terça-feira, 13 de março de 2018

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Você já deve ter lido isso em algum lugar: Saquon Barkley é o melhor jogador da classe e o Cleveland Browns deveria seleciona-lo com a primeira escolha geral do draft. Bem… será mesmo? Na minha opinião, a não ser que o Browns despeje muitos milhões na conta de um Kirk Cousins ou Case Keenum da vida – o que, após a troca por Tyrod Taylor – é praticamente certo que não acontecerá – a resposta é não. E o intuito deste texto não é encontrar defeitos no prodígio de Penn State, que eu também creio ser realmente o melhor jogador de todo o draft.

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Aí então você se pergunta: “mas se você mesmo disse que ele é o melhor jogador da classe, então porque raios não escolhe-lo em primeiro?”. A questão é que Cleveland precisa de um quarterback para o futuro. O mesmo raciocínio vale para o New York Giants,que escolhe logo na sequência. E Barkley pode até ter capacidade de produzir 2000 jardas de scrimmage (corridas + recepções), mas ele não joga na posição mais importante do esporte. Quando o time estiver perdendo por duas posses de bola no quarto período, ou quando precisar daquele drive matador com menos de 2:00 no relógio, Barkley certamente seria um jogador legal pra se ter ali, mas a necessidade maior é mesmo ter alguém que passe a bola com precisão.

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Outro argumento muito utilizado por aí é o seguinte: “dá pra pegar o Barkley em primeiro e selecionar o QB que sobrar com a #4, o nível deles está bem parecido”. Bem, tem um sério problema nessa linha de raciocínio. Estamos, afinal, falando da posição mais importante do jogo. Você confiaria o futuro da sua franquia pelos próximos 12 ou 15 anos nas mãos do jogador “que sobrar”? Os dois lados da moeda, pensando como se fosse o GM dos Browns: se você não confia o suficiente em um QB para escolhe-lo em primeiro, a ponto de esperar sua próxima escolha chegar para ficar com o “que sobrar”, deveria draftar algum? Ou então, se você realmente acredita em algum dos QBs da classe, vale a pena correr o risco de deixa-lo passar na primeira escolha e ter a possibilidade de algum outro General Manager desesperado oferecer um caminhão de escolhas para outro time e passar na sua frente antes que você volte ao relógio?

E tem mais: o histórico recente mostra que é bem possível encontrar running backs de qualidade no segundo dia do draft, enquanto pra quarterbacks a situação é bem mais complicada. Pra ficar apenas no exemplo dos três últimos drafts, tivemos T.J. Yeldon, Tevin Coleman, Duke Johnson, David Johnson, Derrick Henry, Joe Mixon, Alvin Kamara e Kareen Hunt sendo escolhidos no segundo dia e jogando em alto nível. Por outro lado, apenas Jacoby Brissett, Deshone Kizer e C.J. Beathard foram os QBs escolhidos na segunda e terceira rodada em 2015, 2016 e 2017 que tiveram tempo significativo de jogo e nenhum deles foi particularmente bem.

Eu sou daqueles que acreditam piamente que um bom draft é aquele que segue a ordem do seu board e está sempre selecionando o mais valioso talento disponível para o seu time. No entanto, há uma exceção que comprova a regra, e estou falando do tal Franchise QB. Um bom quarterback é mais valioso que um ótimo jogador de outra posição, mesmo que este seja mais talentoso de maneira geral. Como os primeiros times a escolherem no draft precisam de um QB para o futuro – e há uma boa oferta na posição – a prioridade é (ou pelo menos deveria ser) bem clara. Barkley pode esperar mais um pouquinho.

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