Quem venceu a troca de Jay Ajayi?

2 de novembro de 2017
Tags: carlos massari, dolphins, eagles, matérias,

Ao contrário das outras ligas grandes americanas, não é comum ver grandes estrelas sendo trocadas no meio da temporada na NFL. Por isso, quando um running back que vem de um grande ano como Jay Ajayi muda de casa no final de outubro, questões são levantadas – ainda mais pelo fato da compensação (escolha de quarta rodada no draft) ter sido tão baixa.

Na coluna de respostas dessa quinta-feira, vamos tentar entender quem se saiu melhor na troca de Jay Ajayi, o Miami Dolphins ou o Philadelphia Eagles. A questão foi enviada por Bruno Issa (@issajr18). Se você quiser a sua dúvida sendo analisada aqui na próxima semana, é só mandá-la no Twitter para @massaricarlos.

Em 2016, Ajayi chegou ao Pro Bowl com uma excelente temporada: 1272 jardas em 261 carregadas, suficientes para uma média de 4,9 (sétima melhor da NFL) e oito touchdowns. Ele sofreu quatro fumbles, número elevado e que prejudicou a sua equipe, mas foi mortal enquanto esteve saudável. Segundo o ProFootball Focus, sua performance foi ainda superior e o colocou como segundo melhor running back do ano, atrás apenas de David Johnson. E ainda só ficou atrás do atleta do Arizona Cardinals pela sua falta de contribuição no jogo aéreo.

O então jogador do Miami Dolphins liderou a liga com folga com 58 tackles quebrados e teve 3,5 jardas após o contato por tentativa. Esses dois números mostram que ele não recebia muita ajuda de sua linha ofensiva, fazendo muita coisa por suas próprias pernas e talento.

Muita coisa mudou na nova temporada. Após sofrer com lesões na off-season, Ajayi caiu de produção. É só o quadragésimo terceiro colocado em jardas por tentativa, com 3,4, menos do que conseguia após o contato em 2016. Também ainda não anotou nenhum touchdown. Apesar disso, esses números não são culpa do running back, como nos mostra mais uma vez o Pro-Football Focus, que o coloca como o sexto melhor da posição da temporada.

As questões centrais da queda de rendimento de Ajayi são que a linha ofensiva, que já tinha problemas para abrir espaços para ele, tem sido ainda pior. E com a lesão de Ryan Tannehill, não existe um quarterback viável em Miami, dada a ineficiência de Jay Cutler após a sua volta da aposentadoria e a performance tenebrosa de Matt Moore quando recebeu uma chance. Assim, é possível para os adversários lotarem o box para impedirem qualquer oportunidade de espaço para correr, já que não há respeito pelo jogo aéreo.

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Provavelmente não totalmente recuperado de suas lesões, Mike Pouncey tem jogado muito mal. Laremy Tunsil ainda não se encontrou como left tackle. Todos já sabíamos que Jermon Bushrod é péssimo. Anthony Steen também vinha em um ano decepcionante, mas agora se lesionou e foi substituído pelo journeyman Jesse Davis. É possível que, no atual momento, o Dolphins tenha a pior linha ofensiva da NFL.

Era uma situação na qual Jay Ajayi só poderia ter sucesso se fosse milagreiro. E mesmo não indo tão mal como deveria, ele acabou trocado por uma escolha de quarta rodada, baixíssima para um atleta desse talento. Como isso aconteceu? Vale lembrar que o jogador ainda não será um free agent ao fim de 2017.

O ponto é que Adam Gase estava insatisfeito com a falta de comprometimento de Ajayi. Ele se recusava em ajudar nos bloqueios para o jogo aéreo e tinha sérias dificuldades em entender conceitos como neutralizar blitz. Isso tornava a vida dos quarterbacks do Dolphins ainda mais difícil. E o head coach decidiu que era hora de seguir em frente.

Com Kenyan Drake, selecionado na terceira rodada do draft de 2016, e Damien Williams, undrafted free agent em 2014, Gase terá à sua disposição dois running backs que são bem menos talentosos que Ajayi, mas se comprometerão a fazer o ataque funcionar melhor como a engrenagem que uma unidade ofensiva é. Talvez eles façam com que a pressão sobre Cutler/Moore/quem quer que seja o quarterback diminua. Talvez isso faça o jogo aéreo funcionar melhor e abra mais espaço para que eles possam correr.

Ainda assim, é impossível entender a compensação. Para se ter uma ideia, o Madden não permite que se ofereça uma escolha de quarta rodada por Jay Ajayi, dizendo que certamente será recusada. É inexplicável que um jogador desse talento e que tem mais tempo de controle em seu contrato seja trocado por um valor tão baixo.

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Se para o Miami Dolphins a troca é uma esperança de que jogadores mais comprometidos sejam melhores para a engrenagem, para o Philadelphia Eagles é um grande achado. O time não cedeu praticamente nada para ter um novo running back cujo estilo casa perfeitamente com o de LeGarrette Blount, que vem em excelente temporada, podendo tornar um ataque que já vem sendo mortal em algo ainda mais especial.

Atrás de uma linha ofensiva bem superior, é certo que Ajayi terá espaço para encontrar o espaço aberto, onde ele se torna realmente especial com sua capacidade de quebrar tackles e fazer dribles. Deve subir de produção e ser o mesmo running back de 2016 – ou ainda melhor.

É até possível entender porque o Miami Dolphins decidiu trocar Jay Ajayi, o problema é que a compensação foi bizarra. O Philadelphia Eagles adquiriu um grande talento por um preço muito baixo e claramente venceu essa troca.

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Carlos Massari é o setorista da AFC LESTE. Analisa Patriots, Jets, Bills e Dolphins às quartas e sextas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @massaricarlos