Por que o Tampa Bay Buccaneers decepciona em 2017?

9 de novembro de 2017
Tags: buccaneers, carlos massari, matérias,

Após terminar 2016 com uma campanha de 9-7 e ficar de fora dos playoffs por muito pouco, o Tampa Bay Buccaneers era uma das principais apostas para surpresa da temporada 2017. Com um elenco cheio de jovens talentos, ótimos jogadores em quase todos os setores do campo e muita capacidade para evoluir, a franquia da Florida ainda fez uma ótima off-season, adicionando peças como DeSean Jackson na free agency e OJ Howard na primeira rodada do draft. Um ataque explosivo e uma defesa muito segura era o que se esperava ver do time nesse ano.

Mas ao contrário do que dizia essa lógica, os Bucs aparecem com péssima campanha de 2-6 na metade da temporada de 2017. O que deu errado? Por que esse time que deveria ser tão forte decepciona tanto? Essa foi a pergunta enviada por Bruno Issa (@issajr18) para ser respondida na coluna dessa semana. Se você quiser o seu questionamento analisado aqui na próxima quinta-feira, envie-o no Twitter para @massaricarlos!

Para tentar entender essa queda de rendimento, existem alguns pontos fundamentais para se olhar:

1. A lesão e a mente de Jameis Winston

Em seu terceiro ano na liga, Jameis Winston não deixa mais dúvidas de que é um franchise quarterback. Porém, ele possui algumas tendências que ainda precisam ser corrigidas e que, às vezes, acabam prejudicando seu time. Trata-se de um jogador muito agressivo, que tenta desprezar ganhos curtos e ir sempre para a big play. Por isso, ele acaba forçando jogadas que não deveria, tomando decisões arriscadas demais e indo para apostas com poucas chances de pagarem bem.

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No momento, Winston é o quarterback com a segunda maior média de distância no ar viajada por passe – 11,1 jardas, atrás apenas das 11,3 de DeShaun Watson. Ou seja, ele tem o costume de fazer passes em profundidade mais do que a maioria dos demais signal callers da NFL. Para se ter uma ideia, esse número chega perto de ser o dobro do último colocado, Mike Glennon com 6,6.

É muito bom ser agressivo em certos momentos, mas quando se está atrás no placar, quarterbacks com esse espírito “gunslinger” tendem a forçar passes em coberturas complicadas. E o resultado disso pode ser muito bom ou muito ruim. Abaixo, dois exemplos de Winston tentando fazer mais do que deveria – em um, com pressão pesada em cima de si, o que resulta na bola saindo toda torta e sendo interceptada, em outro, buscando um recebedor muito bem coberto e também dando a bola de presente para o adversário:

Para piorar a situação, Winston tem jogado com uma lesão no ombro – que inclusive o tirará das próximas duas ou três semanas. Isso faz com que ter precisão e força em lançamentos profundos seja mais complicado. O combo de jogar com um problema físico + estar frequentemente atrás no placar + buscar constantemente passes complicados faz com que o rendimento do quarterback caia bastante. E, acertadamente, ele terá agora tempo para se recuperar.

2. Queda de produção de jogadores importantes

Mike Evans foi o melhor wide receiver da NFL em 2016. Não apenas as estatísticas foram impressionantes (96 recepções, 1321 jardas, 12 touchdowns), como sua produção dentro de campo mostrou ainda mais do que isso. Apesar de ainda ser muito bom em 2017, ele está jogando um pouco abaixo do que demonstrou na temporada anterior, sendo ranqueado apenas como o décimo nono melhor da posição pelo ProFootball Focus.

Outros jogadores também tem atuado abaixo do seu nível de talento – o linebacker Kwon Alexander é apenas o quinquagésimo segundo colocado da posição também pelo ProFootball Focus e também já perdeu tempo com lesões. Aliás, de todos atletas que deveriam ser os comandantes da defesa dos Buccaneers, apenas Gerald McCoy ainda não ficou de fora de nenhuma partida – e ainda assim, caminha para o seu número mais baixo de sacks desde 2011.

O tight end OJ Howard, selecionado na primeira rodada do draft e visto como uma possível arma importantíssima para a equipe, tem tido muitos problemas em seu ano de calouro. São apenas 14 recepções até aqui, o que demonstra que ele não vem sendo muito envolvido nos planos de jogo.

Mais um jogador que caiu vertiginosamente de produção foi o safety Keith Tandy. Depois de um ano com nove passes defendidos e quatro interceptações, ele também tem sofrido com uma lesão e viu seu rendimento cair de décimo melhor da posição na NFL para um dos últimos, com nota média de 43,2. Ele tem apenas oito tackles e ainda não conseguiu colocar as mãos em nenhum passe.

E é aí que nós chegamos ao maior problema da equipe em 2017:

3. A secundária dos Buccaneers é horrível

No ano passado, o Tampa Bay Buccaneers não apresentava um primor de defesa contra o passe: ficou ranqueado em décimo oitavo na liga, cedendo um rating de 88,8 para quarterbacks adversários. Mas o que já não era bom ficou muito pior – agora, a franquia da Florida é a vigésima nona colocada, com rating médio permitido de 101,9.

Isso pode ser um pouco explicado pela atuação dos jogadores da secundária – Chris Conte é o free safety, quase sempre jogando em profundidade, e já era muito ruim em 2016. Isso continua em 2017, mas a queda de produção citada acima atingiu muito também a Brent Grimes e Vernon Hargreaves, os cornerbacks titulares. Ambos tem tido sérios problemas com os wide receivers adversários.

Mas é possível afirmar que a culpa não é deles, mas sim do esquema. O Buccaneers usa uma marcação majoritariamente em zona e, assistindo o filme da defesa, percebi que as linhas jogam muito distantes uma da outra. Assim, quase sempre os recebedores conseguem se infiltrar entre eles, ficando bastante livres para ganhos grandes. Vejam na jogada abaixo, um passe de mais de 20 jardas de Carson Palmer para Larry Fitzgerald, o espaço que o atleta do Arizona Cardinals tem no tempo entre ser abandonado pelo linebacker e a chegada do safety:

Já nesse lance da partida contra o Buffalo Bills, a defesa se coloca em Cover 1, o que pressupõe marcação homem a homem e um safety em profundidade. Após Deonte Thompson bater seu marcador, há uma demora muito grande para Conte conseguir fechar o espaço:

Com esses problemas, a defesa da equipe de Tampa tem cedido muitos passes para ganhos grandes, na casa das 20 jardas. Essa acaba sendo a raiz de muitas outras questões, como estar constantemente atrás no placar e obrigar Jameis Winston a se tornar mais agressivo do que deveria.

4. Dirk Koetter

Dirk Koetter é um técnico oldschool. Ele acredita em conceitos obsoletos e não olha para questões mais atuais, que ajudam a entender melhor o jogo de futebol americano. Chegou a declarar em uma entrevista que “estatísticas são para inúteis, a única que realmente importa é quantos jogos você ganha e quantos você perde”. Na evolução atual do esporte, são esses números que fazem entender porque você ganha e porque você perde esses jogos, porém.

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Já existem impressões de que Koetter pode ter perdido o time e que sua demissão é questão de tempo. Existem questões controversas dentro de campo, como a falta de balanceamento entre o jogo aéreo e o jogo terrestre – apenas 35% das jogadas ofensivas são pelo chão, tendo chegado a ridículos 18% diante do Minnesota Vikings na semana 2. Mas ainda maior do que as decisões tomadas na sideline é a capacidade de lidar com os atletas.

As chances de conseguir vitórias com Winston lesionado não são muito grandes. No momento, a maior possibilidade é que o Tampa Bay Buccaneers termine 2017 com dois dígitos de derrotas. Nesse caso, a demissão de Koetter será inevitável.

O futuro ainda pode ser muito bom para essa franquia – como dito, existe muito talento dos dois lados da bola, com um quarterback de alto nível se desenvolvendo, ótimos wide receivers, jogadores de defesa talentosos em todos os setores. 2017 é um ano perdido, mas um novo técnico pode trazer a mudança necessária para recolocar a equipe no caminho certo.

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Carlos Massari é o setorista da AFC LESTE. Analisa Patriots, Jets, Bills e Dolphins às quartas e sextas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @massaricarlos