segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

Compartilhe

Os playoffs da temporada 2017-2018 da NFL começaram e já foram capazes de promover partidas mais interessantes do que o visto no ano passado. Ao contrário dos massacres, todos os jogos tiveram emoção, apesar do nível técnico deixar a desejar em alguns momentos, e três deles chegaram na última posse de bola ainda indefinidos. Com isso em mente, vamos analisar os maiores destaques dessa rodada de Wildcard, que curiosamente contou apenas com vitórias de times que habitam a divisão Sul de suas respectivas conferências.

O coração de Marcus Mariota

Os playoffs foram abertos pelo duelo entre Tennessee Titans e Kansas City Chiefs, que parecia muito bem encaminhado para o time comandado por Andy Reid, que liderava com folga no intervalo por 21 a 3, com grande atuação de Alex Smith. No entanto, tudo começou a mudar quando o TE Travis Kelce, que infernizava a defesa azul, sofreu uma concussão no final do segundo quarto e foi removido da partida.

Com os ajustes promovidos pelo lendário coordenador Dick LeBeau, o Titans conseguiu conter as investidas de Kansas City no segundo tempo. Além disso, foi auxiliado por um trabalho ruim de Matt Nagy, coordenador ofensivo do Chiefs, que tinha o campeão em jardas terrestres da temporada e o usou apenas 11 vezes durante todo o jogo.

A melhora no desempenho defensivo e a grande desvantagem no placar foram dois fatores que motivaram o ataque do Titans a adotar uma postura diferente. O sistema ofensivo normalmente posicionado com formações muito condensadas, focadas no jogo corrido, com rotas pouco criativas e ritmo lento foi substituído por uma unidade rápida para realizar suas jogadas, com maior imprevisibilidade, recebedores mais abertos e formações mais condizentes com os talentos do QB Marcus Mariota, que jogou seu melhor futebol americano após uma temporada muito abaixo do esperado.

Mariota fez de tudo para trazer Tennessee de volta para o jogo e contou com o desempenho espetacular de Derrick Henry para tal. A reação se iniciou em um inusitado lance no qual o QB fez um passe que foi desviado por Darelle Revis e voltou nas suas mãos. Marcus não hesitou e segurou a bola e a levou para a endzone para anotar o primeiro TD da equipe em um lançamento dele para ele mesmo. Depois de um field goal errado por Harrison Butker, K do Chiefs, Henry entrou em ação e marcou um touchdown em corrida de 35 jardas. Dessa forma, a desvantagem caiu para 5 pontos após uma falha na tentativa de conversão de dois pontos e o jogo ficou completamente aberto.

A defesa do Titans conseguiu mais uma parada e o ataque entrou em campo com a chance de virar o jogo. O time avançou aos poucos e depois de um erro feio de Mariota, que tinha Corey Davis livre para um touchdown, o QB encontrou Eric Decker na end zone para colocar Tennessee na frente do marcador. Novamente a defesa apareceu e colocou a bola nas mãos do sistema ofensivo para consolidar um triunfo histórico. Com o intuito de queimar o relógio, o Titans colocou a partida nas mãos de Henry e levou um susto, quando ele supostamente sofreu um fumble que foi retornado para TD, mas foi revertido por ele já estar no chão quando soltou a bola. A partida terminou quando o RB conseguiu uma corrida de 22 jardas para converter uma terceira para 10, graças a um bloqueio chave de Mariota, que abaixou os ombros para entrar em contato com Frank Zombo e abrir espaço necessário para o avanço.

Dessa maneira, o Titans saiu vitorioso por 22  a 21 em uma enorme demonstração de coração de Mariota, que fez de tudo para levar seu time a virada, atuando como QB, WR, RB e bloqueador. Além de seu desempenho, é preciso ressaltar a grande partida de Henry, que correu 23 vezes para 156 jardas e ainda recebeu 2 passes para 35, em uma atuação que deve ser o suficiente para que assuma de vez o papel de titular no backfield da equipe. Assim, Tennessee ruma para encarar o Patriots fora de casa e a expectativa é que o técnico Mike Mularkey, que estava sob risco de demissão se perdesse para o Chiefs, mantenha o ataque que funcionou no segundo tempo e use grandes doses de Henry para dar alguma chance ao seu time.

Deion Jones é um futuro astro?

Uma das partidas das quais mais se esperava na rodada acabou sendo a única definida por uma diferença superior a uma posse de bola. O Falcons viajou até Los Angeles e desbancou o potente ataque do Rams de Sean McVay por 26 a 13.

O ataque de Atlanta não foi explosivo, mas mostrou grande eficiência para dominar completamente o tempo de posse de bola e limitar as oportunidades do Rams atacar. Assim, contou com uma grande dose de Devonta Freeman e Tevin Coleman, que tocaram 36 vezes na bola no total. Já nos passes, Matt Ryan completou 21 de 30, com média de mais 7 jardas para cada um deles, tendo Julio Jones, que era dúvida antes do jogo, como grande alvo, como não poderia deixar de ser. Jones recebeu 9 passes para 94 jardas e o touchdown que matou o jogo.

Contudo, o grande destaque da partida foi o sistema defensivo do Falcons. Montada para ser uma unidade de muita velocidade, com linebackers rápidos e de boa habilidade na cobertura, ela conteve o ótimo ataque do Rams ao limitar o impacto de Todd Gurley. Gurley terminou a temporada como um dos principais candidatos ao prêmio de MVP ao anotar 19 TDs ao longo do ano e ultrapassar as 2000 jardas de scrimmage. No entanto, ele foi parado por Deion Jones no sábado. Selecionado na segunda rodada do Draft de 2016, Jones é o líder da defesa do Falcons e praticamente anulou Gurley como recebedor, que foi mirado 10 vezes por Jared Goff, mas conseguiu apenas 4 recepções para míseras 10 jardas e também foi parado na maior parte do tempo como corredor.

Com Gurley tendo impacto limitado, o jogo passou pelas mãos de Jared Goff, que teve partida razoável, mas não foi capaz de levar o Rams ao triunfo. Dessa forma, o Falcons avança e segue na esperança de espantar os fantasmas do último Super Bowl. Para isso, precisará que sua defesa mantenha este nível de atuação, o que seria facilitado se Jones repetisse um desempenho como este e comprove que está realmente se tornando uma estrela na liga.

Jaguars avança apesar de Blake Bortles

No pior jogo dos quatro até agora por larga margem, o Jaguars superou o Bills por 10 a 3 em um duelo no qual dois ataques terríveis que não tiveram chances contra duas defesas que estavam jogando em nível de playoffs.

Em um confronto defensivo, melhor para o time que tem a melhor unidade da NFL. Assim, o Jaguars conseguiu impedir que o Bills alcançasse sua end zone ao longo dos 60 minutos em mais uma grande exibição de Jalen Ramsey, Caleis Campbell e Telvin Smith. O trio comandou uma defesa que segurou os avanços terrestres de LeSean McCoy e ainda contou com uma interceptação em Nathan Peterman para matar o jogo após Tyrod Taylor sair do jogo no último drive com uma concussão.

Já o Bills se vendeu para impedir que Leonard Fournette corresse com efetividade e deixou a secundária desprotegida, apostando em um jogo ruim de Blake Bortles. A estratégia se provou correta, mas o que não se esperava é que Bortles conseguiria causar danos com as pernas. Foram diversas corridas improvisadas pelo QB que mantiveram drives do Jaguars vivos, o que o levou a terminar com 88 jardas pelo chão, uma a mais do que conseguiu pelo ar. Bortles ainda passou para o único touchdown da partida em um play action em uma quarta descida na linha de uma jarda do campo de ataque, mas deixou a clara impressão de que o time de Jacksonville saiu vitorioso apesar dele e não por conta dele. Mesmo assim, com uma defesa de elite, é possível acreditar que a equipe pode aprontar alguma zebra, começando com o duelo contra o Steelers na semana que vem.

Quem tem Brees não precisa de Ingram e Kamara

Ao longo de toda a bem sucedida temporada de 2017, o Saints teve como grande destaque a espetacular dupla de RBs formada por Mark Ingram e Alvin Kamara. Entretanto, no duelo contra o Panthers, os dois foram segurados e tiveram produção muito abaixo do padrão do ano, o que obrigou o time a ser carregado por Drew Brees, que lembrou a todos porque é um dos melhores de todos os tempos.

Obviamente, o título deste tópico está muito exagerado e o Saints provavelmente não estaria nesse ponto se não fosse a dupla Ingram-Kamara. Contudo, o objetivo aqui é ressaltar que Brees teve uma função mais de gerente do ataque para o manter em ritmo ao invés de ter que carregá-lo, como foi o caso durante praticamente a última década. Quando precisou exercer este papel novamente, ele estava pronto para a missão e completou 23 de 33 passes para 376 jardas e 2 touchdowns, com uma interceptação. Ele recebeu grande apoio de Michael Thomas, que foi espetacular ao dominar a secundária do Panthers em 8 recepções para 131 jardas. Do lado defensivo, o calouro Marshon Lattimore e o candidato a defensor do ano Cameron Jordan merecem os destaques.

O Saints pode ter saído vitorioso, mas este foi o melhor jogo da rodada e muito por conta de Cam Newton, que entregou um desempenho no mesmo nível ou acima de Brees. O QB do Panthers lidou com um suporte ofensivo muito abaixo da média para manter seu time vivo até o fim. Ele completou 60% dos passes, com mais de 8,5 jardas por tentativa e dois touchdowns e correu para mais 37 jardas, conquistando conversões muito importantes. Ele foi ajudado apenas por Greg Olsen e Christian McCaffrey, um TE e um RB, que ultrapassaram 100 jardas de recepção e foram os alvos dos TDs de Newton.

Contudo, a situação acabou complicada por conta de um erro crucial do K Graham Gano, que errou um field goal de 25 jardas. Caso tivesse acertado, como fez em todas as suas outras quatro tentativas, incluindo uma de 58, que igualou o recorde da pós-temporada, o Panthers precisaria de apenas um chute certo para virar a partida em sua última campanha. Como o time não conseguiu avançar o suficiente para anotar o touchdown, o Saints saiu com o triunfo por 31 a 26 e agora encara o Vikings.

Outras considerações sobre a rodada:

  • O protocolo de concussão foi uma adição necessária ao livro de regras da NFL, mas ele ainda precisa ser aplicado com maior consistência, com os dois extremos do espectro podendo ser vistos nesse domingo. Primeiro, Tyrod Taylor foi removido do último drive do Bills ao sofrer um forte impacto na cabeça e foi substituído por Nathan Peterman, que lançou a interceptação definitiva. Já no embate entre Panthers e Saints, Cam Newton levou uma forte pancada, ficou caído por algum tempo e nem conseguiu chegar até a lateral do campo, chegou a perder alguns snaps, mas estava de volta para o fim do jogo, sob a justificativa de que tinha sofrido uma lesão no olho. No mínimo estranho.
  • Quase que Sean Payton joga a partida do Saints fora ao buscar uma conversão de quarta descida para matar o jogo no meio do campo. O passe de Drew Brees acabou interceptado e deu uma nova oportunidade para o Panthers virar o duelo, mas a defesa salvou a pele de seu treinador com o apoio de uma chamada controversa da arbitragem, que sinceramente ainda não sei o que pensar, ao marcarem um intentional grounding de Cam Newton quando este já se aproximava da end zone adversária.
  • O Chiefs manteve sua tradição de sofrer derrotas muito dolorosas nos playoffs sob o comando de Andy Reid. Depois da virada sofrida para o Colts de Andrew Luck em 2015 e do revés para o Steelers em um festival de field goals no ano passado, agora foi a vez do Titans ser o algoz em um jogo que parecia bem encaminhado para Kansas City. Assim, muito provavelmente se encerra a passagem de Alex Smith pela equipe.

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

 

Compartilhe
  • James sousa

    Apesar de ter passado com a seed 6 o Falcons tem um caminho bom até a final de conferência pegou um time cheio de novatos em pós temporada e agora vai enfrentar um time sem QB

  • THE GUNSLINGER

    Engraçado que esse “time cheio de novatos” era apontado como franco favorito pela maioria dos ditos especialistas antes do jogo. Da galera da ESPN, por exemplo, NINGUÉM apostou nos Falcons nos palpites da NFL Brasil.