principal estrela a equipe deve ter grandes problemas contra a fortíssima defesa do Texans.

Ou talvez não seja bem assim, pois por outro lado, não é difícil perceber o Texans é disparado a equipe mais fraca dos playoffs desse ano, não consideradas lesões. Após desembolsar 72 milhões de dólares pelo segundo pior QB da liga no ano em termos de passer rating (parabéns Fritztragic, após toda a novela da renovação você conseguiu esse título!), a equipe finalmente resolveu colocar no banco todo o seu prejuízo, apenas para ver Tom Savage, o seu substituto, se machucar na semana 17 e trazer de volta toda a (falta) de excelência de Brock Osweiler.

A tabela abaixo será referenciada várias vezes ao longo dessa matéria e apresenta o quadro de dados da Football Outsiders filtrado para exibir apenas as equipes dos Playoffs – mesmo aquelas que estão em bye nessa semana.

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Explicando sucintamente as colunas temos:

DVOA (defense-adjusted value over avarage, ou valor ajustado pela defesa sobre a média) – basicamente é uma avaliação feita pela comparação, lance a lance, do sucesso do resultado obtido na jogada em relação ao esperado na média na mesma situação, ponderando-se fatores como a força do oponente e se o jogo é dentro ou fora de casa. Como a sua perspectiva é do lado do ataque, quanto maior o número no ataque melhor e o quanto menor na defesa, também. Assim, na tabela acima temos o melhor ataque pelo DVOA é do Falcons, e a melhor defesa desse playoffs é a do Giants. Há valores separados por unidade (ataque, defesa e times especiais) e o valor geral.

DVOA ajustado – o DVOA simples considera toda a temporada com peso igual, já o DVOA ajustado dá maior ênfase aos últimos resultados, desconsiderando os casos em que as equipes descansaram os titulares na semana 17 (como o Steelers fez, por exemplo).

Assim, constata-se que de fato o ataque do Texans foi lamentável a temporada toda (-21,4%), tendo melhorado sem o Brock Osweiler (-17,7% no ajustado). A terceira melhor defesa dos playoffs é o que sustenta o time que terá a felicidade de enfrentar um Raiders também com QB reserva. Já o Raiders tem uma defesa com desempenho abaixo do esperado pelo talento do seus jogadores, com DVOA de apenas  +4,9%, o que é ruim. Aliás, é a terceira pior defesa dos playoffs por esse critério, só vencendo a do Lions e a do Falcons.

No final, essa partida será sobre qual defesa conseguirá atrapalhar mais o desempenho do questionável QB adversário e sobre qual QB irá atrapalhar menos a própria equipe. A comparação dos ataques e defesas das equipes utilizando a pontuação da PFF ajuda a colocar mais luz nos embates:

Defesa do Raiders (acima), Ataque do Texans (abaixo)
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Defesa do Texans (acima), ataque do Raiders (abaixo)

A defesa do Raiders tem uma oportunidade de ouro para explorar no confronto do monstruoso Khalil Mack contra Chris Clark, que teve uma queda considerável de rendimento esse ano, já que terminou 2015 com 68,8 o que se não chega a ser bom, pelo menos não era trágico como agora. Talvez a grande chance da equipe esteja justamente nisso, pois seus CBs tendem a levar vantagem contra o fraco corpo de recebedores dos Texans e com um pass rush funcionando o trabalho da secundária fica enormemente facilitado, possibilitando mais oportundiades para turn overs que podem acabar decidindo o jogo. Some-se isso à inclinação de Osweiler em soltar interceptações e o Raiders ainda podem surpreender nesse confronto. Vale lembrar que o Raiders é a equipe com o maior diferencial de turnovers (16) na liga, muito embora boa parte disso deva-se à segurança fornecida por Derek Carr e não se espera uma partida livre de erros de Connor Cook, seu substituto. A principal fraqueza da defesa do Raiders no ano foram as big plays, mas Osweiler se tornou mais conhecido por transformar oportunidades de big plays em interceptações do que por concretiza-las, o que explica o saldo de negativo de -7 turnovers e -2 big plays do Texans.

Pela avaliação da PFF  outro lado da bola também não parece tão promissor assim para o Texans. A equipe do Raiders tem uma linha ofensiva muito superior à do Texans e espera-se que seja mais capaz de proteger seu QB. Seus WRs também são melhores. Considerando-se que a diferença na avaliação de Cook e Osweiler é mínima, concluí-se que boa parte da avaliação favorável ao Texans está mais vinculada à um suposto melhor desempenho comparativo de Osweiler em relação à incógnita que será Connor Cook.

Se Connor Cook não for absolutamente trágico, é perigoso surpreender muita gente – só que os números não estão à seu favor. Cook teve poucos snaps, mas em 23 tentativas contra os Broncos conseguiu -10,12 NEP, que é uma pontuação baseada no quanto cada jogada contribui para alterar a pontuação média esperada para a equipe naquela campanha. A diferença entre esse valor médio de pontuação esperada antes e depois da jogada é o valor NEP, que se somam a cada lance. De certa forma  é parecido com o DVOA, com valores bem positivos sendo bons para o ataque e bem negativos para as defesas e ajuda a ilustrar que no pouco trabalho que teve, Cook não foi exatamente animador.

Essa partida será também uma oportunidade única para que os técnicos e coordenadores de ambas as equipes demonstrem suas respectivas capacidades de jogar com suas forças e esconder suas fraquezas, pois ambas são proeminentes e conhecidas. Bill O´Brien que para muitos já está com a cadeira quente pela desastrada escolha de QB, pode ajudar sua situação ou se complicar de fez nessa partida, já Jack Del Rio pode acrescentar ainda mais capital político e popular à sua crescente figura na liga.

Pontos para se atentar: atuação de Kalil Mack e como os técnicos lidarão com seus QBs.

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Detroit Lions (NFC, seed 6) em Seattle Seahawks (NFC, seed 3)

O confronto da pior defesa dos playoffs contra a segunda melhora será um duelo de contrastes. Infelizmente para o Lions, a maior fraqueza do Seahawks é justamente sua medonha linha ofensiva, que é tão capaz de proteger Russel Wilson quanto um conjunto de cones estáticos – pois haveria controvérsias caso a comparação fosse com os modernos cones móveis utilizados em treinos. Infelizmente porquê o pass rush do Lions é disparado o pior da liga, parecendo-se mais com um manso e preguiçoso gatinho do que com o do animal que dá nome à franquia. Nenhuma defesa da liga reduziu tão pouco o NEP dos adversários quanto a do Lions, com míseros -37,21 – todos os outros times ficaram acima de -40, até mesmo o Browns.

As avaliações da PFF ajudarão novamente à ilustrar o confronto:

Defesa do Lions (acima), ataque do Seahawks (abaixo)
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Defesa do Seahawks (acima), ataque do Lions (abaixo)

Para ficar no tema de DL contra OL, os grandes culpados pela ineficácia no pass rush do Lions são Ezekiel Ansah e Haloti Ngata, que com suas quedas no desempenho (tiveram avaliação de 81,3 e 78,8 respectivamente no ano passado) estão longe de fazer jus aos seus atuais contratos e são as grandes decepções de um time que, no geral, jogou muito acima do esperado durante toda a temporada. Mas a fragilidade da defesa do Lions não para aí, e o confronto grifado de Doug Baldwin contra o slot receiver, safety ou ILB se mostra amplamente favorável ao Seahawks, assim como o de Jimmy Graham. Dessa maneira, é possível que o Seahawks optem por um ataque pelo meio para melhor aproveitar suas forças no ataque e as fraquezas do Lions. Se Russel Wilson tiver amplo tempo e espaço no pocket, os torcedores do Lions podem se preparar para o pior. Resta o “consolo” de que com todo o barulho esperado no CenturyLink Field ninguém ouvirá seus lamentos.

Agora, se o pass rush do Lions resolver finalmente aparecer e complicar um pouco as coisas para o ataque do Seahawks a partida pode se tornar bem interessante. Muito embora o ataque do Lions não seja nenhuma super-potência o fato é que Matthew Stafford tem encontrado formas de distribuir a bola para seus recebedores, mesmo em difíceis ou situações improváveis. Entra em cena outro confronto decisivo, que será do interior da linha ofensiva contra o exército de um homem só de Michael Bennett, que é capaz de alinhar em praticamente qualquer ponto e conhece diversas maneiras de trazer dor e sofrimento às OLs e QBs adversários.

Considerando-se que ambas as equipes foram na melhor das hipóteses medíocres em termos de jogo corrido, com o Lions sendo a 30ª equipe e o Seahawks a 25ª, é esperado que esse aspecto do jogo tenha pouca influência no resultado da partida. Só não é possível cravar isso pois o Seahawks é a equipe nos playoffs com maior variância em relação ao seu DVOA de partida a partida com a 29ª posição (o Lions aparece bem acima na 12ª) e imaginem qual foi o fator que manteve maior correlação com essa alteração no DVOA do Seahawks?

Pontos para se atentar: como o ataque do Seahawks vai lidar com o pass rush e se irão explorar o meio do campo e se a OL e WRs do Lions darão à Matthew Stafford uma chance de conduzir o time à uma improvável vitória.


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Igor Seidl conheceu a NFL com o SB XXVII, mas só voltou a assistir seriamente a partir de 2008. Desde então, busca aprender mais sobre o esporte. É editor da Liga dos 32, produz uma matéria semanal e faz revisões. No twitter: @igorseidl