Por dentro dos Playoffs – Semifinais de conferência (sábado)

12 de janeiro de 2017
Tags: falcons, igor seidl, patriots, paulo henrique, playoffs, seahawks, texans,

Esta semana ao invés de detalhar cada partida da semana e os principais confrontos, optou-se por apresentar uma ficha completa das equipes envolvidas. Vamos à elas!

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Houston Texans

A equipe campeã da fraca AFC South veio para os playoffs com o 4º seed da AFC, tendo uma campanha 9-7 e sendo discutivelmente a equipe mais fraca a participar dos playoffs este ano – e agora a pior campanha a avançar para a fase das semifinais de conferência. Após enfrentar o Raiders sem seu jovem e talentoso QB titular em uma das piores partidas de Wildcard da memória recente, a unidimensional equipe do Texans avança para a fase das semifinais de conferência na tentativa de provocar uma zebra histórica contra o todo poderoso Patriots.

A equipe vem nas costas daquela que é considerada a melhor defesa da liga esse ano, muito embora os números não apoiem amplamente essa ideia. Na verdade, pelos dados da Pro Football Reference a defesa do Texans é apenas a 12ª no geral, e isso porque apesar de ser a 2ª contra o jogo aéreo, é apenas a 12ª contra o jogo corrido. Ofensivamente, a equipe do Texans foi abaixo de medíocre a temporada toda, com um desempenho lamentável do recém adquirido Brock Osweiler, o que se reflete na sua 29ª colocação geral no ataque, com a 29ª posição no jogo aéreo sendo resgatada ligeiramente pela 8ª posição no jogo corrido. Infelizmente para o Texans, não estamos mais nos anos 50 e a filosofia de “three yards and a cloud of dust” sozinha não funciona mais. Aliás, diga-se, essa não é nem de perto a filosofia ofensiva do Texans que mantém uma proporção de apenas 42,6% de corridas para 57,4% de passes, o que provavelmente é bem menos do que deveriam considerando-se todas as limitações no jogo aéreo da equipe e constitui uma das incógnitas do trabalho do seu Head Coach, Bill O’Brien, um ex coordenador ofensivo que parece incapaz de encontrar, ou fazer render bem um QB, e que por isso, segundo parte da imprensa, já encontra sua cadeira quentinha, apesar das duas classificações seguidas para os playoffs.

Ao se verificar as estatísticas avançadas da Football Outsiders constata-se que o Texans ocupa a 27ª colocação no DVOA ajustado geral da liga, com o ataque vindo em 30º e a defesa em 3º. O que isso ajuda a ilustrar é que se por um lado o ataque é verdadeiramente pior do que seus números gerais indicam, a defesa pelo menos é mais impactante. Olhando para outra estatística, o índice nERD (é isso mesmo, brincadeira da Numberfire), que nada mais é do que umas estimativa estatística da margem de pontos a mais (ou a menos) esperados para equipe quando confrontada contra a média da liga em campo neutro, o Texans aparece em 20º com -0,98.

No confronto dessa semana, contra aquela que é simplesmente a melhor equipe da liga tanto no DVOA (25,3%) quanto no nERD (9,26), o Texans precisará que sua defesa não só atue de maneira monstruosa, como também consiga marcar pontos para auxiliar o ataque.

Abaixo é apresentado o elenco “titular” do Texans segundo a avaliação da Pro Football Focus:

Defesa do TexansAtaque do Texans

 Na defesa, a equipe precisará contar novamente com Jadeveon Clwoney para ser uma equipe de demolição de um homem só e tentar ao máximo tirar Tom Brady de ritmo – uma tarefa hercúlea, mas que foi realizada com sucesso por Von Miller e companhia no ano passado. A segurança de uma das grandes surpresas positivas da liga em A.J. Boye pode ajudar, mas não é difícil perceber que sem J.J. Watt em campo a defesa do Texans não se compara muito bem com a do Broncos no ano passado.

Sua principal fraqueza está no interior da linha defensiva, que é incapaz de gerar pressão regularmente nos QBs adversários e ainda é surpreendentemente frágil contra o jogo terrestre, o que pode produzir uma desagradável (para os fãs do Texans) dose de LeGarrette Blount. Outro problema dessa fragilidade no interior é que é justamente a pressão pelo interior da linha que é usualmente mais eficaz contra Tom Brady, visto que muitas vezes o pass rush pela lateral simplesmente não tem chance de chegar ao QB devido à sua velocidade na tomada de decisão e passe – o meio ainda é o caminho mais curto para um QB.

Pelo ataque, o próprio site do Texans divulgou que é esperado que Tom Savage esteja liberado para jogar essa semana, o que coloca em dúvida qual será o QB titular. Em termos de desempenho em campo a escolha por Savage seria óbvia. Independentente disso, sem boas atuações de DeAndre Hopkins e Will Fuller o ataque pode ser afogado pela forte secundária do Patriots (a terceira melhor da liga pelo ranking da PFF) e pela fragilidade da parte direita da linha ofensiva do Texans.

Jogadores chave da partida: Jadeveon Clowney, DeAndre Hopkins, Tom Savage/Brock Osweiler.


New England Patriots

Dono da melhor campanha da Conferência Americana (na verdade de toda a liga), o New England Patriots conquistou a 1ª seed da AFC com uma campanha de 14 vitórias e 2 derrotas e vai para as semifinais de conferência, após descansar na primeira rodada dos playoffs, para encarar o Houston Texans, com amplo favoritismo para a franquia de Boston.

O ponto forte da equipe comandada pela dupla Bill Belichick e Tom Brady é, sem sombra de dúvidas, o ataque. O Patriots terminou a temporada regular como a 3ª melhor equipe em pontos por partida (27.6), 4ª em jardas totais por partida (386.2), além de 4ª (269.2) e 7ª (117.0) em jardas aéreas e corridas por partida, respectivamente. O veterano QB lançou para 28 TD e apenas 2 interceptações até agora, completando 291 passes em 432 tentativas, tendo como principais alvos o WR Julian Edelman (acionado 159 vezes), o RB James White (86 passes em sua direção) e o TE Martellus Bennett (73 vezes), sem contar no WR quartanista Chris Hogan, que detém a maior média de jardas por recepção – 17.9, empatado com DeSean Jackson do Redskins.

Outro grande destaque da equipe de Foxborough é o RB LeGarrette Blount, líder da liga em TD corridos, com 18. De acordo com o Pro Football Reference, Blount foi acionado 299 vezes, correndo para 1161 jardas e estabelecendo uma média de 3.9 jardas por carregada e 72.6 jardas por partida. Vale lembrar que o jogo corrido do Patriots ainda conta com os RB Dion Lewis e James White, muito usados em situações de passe também.

A linha ofensiva também contribui e muito para dar tranquilidade no pocket a Tom Brady. Permitindo apenas 24 sacks ao seu QB, a franquia é a 5ª melhor nesse quesito, garantindo tempo de sobra para que os recebedores percorram suas  rotas em perfeita sintonia com o passe. Ela é formada geralmente por David Andrews (C), Shaq Mason e Joe Thuney (G), além de Marcus Cannon e Nate Solder (T).

Ainda sobre esse bem montado ataque, o Patriots atua muito baseado no timing entre seu QB e os WR. Tom Brady é um excelente jogador sob pressão, que sabe e espera a blitz acontecer para explorar melhor as lacunas deixadas na secundária. O passe é programado para ser lançado da forma mais rápida possível, por isso mandar blitz e pressionar Brady não se mostra muito efetivo, já que é exatamente isso que ele espera. Assim, é preciso que o pass rush chegue muito rapidamente ou venha de ângulos ou formas inesperadas, ou talvez a melhor solução seja pressionar seus recebedores, para evitar que eles estejam onde devem estar no momento do passe.

Por fim, mais um fator que deve se levar em consideração é justamente o mando de campo. Jogar contra New England no Gillette Stadium costuma se mostrar tarefa ingrata aos adversários. De 2002 até o fim da presente temporada regular, a franquia tem a incrível marca de 101 vitórias e apenas 19 derrotas. Já em playoffs, a equipe conta com 14 vitórias e 3 derrotas em seus domínios.

Abaixo, elenco do Patriots, segundo Pro Football Focus:

Defesa do PatriotsAtaque do Patriots

Como nem só de pontos fortes vive um time, o Patriots tem seu calcanhar de Aquiles na defesa. Apesar de bons números – equipe que menos cede pontos por jogo na liga (15.6) e 4ª melhor contra o jogo corrido (88.6 jardas por partida), tal fator deve-se em grande parte às “goleadas” aplicadas durante a temporada regular, a exemplo de Texans, Jets e Broncos. Se levarmos em consideração outros pontos, a realidade é um pouco menos fantasiosa. A equipe ocupa apenas a 16ª posição em sacks cometidos e a 15ª em interceptações, sem contar na pífia 31ª posição em tackles (total). Quanto à defesa contra o jogo terrestre, de acordo com a Football Outsiders, o Patriots ocupa a 11ª posição e a 26ª contra a proteção ao passe. Portanto, a linha defensiva não tem o mesmo destaque que a ofensiva, se mostrando fraca em pressionar o QB adversário e deve ser bastante explorada na partida de sábado.

A partida válida pelas semifinais de conferência tem tudo para ser um excelente matchup entre o ataque do Patriots contra a muralha defensiva do Texans. Resta saber se os visitantes vão repetir a péssima atuação da semana 3 da temporada regular, quando perderam por 27 a 0 e se despedir da chance de vencer o Super Bowl em casa, ou se terão aprendido os caminhos para enfrentar essa máquina de vencer que é o Patriots.

Jogadores chave da partida: Tom Brady, Julian Edelman, Martellus Bennett.


Atlanta Falcons

O ataque mais feroz da liga. Esse é o Atlanta Falcons, campeão da NFC Sul com uma campanha de 11 vitórias e 5 derrotas, 2ª seed da Conferência Nacional, atrás apenas do Dallas Cowboys. Após descansar na rodada de Wild Card (bye), o Falcons recebe o Seattle Seahawks, que vem de vitória sobre o Detroit Lions, nesse sábado, num duelo válido pelas semifinais de conferência.

Melhor time no quesito pontos marcados por partida (33.8), 2º em jardas por partida (415.8) e terceiro em jardas aéreas por jogo (295.3). Essas credenciais já demonstram que o ataque é o ponto forte da franquia de Atlanta. Foram nada menos que 63 TD marcados na temporada regular, sendo 38 lançados pelo forte candidato a MVP Matt Ryan. O experiente QB completou 373 passes de 534 tentados, alcançando um índice de 69.9% de aproveitamento, foi interceptado em 7 ocasiões e apresenta um rating de 117.1. Números mais do que consideráveis para um QB. Um ponto que chama atenção nessa equipe é a diversidade de opções na hora de conectar passes para TD. Matt Ryan lançou para 13 recebedores diferentes anotarem pontos, sendo o maior pontuador o WR Julio Jones, com 6 TD (o alvo mais frequente – com 129 passes lançados em sua direção). Se levarmos em consideração todos os alvos de Ryan, incluindo os que não pontuaram, o número sobe para 15 recebedores, impressionante marca que dificulta por demais a vida dos adversários, uma vez que tem mais alvos para cobrir.

Complementando o jogo aéreo, o Falcons conta ainda com uma dupla de RB responsável por 19 TD terrestres na temporada regular. Devonta Freeman alcançou 1079 jardas em 227 que levou a bola, o que lhe deixou com uma média de 4.8 jardas por carregada. Já Tevin Coleman correu apenas em 118 ocasiões, para 520 jardas, ficando com uma média de 4.4 jardas por carregada. Importante destacar que os dois jogadores contribuíram também no jogo aéreo, sendo acionados 105 vezes ao todo, e anotando 5 TD de passe. Todos esses fatores levaram a franquia da Georgia a conquistar o topo da liga em pontos marcados (540), muito à frente do segundo colocado – New Orleans Saints (469). Se compararmos com seu próximo adversário, o Seahawks, a diferença fica ainda mais gritante, já que a franquia de Seattle é apenas a 18ª da liga em pontos totais (354), o que dá uma média de 11.7 pontos de diferença por partida!

Se o ataque vai muito bem, obrigado, a defesa, por sua vez, não pode ser alvo de muitos elogios. Dono das piores posições no referido quesito, o Falcons costuma ceder um caminhão de jardas em cada partida, sem contar nos 48 TD sofridos durante a temporada regular(25.4 pontos cedidos por jogo, o que lhe confere a posição de número 27). Com uma média de 266.7 jardas aéreas cedidas por partida, a franquia ocupa a 28ª posição nesse aspecto, assim como a média de 371.2 jardas totais cedidas por partida lhe garantem a 25ª colocação na liga. Essa fraqueza defensiva, que ganha mais evidência na secundária, tem uma leve atenuada quando se discute sacks e interceptações. Apesar de figurar como 16º em sacks (34), o Falcons tem entre seus LB o líder da liga nesse quesito – Vic Beasley, com 15.5 ao todo. Vale ressaltar que o jogador lida com uma lesão no ombro e seu retorno para o jogo contra Seattle é dado como “questionável”. Sem sombra de dúvidas seria um reforço e tanto para essa combalida defesa. Quanto às interceptações, a franquia de Atlanta ocupa a 18ª posição, com 12 roubadas de bola.

Defesa do FalconsAtaque do Falcons

O curioso sobre a defesa do Falcons é que na análise dos jogadores individualmente pela PFF ela não é nem de perto tão fraca quanto os números indicam, sim, pois mesmo em métricas avançadas como no DVOA a defesa do Falcons aparece apenas na 21ª posição com +5,3%. A PFF elegeu a secundária do Falcons como a 6ª melhor da liga, o que é coerente com as avaliações acima e ajuda a ilustrar que o problema da equipe está nos linebackers e pass rush ineficiente – o que é uma pena para o Falcons nessa semana, pois pass rush é justamente a criptonita do ataque do Seahawks.

Na partida de sábado, a fórmula do Falcons é a mesma de todos os jogos: pontuar o suficiente para que sua fragilidade defensiva não lhe custe a partida, ou seja, fazer mais do que tomar. Apostar bastante no jogo corrido para desarrumar a defesa contra big plays. Será ataque versus defesa, Matt Ryan e seu poderio bélico contra a famosa e temida Legion of Boom. Ademais, o torcedor confia na força de seu ataque para avanças às finais de conferência e se pensarmos na instabilidade ofensiva de Seattle, que mescla momentos de grande eficiência com momentos anêmicos (vide derrotas para Packers, Rams e Buccaneers), não será nada difícil vermos o Atlanta Falcons na briga por uma vaga no Super Bowl.

Jogadores chave da partida: Matt Ryan, Devonta Freeman, Julio Jones.


Seattle Seahawks

A equipe de Seattle já é figurinha carimbada nos playoffs nos últimos anos e dessa vez não foi diferente. Com uma sólida campanha de 10 vitórias, 5 derrotas e 1 empate, o Seahawks retomou a hegemonia da NFC West e veio para os playoffs com o 3º seed. Na semana passada a equipe encontrou seu jogo corrido, segurou firme na defesa e com isso não teve grandes dificuldades para passar pelo Lions.

O time de Seattle é novamente uma das melhores defesas da liga, sendo a 3ª no geral. A defesa contra o passe a Legion of Boom não está tão dominante quanto nos últimos anos, sendo apenas a 8ª defesa contra o passe e a defesa corrida se encontra em posição similar, na 7ª colocação. É justamente do equilíbrio entre todas as partes da sua defesa que o Seahawks tiram suas forças e fazem com que a soma das partes seja maior do que cada uma em separado. Considerando-se as estatísticas avançadas, a equipe tem um DVOA defensivo de -7,0%, ficando apenas na 10ª colocação. A ausência do excelente Earl Thomas é algo que com certeza será sentido, especialmente contra uma equipe que consegue explorar bolas longas e que tem um WR dominante como Julio Jones.

Defesa do SeahawksAtaque do Seahawks

Os problemas do Seahawks começam no outro lado da bola, ou seja, no ataque. Nas estatísticas gerais a equipe é a 18ª no conjunto ofensivo, sendo a 10ª no passe e a 25ª no jogo corrido. Essa queda monstruosa na produtividade do jogo corrido não está associada apenas à saída do grande Marshawn Lynch. Basta olhar a figura acima para constar que o time de Seattle tem uma das piores linhas ofensivas da liga o que explica boa parte dos problemas do jogo corrido e o que torna a vida Russell Wilson das mais complicadas nas tentativas de passe. O DVOA do ataque é de -2,5%, o que é apenas a 17ª posição na liga. Felizmente Wilson parece plenamente recuperado dos problemas que afetaram sua mobilidade no começo do ano, pois mesmo contra o nada assustador pass rush do Falcons, é bem provável que o QB precise continuar a fazer seus malabarismos para evitar sacks, hits e todos os problemas que acontecem quando os defensores adversários correm alegremente na sua direção sem praticamente qualquer oposição.

Enfrentando o poderoso ataque do Falcons, o ideal para o Seahawks seria manter o jogo no chão, controlar o relógio e manter sua defesa descansada para que esta aguente o jogo todo. Quem assistiu ao jogo de Packers e Giants na semana passada tem um ótimo exemplo da diferença entre uma boa defesa inteira fisicamente para uma exausta, bastando se lembrar e comparar o 1º quarto com o último quarto.

Jogadores chave da partida: Russell Wilson, Thomas Rawls, Steven Terrell (que deverá ser amplamente testado pela equipe do Falcons).


Essa matéria foi escrita à 4 mãos com o grande Paulo Henrique!


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Igor Seidl conheceu a NFL com o SB XXVII, mas só voltou a assistir seriamente a partir de 2008. Desde então, busca aprender mais sobre o esporte. É editor da Liga dos 32, produz uma matéria semanal e faz revisões. No twitter: @igorseidl