quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018

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O erro de Marcus Williams, safety calouro do New Orleans Saints, entrou para a história. Tudo que ele precisava fazer era um tackle simples no wide receiver Stefon Diggs, do Minnesota Vikings, para levar sua equipe à final da NFC. O cronômetro chegaria ao zero e não haveria tempo para que um field goal fosse chutado e desse a vitória aos donos da casa. Porém, ele errou por muito na tentativa de derrubar o rival, permitindo um touchdown e causando a eliminação de sua equipe.

Histórias de atletas que cometeram erros graves nos playoffs existem quase todos os anos. O esporte é composto por heróis e vilões, sempre. Aos primeiros, a glória, aos segundos, a tragédia e o peso de conviver para sempre com seus erros. Nos anos mais recentes, quem não se lembra dos field goals perdidos por Blair Walsh e Billy Cundiff ou dos dois fumbles de Kyle Williams em retornos de punt?

Mas nem tudo está perdido para Marcus Williams, já que alguns dos maiores vilões da história dos playoffs conseguiram carreiras longas e repletas de sucesso na NFL, em certos casos até mesmo alcançando a redenção em uma outra pós-temporada. Assim, o assinante Guilherme Zimmer pergunta: quais jogadores conseguiram se recuperar após enterrarem seus times em uma partida de playoff? Esse é o tema da coluna dessa semana. Para ter sua questão analisada aqui na próxima quinta-feira, envie-a no Twitter para @massaricarlos!

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Escolhi cinco casos de jogadores que cometeram graves erros nos playoffs e vieram a se recuperar. Vamos à lista:

1. Tony Romo

Depois de não ser draftado e passar três anos como reserva, Tony Romo finalmente teve sua chance no Dallas Cowboys em 2006. A lesão de Drew Bledsoe o lançou à titularidade e ele não decepcionou, fazendo um excelente ano e indo ao Pro Bowl. Só que essa sua temporada tecnicamente de calouro acabou com um grande desastre para o então jovem atleta.

Na rodada de wild card dos playoffs, o Cowboys perdia por 21 a 20 para o Seattle Seahawks a 1:19 do final. Em uma quarta para uma jarda da linha de 1, não havia muita discussão: field goal. O time de especialistas veio a campo para uma conversão fácil e Romo era o holder. Só que ele não conseguiu segurar o snap de forma apropriada, impedindo que Martin Gramatica pudesse efetuar o chute.

Romo ainda tentou correr com a bola para o touchdown, mas foi tackleado na linha de 2. Vitória do Seahawks.

Apesar disso, uma longa carreira aguardava o quarterback, que ainda passaria uma década como titular da franquia de Dallas. Ele iria outras três vezes ao Pro Bowl e se tornaria um dos jogadores mais injustiçados de sua posição. Infelizmente, jamais conseguiria a redenção na pós-temporada.

2. Earnest Byner

Ah, o Cleveland Browns. Por que nada pode dar certo para esse pobre time?

Earnest Byner era um jovem running back com muito talento que liderava o backfield do Browns na temporada de 1987. Após estar perdendo por 21 a 3 para o Denver Broncos na decisão da AFC daquele ano, o time encostou no placar e tinha um défict de 38 a 31. A pouco mais de um minuto do final, na linha de 8 jardas do campo de ataque, Byner recebeu o handoff, correu para a esquerda e parecia ter um fácil touchdown pela frente.

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Ele não contava com o safety Jeremiah Castille chegando por suas costas e arrancando a bola de suas mãos a milímetros da goal line. Essa jogada é conhecida até hoje como “The Fumble”:

Para tornar tudo ainda mais irônico e dolorido para o Browns, Byner conseguiria sua redenção em grande estilo, sendo decisivo na conquista de um Lombardi – só que bem longe de Cleveland. Foram 14 corridas para 49 jardas e 3 recepções para 24 jardas e um touchdown no triunfo do Washington Redskins sobre o Buffalo Bills no Super Bowl XXVI.

3. John Kasay

Um dos kickers mais longevos da NFL, Kasay esteve na liga entre 1991 e 2011. Quinze desses anos, entre 1995 e 2010, foram com o Carolina Panthers. Foi com ele por lá que a franquia chegou ao primeiro Super Bowl de sua história.

Diante do New England Patriots no Super Bowl XXXVIII, o Panthers encarava um duelo complicadíssimo. Faltando 1:08 para o final da partida, anotou um touchdown para empatar o placar em 29 a 29. Existia uma chance enorme de prorrogação no confronto, até que Kasay cometeu um erro gravíssimo: chutou o kickoff pela lateral. Essa é uma falta que faz com que o adversário comece com a bola na própria linha de 40 jardas.

Com isso, Tom Brady teve tempo para conduzir uma campanha capaz de colocar Adam Vinatieri em posição para chutar o field goal da vitória por 32 a 29 com o cronômetro zerado. Se tivesse começado da linha de 20 jardas, é possível que o Patriots tivesse optado por um jogo mais conservador, visando a prorrogação.

Kasay, como já dissemos, continuaria por muitos anos em Carolina. Até hoje, é o líder em pontos da equipe, com nada menos que 1482. Ele acertou 81,9% dos field goals de sua carreira e é o segundo atleta com mais chutes acertados de mais de 50 jardas na história da NFL, com 42.

4. Marlon McCree

No dia 14 de janeiro de 2007, o San Diego Chargers vencia o New England Patriots por 21 a 13 na semi-final da AFC. Em uma quarta para 5, Tom Brady foi interceptado pelo safety Marlon McCree, que só precisava ajoelhar para garantir a passagem de seu time para a decisão da conferência. Por algum motivo inexplicável, ele decidiu tentar um retorno. O próprio Brady forçou um fumble, recuperado pelo ataque, que permitiu o empate a virada de sua equipe.

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Assim como o Browns, o Chargers é uma franquia cheia de histórias amaldiçoadas e de “e se?”. Essa é uma das maiores – e se McCree tivesse sido um pouco mais inteligente em um momento tão decisivo?

McCree conseguiria sua redenção um ano depois, ainda jogando pelo Chargers: Diante do Indianapolis Colts, com seu time vencendo por uma posse, conseguiu um tackle fenomenal em Reggie Wayne em uma terceira descida crucial. Mais uma vez, porém, o time não conseguiria passar pelo Patriots na rodada seguinte.

5. Matt Hasselbeck

Quarterback selecionado para o Pro-Bowl após a temporada de 2003, Matt Hasselbeck liderava um ótimo ataque do Seattle Seahawks. Na rodada de wild card daquele ano, seu time enfrentava o Green Bay Packers. No tempo normal, empate por 27 a 27. Na hora de lançar a moedinha para decidir quem teria a primeira posse da prorrogação, Hasselbeck escolheu ter a bola primeiro e proferiu: “nós queremos a bola e nós vamos marcar”.

Em vez disso, Hasselbeck lançou uma pick-six para Al Harris. Vitória do Packers, eliminação do Seahawks.

Exatamente como Tony Romo, Hasselbeck nunca teria sua redenção nos playoffs, mas ainda seguiria uma sólida carreira na NFL. Iria mais duas vezes ao Pro Bowl, em 2005 e 2007, ficando em Seattle até 2010 e depois, já com idade avançada, rodando até 2015 como backup pela liga.

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  • Felipe Sprocatto

    Todos tiveram carreiras longas, boas mas nunca chegaram a ser aquele HoF incontestável.