quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

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Enquanto se prepara para iniciar a sua participação na pós-temporada no próximo sábado, o New England Patriots vê sua comissão técnica envolvida em várias especulações. Além da matéria divulgada na semana passada pela ESPN norte-americana que fala sobre um possível desentendimento entre o head coach Bill Belichick, o quarterback Tom Brady e o dono da franquia Robert Kraft, há uma grande possibilidade de que os coordenadores ofensivo e defensivo, Josh McDaniels e Matt Patricia, deixem a equipe para se tornarem técnicos principais em outros lugares.

Todo o futuro ainda é muito nebuloso e o Patriots é uma franquia vencedora, capaz de canalizar as piores adversidades ao seu favor. Assim, é possível que um ambiente de perfeição continue transparecendo até o final da temporada e que, caso realmente haja problemas, eles sejam expostos apenas após o Super Bowl (ou uma eliminação do time). O que parece quase impossível é segurar os dois coordenadores.

Na coluna dessa semana, respondo à pergunta enviada por Márcio Nunes (@TheMarcioNunes): qual o futuro da comissão técnica do New England Patriots? Para ter o seu questionamento debatido aqui na próxima quinta-feira, envie-o no Twitter para @massaricarlos!

A melhor forma de dissecar a situação dessa comissão técnica é olhando nome por nome e, depois, pensando em um panorama geral. Vamos começar por quem tem a situação mais clara:

1. Matt Patricia

Pupilo de longa data de Belicick, o coordenador defensivo Matt Patricia está no New England Patriots desde 2004. Passou por diversas funções no staff até atingir o cargo atual em 2012. Desde então, a cada offseason crescem as especulações de que ele está destinado a ir embora de Foxboro e se tornar head coach em outro lugar na liga. Dessa vez, parece inevitável.

Detroit Lions e New York Giants, duas franquias que estão à procura de um novo treinador, parecem ter Patricia como nome preferido. A definição só deve acontecer após o final da participação do Patriots nos playoffs, mas parece apenas uma questão de escolher qual o ambiente preferido para trabalhar.

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Desde antes da demissão de Jim Caldwell, já era dito que Patricia era o nome favorito do Lions para treinar a equipe a partir de 2018. A entrevista aconteceu na última sexta-feira, 5 de janeiro, e desde então a contratação era dada como muito provável. Só que surgiu na quarta-feira a notícia de que o pupilo de Belichick também é o candidato preferido do Giants e, segundo o conceituado jornalista Peter King, a preferência do atual coordenador defensivo do Patriots é ir para New York.

Como nunca foi head coach, há uma série de questões sobre Matt Patricia. Primeiro, se ele não é só uma marionete de Bill Belichick, já que o background do lendário técnico é primariamente defensivo. Segundo, que a defesa do Patriots vive altos e baixos sob seu comando: apesar de ter sido a oitava melhor em jardas totais da NFL em 2016, despencou para a vigésima nona posição em 2017 – terceira vez que fica entre as dez piores desde 2012.

De positivo, se fala muito na influência que um gênio como Belichick pode ter em um jovem treinador (apesar do histórico de pupilos do head coach do Patriots quando alçados à função principal ser cheio de nomes que falharam profundamente) e no estudo e paixão pelo jogo de Patricia, que durante muitos anos dormiu em um sofá na sede da franquia para se dedicar completamente ao esporte. Quem contratá-lo terá uma incógnita, mas fato é que ele não permanecerá em seu atual cargo em 2018.

2. Josh McDaniels

Ao contrário de Matt Patricia, Josh McDaniels, coordenador ofensivo do New England Patriots, tem história como head coach. Em 2009 e 2010, ele esteve à frente do Denver Broncos e somou um recorde de 11-17. Sua performance como técnico principal foi considerada desastrosa em todos os sentidos: não soube lidar com estrelas (trocou Jay Cutler e Brandon Marshall), teve péssimas relações no vestiário, postou uma terrível defesa e fez escolhas bizarras no draft (foi o responsável por selecionar Tim Tebow na primeira rodada).

Como coordenador ofensivo, seu trabalho é muito mais respeitado. Apesar da troca de farpas recente com Tom Brady, sua mente é considerada brilhante, com um grande domínio especialmente das questões de ataque. Mais maduro, tendo alcançado agora os 41 anos de idade, pode estar pronto para fazer um trabalho melhor à frente de uma franquia.

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Não é tão claro como acontece com Matt Patricia em relação a Lions e Giants, mas parece que McDaniels é o nome preferido para assumir o Indianapolis Colts. A situação aqui é a mesma: uma definição só aconteceria após o término da participação do Patriots nos playoffs. O fato de tantos times ainda estarem sem um head coach contratado (apenas Raiders e Bears já anunciaram seus escolhidos) é diretamente ligada com o andamento da pós-temporada e dos candidatos estarem empregados em equipes vivas.

Assumir o Indianapolis Colts seria um grande desafio para McDaniels. Ele teria um quarterback de elite em Andrew Luck, mas paira uma grande incógnita sobre o futuro que outrora era certamente brilhante do produto de Stanford após a sequência de lesões no ombro. Principalmente, ele teria que lidar com uma defesa que vem sendo uma constante dor de cabeça e encontrar no mercado um coordenador de alto nível, já que a questão defensiva foi um grande problema quando dirigiu o Broncos. Também precisaria provar que evoluiu na hora de lidar com vestiários e egos de atletas – coisa na qual a discussão com Brady no recente duelo contra o Buffalo Bills também coloca um ponto de interrogação.

Se é praticamente certeza que Matt Patricia deixará o Patriots, é só bem provável a saída de McDaniels. A aposta mais segura é de que a franquia de New England perca seus dois coordenadores.

3. Bill Belichick

Especular uma saída de Bill Belichick até a semana passada seria completa loucura, mas a já citada reportagem da ESPN norte-americana levantou uma série de dúvidas. Existiu até uma especulação – que já foi deixada para trás – de que o lendário técnico poderia ir para o New York Giants.

O New England Patriots negou completamente a veracidade da reportagem da ESPN, mas isso é o procedimento padrão em uma situação como essa. O silêncio apenas aumentaria as suspeitas de algo errado e uma confirmação jamais aconteceria. Ao mesmo tempo, é leviano acreditar piamente que as especulações tem fundamento, já que é uma matéria repleta de fontes anônimas (praxe no jornalismo investigativo, diga-se) e que não traz fundamentações reais de suas afirmações.

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Só há a possibilidade de sabermos se de fato há algo de errado nos bastidores da franquia de New England quando a temporada terminar. Uma saída de Belichick ou algum outro tipo de movimentação interna confirmariam isso. Também é possível que seja tudo verdade, mas que o caso seja internamente abafado.

Belichick deixar o cargo seria um choque na NFL. É o treinador que construiu uma dinastia, a mente mais brilhante do futebol americano em atividade. Seu ego é conhecido por todos, e apesar de todo esse legado, provavelmente ele não venceria uma queda de braço com um quarterback do calibre de Tom Brady. Há de se considerar, porém, que já vimos Belichick sem Brady, mas nunca vimos Brady sem Belichick. Será que a franquia se manteria no topo só com o signal caller, mas sem o head coach?

Eu acho que não são grandes as chances de uma saída de Belichick ao final dessa temporada. O ego do head coach é grande demais para se deixar abalar mesmo que a reportagem da ESPN seja verdadeira – o que nada garante que seja.

E o futuro?

Se fosse para colocar as minhas fichas em algo, elas iriam para: Matt Patricia assume o Giants, Josh McDaniels assume o Colts, tudo segue normal com Bill Belichick. Portanto, só seria necessário encontrar novos coordenadores.

Bill Belichick gosta de criar seus próprios assistentes. Foi assim que Matt Patricia chegou ao cargo em 2012, depois de oito anos na organização, e Josh McDaniels em 2006, depois de cinco anos rodando por outras posições. Por isso, ao procurarmos favoritos precisamos olhar internamente para o New England Patriots.

Do lado ofensivo, o nome a se observar é Chad O’Shea. Ele ocupa desde 2009 o cargo de técnico dos wide receivers, portanto, parece ser exatamente o tipo de promoção que Belichick gosta de fazer. Outra possibilidade é Brian Daboll, que exerce o cargo de coordenador em Alabama depois de ter também passado muitos anos sob a batuta do chefe de New England.

Para a defesa, há um favorito claro: Brian Flores, técnico dos linebackers, que chegou ao Patriots em 2004 e galgou infinitas funções exatamente como Patricia. Amado pelos defensores da equipe, ele é cogitado até mesmo para o cargo de head coach do Arizona Cardinals (mas parece que Pat Shurmur, coordenador ofensivo do Minnesota Vikings, é o favorito). Se não encontrar lugar com um cargo mais alto em outro lugar, é quase certo que será o coordenador defensivo em 2018.

O que sabemos é que uma dinastia como o New England Patriots se constrói quando há harmonia dentro de todos os setores. Bill Belichick tem uma poderosa árvore de técnicos preparada para suprir as perdas de seus coordenadores, algo que é constante. Se a reportagem da ESPN não for verdadeira ou não causar mudanças drásticas, tudo continuará igual no Gillette Stadium: nomes talentosos, mas substituíveis, trabalhando abaixo de um gênio. Ao menos para 2018.

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