Quais as chaves para o sucesso do Jacksonville Jaguars em 2017?

10 de novembro de 2017
Tags: jaguars, paulo cesar,

Passada metade da temporada regular de 2017, uma das grandes surpresas da NFL com certeza é o Jacksonville Jaguars, que lidera a AFC Sul nesta campanha. O time que não tinha uma campanha positiva após a semana 5 desde a temporada de 2010 agora reina na AFC Sul juntamente com o Tennessee Titans, na divisão outrora dominada por Indianapolis Colts e Houston Texans nos últimos anos. Após compilar vários e vários anos com campanhas horríveis (o que sempre resultava em uma escolha privilegiada no Draft da temporada seguinte) parece que 2017 finalmente é o ano em que todas as peças “clicaram” de forma conjunta e com isso corroboram para o bom papel da equipe comandada por Doug Marrone. Mas, passados 50% da temporada, quais atitudes da direção e comissão técnica podem ser tiradas como cruciais para a campanha de 5-3 da equipe? Vamos conferir.

  • Sucesso no Draft nos últimos anos

Mais do que qualquer outra equipe, o Jaguars colecionou altas escolhas no recrutamento anual universitário, o Draft. No começo da década a equipe não obteve tanto sucesso no Draft, com busts históricos como o QB Blaine Gabbert e o WR Justin Blackmon, que foram selecionados na primeira rodada mas falharam em causar qualquer impacto positivo a médio e longo prazo para a franquia, mas isto mudou nos últimos anos. De 2014 para cá, é notável o trabalho da equipe de olheiros do time para fisgar os melhores atletas universitários do país, principalmente em rounds posteriores: em 2014 chegaram via Draft atletas como o WR Allen Robinson (3ª rodada), CB Aaron Colvin (4ª rodada) e LB Telvin Smith (4ª rodada); em 2015 veio o OG AJ Cann (3ª rodada) e em 2016 chegou o DE/LB Yannick Ngakoue (4ª rodada). Mesmo que seja muito cedo afirmar, atletas como o OT Cam Robinson e o WR Dede Westbrook tem tudo para fazer sucesso no futuro com a equipe da Florida. Atletas cruciais para o bom rendimento do time e que passaram longe dos holofotes na época do recrutamento.

  • Contratação dos melhores free agents

Com uma base jovem já estabelecida e munido de uma grande espaço no teto salarial, ficou fácil também atrair os melhores jogadores disponíveis na free agency, o mercado livre da NFL. Especialmente nas duas últimas temporadas, a equipe foi capaz de atrair alguns dos melhores atletas disponíveis em cada classe e com isso prover experiência a um elenco as vezes muito jovem, o que também faz uma enorme diferença. Atletas como o DT Malik Jackson, S Tashaun Gipson, OT Kelvin Beachum, DE/DT Calais Campbell e CB AJ Bouye são alguns dos principais nomes da classe nas duas últimas temporadas e que escolheram Jacksonville como seu próximo destino. Claro que o fato da equipe poder despejar caminhões de dinheiro em contratos multimilionários com valores já garantidos ajuda a atrair tais atletas, mas sem uma base jovem forte para o futuro, seria impossível atraí-los.

  • Montagem de uma boa comissão técnica

De nada adiantaria ter ótimos nomes em todos os setores do campo se não houver uma comissão técnica capaz de motivar e tirar o melhor de cada jogador. O HC Gus Bradley tem o pior aproveitamento da história da NFL para um técnico com pelo menos 50 partidas na posição e foi demitido na parte final da última temporada. Em seu lugar assumiu de forma interina Doug Marrone após uma surpreendente saída do Buffalo Bills e posteriormente foi elevado ao cargo efetivo de treinador da equipe. Marrone parece ser o nome certo para a continuidade do bom trabalho da equipe e tem muitos méritos sobre a montagem da equipe e do plano de jogo que melhor se adequa às virtudes e que ao mesmo tempo esconda os pontos fracos da equipe.

  • Ataque terrestre potente

No Draft de 2017, o Jaguars resolveu investir no ataque com a 4ª escolha geral e recrutou o RB Leonard Fournette, que teve uma boa carreira universitária por LSU após ser o melhor atleta vindo do colegial em 2014. Fournette vem cumprindo todas as expectativas criadas para si com uma ótima campanha de calouro que o coloca como um dos melhores de toda a NFL na posição. Fournette é o 6°em jardas terrestres até agora (596) ele só não está numa posição melhor pois foi suspenso por uma partida após perder algumas reuniões  da equipe ao longo da semana, mas ele próprio já se desculpou sobre isso. Até seu reserva, o veterano Chris Ivory, tem encontrado espaços para correr na ausência de Fournette, prova disso é que na partida contra o Pittsburgh Steelers, a dupla combinou para mais de 200 jardas terrestres contra a boa defesa do Steelers, o que corrobora para a potência deste ataque terrestre de duas cabeças.

  • Quase sempre ter a primeira pontuação

Crucial dentro das cinco vitórias até agora, é que o Jaguars tem dado o primeiro golpe nos adversários até então. Em todas as cinco vitórias até agora o time da Flórida foi o primeiro a anotar pontos e nas três derrotas, somente na partida contra o Jets (que saíram derrotados na prorrogação) é que a equipe saiu na frente do placar. Ou seja, é certo afirmar que o bom começo da equipe dentro dos jogos é crucial para o time encaminhar as vitórias, afinal, obriga o time adversário à tentar explorar a ótima secundária da equipe com o Quarterback segurando um pouco mais a bola que o normal, o que também ajuda a “Sacksonville”, nome dado ao pass rush do time, o melhor da NFL até agora. A linha defensiva com Malik Jackson, Calais Campbell, Ngakoue e Dante Fowler Jr tem assombrado QBs adversários e com isso facilita o trabalho da unidade nos três níveis. Isto não vem ao acaso e está intimamente ligado à quantidade de vitórias da equipe.

  • Por último e mais importante…tirar a necessidade de decisão do QB Blake Bortles

Após uma boa temporada em 2015 com 35 passes para TD (apesar do número alto de 18 interceptações), era esperado que Bortles fosse o grande comandante da franquia para o futuro, mas o atleta parece ter retrocedido em seu desempenho nas duas últimas duas campanhas e chegou a ter que disputar a titularidade com o veterano QB Chad Henne durante a pré-temporada deste ano. Parte disso era devido ao fato de tudo estar sempre na costa do jovem atleta, que claramente sentiu a pressão de liderar a franquia, mas isto não ocorre em 2017. Bortles é simplesmente um game manager, aquele Quarterback que não precisa passar de 300 jardas aéreas para o time ter qualquer chance de vitória, mas simplesmente minimizar seus erros e aproveitar as oportunidades que ele naturalmente terá durante uma partida. Na citada vitória contra o Steelers, enquanto o time compilou 222 jardas terrestres, Bortles completou apenas oito passes (de quatorze tentados) para ínfimas 95 jardas e, apesar de ter lançado uma interceptação, pareceu bem mais seguro no comando do Jaguars. Bortles joga para se manter como um QB titular da NFL pois seu contrato com o Jaguars está para expirar, então, sem ter a necessidade de ser o cara dentro do ataque, suas chances de sucesso só aumentam dentro do plano de jogo da equipe.

O Jaguars dará início à sua segunda metade de temporada quando receberá o Los Angeles Chargers no Domingo. Se tudo descrito acima continuar clicando para a equipe em 2017, a primeira classificação para os playoffs desde 2008 estará no horizonte para a equipe da Flórida, algo totalmente impensável alguns anos atrás, mas como tudo muda muito rápido no cenário da NFL, a equipe luta sim por uma caminha consistente nos playoffs, o que até certo ponto é surpreendente.

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Paulo César é o setorista da NFC LESTE. Analisa Giants, Cowboys, Redskins e Eagles às terças e quintas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @PcesarPJunior