quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

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Nenhuma divisão era vista com tanto entusiasmo antes do início da temporada como a AFC West. Kansas City Chiefs e Oakland Raiders venceram doze jogos em 2016, o Denver Broncos conquistou o Super Bowl 50 e o Los Angeles Chargers aparecia com um elenco fortíssimo após ter sofrido muito com lesões no passado recente. A promessa era de muito equilíbrio nos jogos internos e domínio absoluto contra rivais das outras divisões.

No começo, tudo parecia caminhar como o esperado: o Chiefs abriu a temporada surrando o New England Patriots em Foxboro e, junto com Raiders e Broncos, largou com recorde de 2-0. Aos poucos, porém, cada um dos times foi tendo alguma sequência deprimente sofrendo com problemas inesperados. Pela primeira vez na história da NFL, todos os quatro times da divisão tiveram uma sequência de quatro ou mais derrotas consecutivas.

Por que a AFC West decepciona em 2017? Essa é a pergunta a ser respondida nessa semana. Para ter seu questionamento examinado e discutido nessa coluna na próxima quinta-feira, envie-o para @massaricarlos no Twitter!

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Nenhum time da AFC West é completo. Ou eles tem defesas muito fortes e ataques falhos, ou o contrário. A melhora recente do Los Angeles Chargers supõe que essa é a equipe mais próxima de competir entre as melhores da NFL, mas ainda assim é possível ver problemas no elenco.

Hoje, Chiefs, Raiders e Chargers estão empatados na liderança com 6-6, o que ao menos pressupõe muita emoção e equilíbrio para as semanas rivais, quando todos eles se enfrentam entre si. A temporada do Denver Broncos está melancolicamente encerrada com uma trágica campanha de 3-9 – isso depois de um início 2-0, como dito anteriormente.

O maior problema de Denver é a falta de um quarterback funcional. Após a aposentadoria de Peyton Manning e a acertada recusa de pedir o que Brock Osweiler pedia, a franquia do Colorado decidiu selecionar Paxton Lynch na primeira rodada do draft de 2016. O primeiro sinal de que essa escolha poderia ser problemática foi quando ele não conseguiu vencer Trevor Siemian, então um completo desconhecido, para ser o titular de sua temporada de calouro.

Desde então, o Broncos vive um carrossel de quarterbacks entre Siemian, Lynch e até mesmo o retorno de Osweiler, mas nenhum deles consegue ser minimamente efetivo. A franquia aparece como o segundo pior ataque aéreo de 2017 (à frente apenas do Cleveland Browns), com rating médio de 69,7, 14 touchdowns e 18 interceptações. Nas partidas mais recentes, a incapacidade ofensiva tem ficado cada vez mais evidente – o Miami Dolphins chegou a conseguir dois safeties no último domingo.

O time campeão do Super Bowl 50 não era exatamente dono de um ataque potente e foi carregado por sua defesa, mas esses são novos patamares de ruindade. Além disso, a própria unidade defensiva perdeu peças importantes desde então e vem sendo cada vez menos eficaz. Quer uma estatística chocante? A antiga “no fly zone”, que vem sendo maldosamente chamada por alguns de “no try zone” é a quarta contra o passe da NFL em 2017, cedendo um rating médio de 98,9 aos quarterbacks adversários – só Dallas, Cleveland e Oakland são piores.

Já que tocamos no assunto, por que não falar de Oakland? O problema do Raiders é bem claro: a defesa pútrida. Pior da NFL contra o passe por muito, cedendo rating médio de 108,2 aos quarterbacks rivais. Apenas Tom Brady é melhor do que isso na temporada, e por muito pouco – 109,7. Portanto, não é um exagero dizer que essa secundária faz com que todos os signal callers pareçam tão bons como o do Patriots.

Nos últimos dois jogos, parece estar havendo uma melhora. O time cedeu 14 e 17 pontos nas duas últimas partidas. O problema é que os rivais eram Paxton Lynch e Geno Smith e, quando se olha o filme, é possível ver a quantidade absurda de jogadas que esses quarterbacks deixaram em campo. A troca de Ken Norton Jr. por John Pagano surtiu efeito no pass rush, que também era o pior da liga mas conseguiu oito sacks nesses dois confrontos. Khalil Mack continua monstruoso e Bruce Irvin parece ter acordado. Para a secundária, porém, parece não haver soluções simplesmente por falta de talento.

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A defesa do Raiders já era ruim em 2016, mas isso era escondido por um ataque brilhante. Esperava-se que o time fosse sério candidato ao Super Bowl na atual temporada porque, além de manter todas as peças, adicionou novas em Jared Cook, Cordarrelle Patterson e Marshawn Lynch. Só que a troca de coordenador ofensivo surtiu um efeito péssimo e a unidade demorou muito para encontrar sua identidade e voltar a ser explosiva em 2017. A boa notícia é que Todd Downing parece estar entendendo como usar o arsenal absurdo que tem em suas mãos – e que Beast Mode está melhor a cada semana que passa.

Nenhuma queda nas semanas mais recentes da NFL é tão chocante como a do Kansas City Chiefs. O começo da temporada foi realmente promissor e convincente, com os triunfos sobre Patriots e Eagles como ponto alto. Alex Smith parecia ser um novo quarterback, agressivo e sempre buscando lançamentos mais longos. O calouro Kareem Hunt chocou a liga sendo ameaça pelo chão e pelo ar. A dupla formada pelo tight end Travis Kelce e o wide reciever Tyreek Hill parecia imparável.

Só que parece que as defesas adversárias descobriram que Alex Smith tem sérias dificuldades com Cover 2 e passaram a empregá-la impiedosamente. Com o meio do campo congestionado, a ideia é forçar o quarterback a fazer lançamentos profundos e em direção às laterais, coisa que ele não tem força no braço para fazer. A queda de rendimento de Hunt, que parece ter batido na famosa “rookie wall”, também derrubou o ataque do Chiefs: foram 9 pontos marcados contra o New York Giants e 10 contra o Buffalo Bills em derrotas consecutivas.

Também com problemas defensivos, como Marcus Peters vivendo um ano muito abaixo do esperado (e com questões sérias extra-campo), Eric Berry lesionado e Derrick Johnson demonstrando que a idade chegou, não sobra muito o que possa ser feito. Foi assim que foram cedidos 38 pontos ao New York Jets no último domingo. Com seis derrotas nas últimas cinco partidas, a temporada de Kansas City está em absoluta queda livre e não parece ter muitas perspectivas de recuperação.

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Repleto de talento, o Los Angeles Chargers foi muito mal em 2016 pelo excesso de lesões e por constantemente dar tiros no pé. 2017 começou de forma similar: o kicker coreano Younghue Koo perdeu field goals decisivos em duas partidas consecutivas e o início de 0-2 (que se transformaria em 0-4) assombrou a equipe. Nas semanas seguintes, as coisas parecem estar clicando para o time.

Três atletas tem quebrado recordes, jogando de forma sensacional e liderado a grande recuperação da equipe: no ataque, o wide receiver Keenan Allen é o primeiro na história da NFL a ter pelo menos 10 recepções, 100 jardas e um touchdown em três jogos seguidos. Um dos que se lesionaram em 2016, ele está no auge de sua forma. Na defesa, Joey Bosa é o atleta a ter atingido 22 sacks mais rapidamente na carreira, enquanto o cornerback Casey Hayward lidera a posição no ranking do ProFootball Focus, com nota de 96,8. Ele chegou a permitir um rating de 0,0 para passes lançados em sua direção diante do Buffalo Bills.

O que preocupa em Los Angeles é o histórico de “amarelar” nos momentos decisivos. Perder jogos ganhos de formas ridículas é corriqueiro e Philip Rivers não costuma jogar bem em dezembro. Mas quando se olha para as últimas semanas de NFL, talvez ninguém esteja jogando tão bem como essa franquia.

A AFC West é uma divisão cheia de talento e promete muitas emoções para seu final. O Kansas City Chiefs recebe Oakland Raiders e Los Angeles Chargers no Arrowhead nas próximas duas rodadas, enquanto o Raiders vai a Los Angeles na semana 17. Essas três partidas definirão quem leva essa divisão absurdamente equilibrada, mas que deveria ter um empate triplo em campanhas bem melhores do que 6-6 pelos atletas que possui.

Quem quer que emerja como vencedor terá grande capacidade de dar trabalho nos playoffs. Seja Los Angeles mantendo seu nível atual até o fim, Oakland conseguindo alcançar o potencial surreal de seu ataque ou Kansas City se reencontrando, a ameaça é real. Pelo menos um deles deve conseguir um desses feitos e fazer com que a AFC West seja uma decepção menos fervorosa em 2017.

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