Quando a diferença de um time bom para genial é entender o livro de regras

29 de novembro de 2016
Tags: bengals, Gabriel Plat, matérias, ravens,

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Preciso confessar uma coisa: o livro de regras da NFL é extremamente chato. Ele é longo, cheio de exceções e muito cansativo para se ler e entender completamente. E é por conta disso que ele se torna um trunfo para que jogadas diferentes sejam realizadas e que decidem partidas.

No começo da temporada, eu fiz um texto sobre como um buraco nas regras ajudou o Green Bay Packers a vencer seu jogo contra o Detroit Lions. Por mais que a jogada do Packers tenha sido simples. ela deu ao time 40 jardas, tanto quanto uma big play do Aaron Rodgers. E com o passar das rodadas, a NFL nos presenciou mais uma vez uma jogada como essa.

O jogo foi mais uma vez em um clássico de divisão entre times do norte, mas da outra conferência. Baltimore Ravens buscava evitar que o Pittsburgh Steelers abrisse vantagem na liderança da divisão, enquanto o Cincinnati Bengals lutava para não se distanciar dos times que estão brigando por uma vaga na pós-temporada Restavam 11 segundos para o fim do jogo quando tudo aconteceu.

Prestem bem atenção na jogada:


Bizarra, não? Calma que eu explico.

Para evitar que o Cincinnati Bengals recebesse a bola de volta, John Harbaugh colocou o livro de regras debaixo do braço nessa jogada. A intenção era clara: fazer o punter gastar todos os 11 segundos do relógio e não deixar que o Bengals tenham uma chance de pontuar para a vitória, por mais que ela seja mínima. E pra que isso aconteça com perfeição, dois fatores foram cruciais:

1. Safety

Com o punter tendo a opção de sofrer os dois pontos, ele pode segurar a bola por mais tempo que o normal e com isso gastar todos os 11 segundos restantes do relógio de jogo.

2. Holding pra todos os lados

Com a garantia do safety ao fim da jogada, o Baltimore Ravens explora uma pequena “brecha” nas regras. No que diz as regras, uma partida não pode acabar tendo uma falta da defesa na última jogada, mas isso não acontece em caso de falta de ataque. Com isso, bastou os jogadores do Ravens cometerem holding em todos os jogadores do Bengals, porque ao fim da jogada não teria mais tempo para o Bengals realizar uma jogada extra e vencer o jogo.

Vale mencionar que essa jogada não é por acaso e não foi pensada agora. No Super Bowl XLVII, entre Baltimore Ravens e San Francisco 49ers, Harbaugh chamou uma jogada praticamente igual para gastar segundos preciosos no relógio. Veja clicando aqui (a partir de 2:25:55). O punter segurou a bola, os jogadores do Ravens cometeram holding a vontade e a jogada resultou num safety ao fim. A única diferença é que o relógio não zerou e as zebras não marcaram a segurada, apesar de ter acontecido claramente, mas a estratégia da jogada de Baltimore foi idêntica.

Agora imaginem jogos perdidos por causa de retornos no fim que poderiam ter sido evitados com jogadas como essa. Sabe o “The Miracle at New Medowlands“? Quem sabe ele não teria um final diferente com uma jogada dessas?

Sim, você deve estar se perguntando o mesmo que eu. É justo que um time se beneficie de faltas para ganhar uma partida? Na minha humilde opinião, a resposta é não. Mas a partir do momento que esse tipo de coisa é completamente legal no livro de regras da NFL, por que não usá-la?

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Gabriel Plat acompanha a NFL desde 2009 e se tornou completamente obcecado pelo esporte. Editor da Liga dos 32 e também editor-chefe do portal Blue Star Brasil. Responsável por uma matéria semanal e revisão. Está no twitter como @gabrielplat.