Quatro sugestões para melhorar a arbitragem da NFL

10 de maio de 2017
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Vamos ser bem claros: a arbitragem na NFL é patética, pra não dizer coisa pior. Esse não é um problema que surgiu nessa temporada, quem acompanha o futebol americano pelo menos desde o início da década viu uma queda brusca na qualidade dos árbitros da liga por diversos fatores: pouca reciclagem dos oficiais de jogo, mudanças constantes nas regras, rotatividade no plantel de árbitros da liga, maior velocidade das partidas, enfim, há uma série de elementos que combinam para o espetáculo horroroso que vemos atualmente. Nessa última rodada, a interferência absurda não marcada em cima do WR Julio Jones (ATL) no jogo contra o Seattle Seahawks e o elevado número de faltas no Monday Night Football entre Arizona Cardinals e New York Jets trouxe de volta ao palco a discussão sobre a questão de como melhorar a arbitragem da liga (e mesmo se não acontecesse nessa semana, ia acontecer nas próximas rodadas). Com isso, a coluna dessa semana vai trazer quatro sugestões para a NFL melhorar a qualidade da arbitragem dos seus jogos.

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1) Tornar a arbitragem profissional

Pode parecer bizarro, mas em pleno ano de 2016 a NFL não tem uma arbitragem totalmente profissional como na NBA ou MLB. Nesse aspecto a liga se assemelha bastante ao nosso Brasileirão: os árbitros apitam os jogos no domingo e trabalham com seus empregos durante a semana, o que é um absurdo em se tratando de uma liga do tamanho da NFL. Uma arbitragem profissional traz mais segurança durante os jogos, os árbitros são compelidos a ficarem atualizados e terem mais cuidado já que poderiam ser dispensados pela liga. A grande verdade é que esse é um vespeiro enorme: a liga já propôs de tornar seus árbitros profissionais, mas o sindicato que os representa não gosta de ideia porque muitos deles têm carreiras bem-sucedidas fora da arbitragem e perderiam dinheiro caso se tornassem árbitros profissionais. Uma das ideias mais sensatas vem de Mike Pereira, ex-diretor de arbitragem da NFL e atual comentarista da FOX, que propõe que só os árbitros principais se tornem profissionais. Por curiosidade, só um entre os 124 árbitros no elenco da liga é profissional: Carl Johnson, line judge da comissão de arbitragem de Pete Morelli e ex-diretor de arbitragem da NFL.

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2) Tornar TODAS as jogadas passível de desafio

Essa é uma ideia defendida por Bill Belichick, técnico do New England Patriots, há anos: acabar com as restrições de desafio por parte dos técnicos. Podem pegar as atas da Assembleia Geral da NFL, todo ano tem esse projeto que é de autoria do Patriots. Vocês vão dizer que isso vai deixar o jogo muito mais longo e que os times vão começar a abusar dessa regra pra esfriar o jogo, como aconteceu no vôlei durante as Olimpíadas. São pontos válidos, mas isso ainda seria uma situação melhor que a de hoje onde existem “áreas cinzentas” que não podem ser revistas (como faltas de interferência e arbitragem encerrando uma jogada antes dela de fato terminar) e criam uma insegurança muito maior para o jogo do que se tirassem as restrições de revisão de jogada. Outro ponto conexo a esse que também precisa ser revisto é o número de desafios que cada time pode ter: tem que ser três por jogo e ponto, aquela besteira de ganhar o terceiro desafio se acertar os dois primeiros mais parece prova do Programa do Sílvio Santos do que qualquer outra coisa.

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3) Centralizar o poder de decisão na revisão de jogadas

Em 2014 a NFL inaugurou o Art McNally GameDay Central na sua sede em Nova York. Essa central unificada auxilia os árbitros durante a revisão das jogadas, mas a decisão de mudar ou não ainda resta com árbitro do jogo. Isso criou uma situação bizarra que coloca pressão nos árbitros, ele fica o jogo inteiro que está sob observação de Nova York e invariavelmente sua capacidade de apitar a partida é afetada. Minha sugestão nesse caso é tornar a revisão como é na NHL ou na MLB: quando desafiada a jogada, é a central que determina o que vai acontecer para evitar do árbitro do jogo insistir no erro por conta daquilo que ele já considerou na jogada ao vivo. A questão é que essa sugestão tem um problema: só funcionaria de fato com uma arbitragem profissional porque criaria um sistema de pesos e contrapesos. Na arbitragem como ela é atualmente, pode piorar ainda mais a situação dos jogos já que os árbitros podem usar o sistema como muleta pra caso errem já que não sofreriam consequências financeiras.

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4) Criar uma liga de desenvolvimento

Desde 2008, a NFL tem um programa oficial de treinamento de árbitros chamado de Officiating Development Program (ODP). Nesse treinamento, a NFL recruta árbitros da NCAA que demonstram interesse em subir para o futebol americano profissional e eles são avaliados por vários anos até que possam entrar na liga. Mesmo com esses participantes do programa tendo vasta e comprovada experiência na NCAA, a subida para a NFL é vertiginosa para muitos em termos de velocidade de jogo e complexidade na execução das regras. Nos últimos três anos, a NFL subiu 26 novos árbitros vindouros desse programa de treinamento, o que significa uma mudança de quase 21% no elenco de árbitros desde 2013. Essa mudança tem dois lados: a primeira é boa porque traz uma renovação e a segunda é ruim porque é um número elevadíssimo de árbitros sem experiência na NFL entrando na liga ao mesmo tempo. Isso seria resolvido com a criação de uma liga de desenvolvimento, porque daria a esses árbitros um laboratório de como a NFL funciona antes de serem jogados para os leões na liga principal.

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Felipe Laurence é administrador do oQuarterback desde 2011 e colunista da Liga dos 32. Advogado de profissão, assiste NFL desde 2000 e tem como maior hobby a difusão do futebol americano pelo Brasil. No Twitter: @oQuarterback.