quinta-feira, 25 de Janeiro de 2018

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O fim da temporada regular sempre traz uma overdose de demissões de técnicos na NFL. Em 2017, foram sete os head coaches que perderam seus cargos – Ben McAdoo foi embora ainda antes da conclusão das dezessete rodadas, enquanto Jack del Rio, John Fox, Chuck Pagano e Jim Caldwell tiveram suas cabeças cortadas na Black Monday, Bruce Arians anunciou sua aposentadoria e Mike Mularkey perdeu o emprego após a eliminação de seu time nos playoffs (algo bem mais raro de acontecer).

Menos de um mês após todos esses times decidirem pela troca de head coach, já sabemos quem serão os substitutos. Ainda faltam os anúncios oficiais das contratações de Josh McDaniels e Matt Patricia por Indianapolis Colts e Detroit Lions, respectivamente, porque o New England Patriots ainda está vivo na temporada, mas é apenas uma questão de tempo para que eles aconteçam. Os outros cinco nomes – Jon Gruden, Matt Nagy, Steve Wilks, Pat Shurmur e Mike Vrabel – já estão começando seus novos trabalhos.

Quem são esses novos head coaches e o que eles trazem às suas equipes? Esse é o tema a ser discutido nessa coluna de hoje. Se você quiser sua pergunta dissecada aqui na próxima quinta-feira, envie-a no Twitter para @massaricarlos!

New York Giants

Antigo head coach: Ben McAdoo (demitido)
Novo head coach: Pat Shurmur (ex-coordenador ofensivo do Minnesota Vikings)

Quem esperava a grande virada que a carreira de Case Keenum sofreu em 2017? Se você erguer a mão, provavelmente está mentindo. Claro que a responsabilidade por essa evolução não é de um homem só, mas grande parcela dela cabe a Pat Shurmur.

Considerado uma mente ofensiva brilhante, Shurmur sempre esteve à frente não só de bons ataques, mas do desenvolvimento de quarterbacks. Foi coordenador ofensivo do St. Louis Rams em 2009 e 2010, pegando um então calouro Sam Bradford. Sob a tutela do novo head coach do Giants, o jovem vindo de Oklahoma quebrou diversos recordes estatísticos de atletas primeiro-anistas.

Essa performance rendeu a ele sua primeira experiência como head coach. Infelizmente, era o Cleveland Browns que o contratava. Após nove vitórias e vinte e três derrotas em dois anos, perdeu o emprego. Vejam bem, até que são bons números quando se considera o time.

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Shurmur então foi coordenador ofensivo do Philadelphia Eagles, servindo sob a batuta de Chip Kelly. Aprendeu novos elementos ofensivos e foi para Minnesota, onde seu excelente trabalho com Case Keenum e outros atletas que não tinham tanto prestígio colocou novamente seu nome no radar. O New York Giants não perdeu tempo em dar mais uma vez uma chance a ele como head coach.

O principal elemento do trabalho de Pat Shurmur é o trabalho com quarterbacks. Até mesmo Colt McCoy pareceu funcional sob seu comando. Eli Manning deve aproveitar bem a presença de um técnico tão bom em lidar com signal callers, mas o maior beneficiário deve ser o sucessor do camisa 10, seja lá quem ele venha a ser. Como é uma mente ofensiva, o novo head coach precisa de um coordenador defensivo de qualidade para que os dois lados da bola funcionem de forma eficaz. A contratação de James Bettcher, que fez ótimo trabalho no Arizona Cardinals nos últimos anos, foi uma ótima decisão para assegurar que isso aconteça.

Oakland Raiders

Antigo head coach: Jack del Rio (demitido)
Novo head coach: Jon Gruden (ex-comentarista da ESPN)

Não se engane: uma vez que Jon Gruden aceitou deixar seu confortável posto nas cabines da ESPN para voltar à beira dos gramados, o destino de Jack del Rio estava selado. E estaria fosse a campanha do Raiders em 2017 0-16, fosse a equipe vitoriosa no Super Bowl LII.

Gruden é o sonho mais antigo do dono do Oakland Raiders, Mark Davis. Talvez de forma sebastianista, talvez pelo remorso pela péssima decisão de seu pai, Al, de mandar o então head coach da franquia para Tampa Bay em troca de um caminhão de escolhas no draft depois do final da temporada de 2001 e do fatídico Tuck Rule Game.

Assim como Pat Shurmur, Gruden é uma mente ofensiva, um encantador de quarterbacks e um grande estudioso do jogo – diz-se que, mesmo durante seus anos de ESPN, acorda três e meia da manhã todos os dias para estudar diversos vídeos. Depois da troca feita por Al Davis, venceu o próprio Raiders no Super Bowl XXXVII.

Muitos dizem que isso foi mais mérito de Tony Dungy, seu antecessor no Buccaneers, do que dele próprio, mas é uma afirmação errônea: não havia consistência ofensiva na equipe antes da chegada de Gruden, e só ele foi capaz de aliar o imenso talento defensivo que existia naquele elenco com finalmente uma boa produção do ataque, levando assim o Lombardi para a Florida.

Desde que se tornou dono do Raiders com a morte de seu pai, Mark Davis tentava todos os anos fazer com que Gruden voltasse a ser head coach. Dessa vez, uma oferta absurda de 10 anos, 100 milhões de dólares convenceu o ex-comentarista da ESPN. A paixão pelo seu time de infância – que mudará de cidade em breve – também colaborou.

Gruden leva muito prestígio para Oakland, tendo tirado bons nomes de outras franquias para fazerem parte de sua equipe em movimentos laterais (para ocupar o mesmo cargo), algo raro. Deve fazer um bem danado a Derek Carr, Amari Cooper e outros membros desse tão talentoso ataque. Questiona-se os dez anos que ficou longe da função, mas durante seu tempo de ESPN, teve acesso a muitos treinos dos mais diversos times, ou seja, certamente está bem atualizado sobre tudo que acontece na liga.

Chicago Bears

Antigo head coach: John Fox (demitido)
Novo head coach: Matt Nagy (ex-coordenador ofensivo do Kansas City Chiefs)

Em comum com Shurmur e Gruden, o background ofensivo. Ao contrário dos dois, a inexperiência na função: Matt Nagy é um jovem de 39 anos que recebe sua primeira oportunidade como head coach. A ideia é a mesma: a habilidade de desenvolver quarterbacks e a possibilidade de utilizar um certo talento desse lado da bola para construir um time que tem grande potencial.

Nagy serviu por duas temporadas como coordenador ofensivo do Kansas City Chiefs. É um discípulo de Andy Reid, o que costuma funcionar bem na NFL. Fez um ótimo trabalho no momento que passou a ser o responsável pelas chamadas da equipe em 2017, apesar de ter sido bastante controversa a sua participação no jogo da rodada de wild card contra o Tennessee Titans.

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Como é bastante jovem para padrões de head coach, Nagy não tem muita rodagem pela NFL. Seu trabalho com Alex Smith e Pat Mahomes, porém, chamou bastante a atenção e fez com que o Chicago Bears puxasse o gatilho de sua contratação. Desenvolver bem Mitch Trubisky é fundamental para o sucesso da franquia nos anos vindouros.

A estadia do ex-Chiefs como técnico principal em Chicago começou bem: ele conseguiu manter o coordenador defensivo Vic Fangio, um grande nome, com o Bears. Com a estabilidade de uma unidade que foi a melhor coisa do time em 2017, ele terá que se preocupar somente com a melhoria geral ofensiva. Se fizer um trabalho tão bom como Trubisky como conseguiu com Smith e Mahomes, a tendência é que sua contratação se mostre como um acerto.

Arizona Cardinals

Antigo head coach: Bruce Arians (aposentado)
Novo head coach: Steve Wilks (ex-coordenador defensivo do Carolina Panthers)

Com 48 anos de idade, Steve Wilks tem muita experiência como treinador de futebol americano. Porém, tirando uma curta passagem em 1999 na pequena universidade de Savannah State, ele nunca foi head coach. Na NFL, passou muitas temporadas como técnico de defensive backs até ser promovido a coordenador defensivo do Carolina Panthers (franquia na qual estava desde 2012) em 2017.

Em sua primeira temporada como coordenador defensivo de Carolina, Wilks viu a unidade melhorar em todos os aspectos: foi de vigésimo primeiro para sétimo no ranking de defesa total, ficou em terceiro lugar em sacks (50) e também terceiro lugar contra o jogo terrestre (88,1 jardas por jogo). Esse excepcional trabalho fez com que seu nome fosse considerado para o trabalho em muitos lugares – foi também visto como finalista para o cargo no New York Giants.

A ideia é que Wilks continue fazendo com que a defesa de Arizona seja muito sólida. É visto como alguém que lida muito bem com jogadores, cuidando bem do ambiente do vestiário e deixando todos preparados para entrar em campo. Ele recebe uma situação ofensiva complicada após a aposentadoria de Carson Palmer e a indecisão sobre o futuro de Larry Fitzgerald.

Ainda não se sabe quem será o coordenador ofensivo de Arizona – os rumores dizem que Mike McCoy é o favorito para a função. A expectativa é de ver um Cardinals muito mais produtivo na defesa que no ataque em 2018, talvez desenvolvendo um jovem quarterback e passando por uma completa renovação nesse setor, o que pode fazer com que os primeiros anos de Wilks como head coach sejam complicados.

Tennessee Titans

Antigo head coach: Mike Mularkey (saída por “acordo mútuo”)
Novo head coach: Mike Vrabel (ex-coordenador defensivo do Houston Texans)

Existem algumas similaridades entre Vrabel e Wilks: os dois são mentes defensivas que recebem suas primeiras oportunidades como head coach, ambos são considerados excepcionais líderes, capazes de manter vestiários unidos e jogadores motivados. Só que, ao contrário do novo técnico do Arizona Cardinals, a passagem do contratado do Tennessee Titans como coordenador defensivo não foi tão repleta de sucesso.

Após três anos como técnico de linebackers, Vrabel foi promovido a coordenador defensivo em 2017 para substituir Romeo Crennel (que continuou em Houston como assistente de head coach). A unidade sofreu uma queda brusca de melhor defesa da NFL em jardas por jogo em 2016 (301,3) para o vigésimo lugar na mesma categoria (346,6). É verdade que algumas lesões foram prejudiciais, mas a diferença é bem considerável.

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Ainda assim, o que se destaca em Vrabel é a capacidade de vestiário. Como um linebacker de muito sucesso na NFL, vencedor de três Super Bowls em New England e visto como o grande líder daquela defesa, é um nome que costuma ser amado pelos atletas e, por isso, pode extrair o melhor deles. Seu conhecimento e experiência dentro de campo ajudou sua carreira de técnico a evoluir muito rapidamente.

Com um time muito talentoso nas mãos, que mesmo comandado por um técnico fraco como Mike Mularkey alcançou os playoffs em 2017, Vrabel não terá um trabalho dos mais complicados. A grande questão é se ele conseguirá contratar um staff de qualidade – seus nomes preferidos para coordenadores, Ryan Day e James Bettcher, já recusaram as ofertas de Tennessee (o primeiro para ficar em Ohio State, o segundo para assumir a defesa do New York Giants, como já dissemos).

O tempo passa e a troca tardia de comando, devido à participação da equipe nos playoffs, pode custar caro – não existem muitos nomes de talento ainda disponíveis no mercado. Assim, é uma incógnita o efeito inicial que Vrabel terá com o Titans.

Indianapolis Colts

Antigo head coach: Chuck Pagano (demitido)
Novo head coach: Josh McDaniels (coordenador ofensivo do New England Patriots – ainda não oficial)

Devido à participação de New England no Super Bowl, ainda não é oficial a contratação de McDaniels pelo Colts, apesar de notícias darem tudo como acertado. Será a segunda aparição do atual coordenador ofensivo do Patriots como head coach – a primeira foi desastrosa.

Entre 2009 e 2010, McDaniels esteve à frente do Denver Broncos. Brigou com as principais estrelas da equipe e as trocou, foi mal durante jogos, draftou Tim Tebow na primeira rodada e nem sequer completou sua segunda temporada antes da demissão. A situação toda foi tão caótica que, mesmo sendo visto como uma mente ofensiva brilhante, levou oito anos para receber uma nova oportunidade como técnico principal.

Naquela época, Josh McDaniels era muito jovem – tinha 33 anos e já se via no comando de uma tradicional franquia. A esperança para Indianapolis é que ele tenha mudado, aprendido nos novos anos sob Bill Belichick e, principalmente, aprendido a lidar com estrelas. Sua recente briga com Tom Brady na sideline, porém, pode demonstrar o contrário.

A função dele em Indianapolis será permitir que Andrew Luck (caso seu ombro não atrapalhe mais) volte aos tempos de glória. McDaniels certamente tem o talento para desenhar um ataque muito potente e usar a capacidade de seu quarterback ao máximo, só que a passagem por Denver deixa uma nuvem negra sobre essa segunda oportunidade como head coach. Outro problema que deve aparecer é o mesmo de Tennessee – como uma contratação tardia, os nomes de staff mais talentosos e disputados já estão fora do mercado, o que deve complicar a vida do técnico para encontrar seus assistentes.

Detroit Lions

Antigo head coach: Jim Caldwell (demitido)
Novo head coach: Matt Patricia (coordenador defensivo do New England Patriots – ainda não oficial)

A situação é a mesma do Colts – todos sabem que já há um acordo com Matt Patricia, mas o anúncio só pode ser feito depois da participação do New England Patriots no Super Bowl. Não preciso dizer que também haverá problemas para encontrar um bom staff pela situação tardia da contratação, mas pelo menos Detroit continua tendo o excelente coordenador ofensivo Jim Bob Cooter à disposição.

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Matt Patricia é cria de Bill Belichick. Chegou sem nenhum prestígio a New England em 2004 e foi aos poucos, com muita dedicação e estudos, galgando posições até atingir o cargo de coordenador defensivo em 2012. Nos primeiros anos, dormia em um sofá dentro do centro de treinamento para poder analisar jogadas e vídeos quase o tempo todo. Em quase todas as offseasons recentes, foi um grande candidato a assumir alguma equipe como head coach.

A principal preocupação sobre Patricia é o quanto ele tem de autonomia na defesa ou o quanto é apenas uma marionete de Bill Belichick. Como alguém sem grande background como jogador ou técnico principal, também não se sabe como ele aparecerá no comando de vestiário. De qualquer forma, é um pupilo daquele que é possivelmente o maior técnico de todos os tempos e deve ter aprendido muita coisa positiva – não só por isso, mas também por seu caráter estudioso.

Ser uma mente defensiva e ter um coordenador ofensivo como Jim Bob Cooter auxilia bastante a situação de Patricia ao chegar em Detroit. Ele também encontrará um elenco talentoso, mas com buracos que precisam ser preenchidos para que a franquia possa desafiar Aaron Rodgers de um lado e o imenso poderio defensivo de Minnesota do outro na NFC North.

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