Os QBs que ninguém imaginava que estariam jogando nesses playoffs

2 de janeiro de 2017
Tags: Arthur Murta, dolphins, matérias, raiders, texans,

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Dizem por aí que o jogador mais importante em um time de futebol americano é o quarterback e o segundo jogador mais importante é o quarterback reserva. Exagero ou não, parece que Murphy com suas leis inconvenientes resolveu testar o ditado que diz que se algo pode dar errado, ele geralmente dará errado. Metade dos times da AFC poderão recorrer aos seus QBs reservas nesses playoffs, isso quando não for o reserva do reserva indo a campo na partida mais importante do ano.

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mcgloin-confused-broncos-apA torcida do Raiders amargou um triste presente no último natal quando viu seu “Messias” Derek Carr sucumbir. Para o seu lugar havia a nada encorajadora perspectiva de contar com Matt McGloin, jogador não draftado em 2013 que não começava um jogo de titular desde o seu ano de calouro. Na semana 17 ele teve a oportunidade de realizar sua sétima partida como titular e o desenrolar da história não poderia ser pior: um começo de jogo errante onde perdeu alguns arremessos fáceis e coroado por uma lesão no ombro que forçou o calouro Connor Cook a assumir as rédeas do time. Cook até mostrou uma maior qualidade que McGloin, apresentando alguns bons passes e uma boa mecânica nos arremessos, ele completou 14 de 21 passes para 150 jardas e 1 TD. Como esperado de um QB jogando pela primeira vez na NFL, Cook também cometeu muitos erros: uma interceptação e dois fumbles, um deles não foi recuperado. Difícil saber se McGloin estará disponível no jogo do próximo sábado, mesmo se estiver não sabemos se o técnico Jack Del Rio optará por ele ou pelo calouro, sabemos que nenhum dos dois é algo próximo de Derek Carr.

usatsi_9754864_168380823_lowres-810x524Para a sorte do Raiders o seu adversário também está passando por apuros com sua situação de QB. Podemos dizer que nenhum time nos playoffs teve tantos problemas com quarterbacks ao longo do ano como teve o Houston Texans. Brock Osweiler foi contratado a peso de ouro para ser a solução de Houston, mas conseguiu acabar com a paciência do torcedor e do treinador com seus 15 TDs e 16 interceptações ao longo do ano. Bill O’Brien ignorou o salário de Brock e o mandou para o banco, testando então Tom Savage, que rapidamente mostrou algo que Osweiler não tinha mostrado o ano inteiro: vontade de conectar passes com a principal arma do time – DeAndre Hopkins. Seria um exagero enorme dizer que Savage vinha bem, de fato ele ainda não passou para nenhum TD em sua breve carreira, mas pelo menos não foi interceptado também. Mas o velho Murphy garantiu que Houston teria mais um problema quando Savage sofreu uma concussão no início do jogo contra o Titans no último domingo. Osweiler viu o seu caminho pavimentado para um retorno triunfal e fez um dos seus melhores jogos no ano (o que francamente não diz muito). Savage dificilmente conseguirá jogar no sábado, devido ao rigoroso protocolo de concussões da NFL, então parece que teremos o ex-titular reassumindo seu posto, não da forma que gostaria, mas ainda assim tendo mais uma oportunidade de mostrar seu valor no maior palco possível.

5408ee47f0d0b-imageE o Dolphins é o terceiro time nas finais da AFC que terá um QB fazendo seu primeiro jogo de pós-temporada da carreira. Ryan Tannehill ajudou o time a conquistar sua primeira vaga nos playoffs desde a temporada de 2008, mas teve uma lesão no joelho que a princípio parecia mais grave do que realmente foi. Seu substituto é Matt Moore e é o QB mais experiente entre os possíveis quarterback-surpresas nesses playoffs. O veterano que já jogou 28 partidas como titular em sua carreira foi titular nas últimas 3 partidas do Dolphins e conseguiu mais sucesso que os demais jogadores abordados por aqui: foram 8 TDs e 3 interceptações. Ainda é incerto quem será o QB do Dolphins na partida decisiva do próximo domingo, Tannehill pode voltar a treinar essa semana e talvez tenha condições de enfrentar o Pittsburgh Steelers.

E quais as chances desses caras fazerem barulho nos playoffs?

Parece que o tal do velho Murphy resolveu aprontar até com esse que vos escreve. Até ontem essa matéria estava muito mais simples de ser feita, tinha até conseguido esse belo gráfico (imagem abaixo) que encaixaria como uma luva na narrativa e na tarefa de analisar as chances de McGloin, Savage e Moore na semana de Wild Card. Só que com as lesões dos substitutos e uma possível volta de Tannehill, as possibilidades de QBs que jogarão por todos esses times duplicaram. Mas mesmo que joguem Tannehill, Cook ou Osweiler, é importante ressaltar que algo não muda nesse gráfico: nenhum desses QBs foi titular em jogos de pós-temporada.

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Uma coisa é certa, alguém terá que vencer na partida entre Connor Cook/Matt McGloin x Brock Osweiler/Tom Savage. Mas analisando caso a caso o Raiders tem uma ladeira mais íngreme para subir. O Houston Texans chegou nos playoffs APESAR de um desempenho fraco de seus QBs ao longo do ano, o time tem uma defesa forte e um jogo corrido bem encaixado com Lamar Miller. Outro fator que está jogando do lado do Texans é o mando de campo. O time de Houston só perdeu uma partida em casa esse ano.

Já o Raiders é um time muito mais dependente de Derek Carr. Com uma defesa que cede muitas jardas e pontos por jogo, Carr foi responsável por uma série de viradas nos finais do jogo. Ele conseguia manter as esperanças do time vivas independente do buraco que o time se afundasse no placar. Cook parece ser a melhor opção do ponto de vista técnico, mas isso não anula o fato que ele nunca foi titular de nenhuma partida na NFL, considerando os jogos de temporada regular também. A chance do Raiders se sobressair no sábado é contando com um jogo corrido forte e com a esperança da defesa forçar alguns turnovers.  Só que do outro lado está a defesa que cedeu menos jardas por jogo nessa temporada, muito mais do que a questão de quem joga, o impacto psicológico da perda de seu comandante é muito mais grave do que para os outros dois times.

O Dolphins é o time que perde menos caso seu titular não jogue, e isso não é desmerecendo Tannehill. É uma questão da forma que o time ganhou seus jogos e também dos pontos fracos de seu adversário. Miami recebeu o Steelers na semana 6 e conseguiu uma surpreendente vitória por 30 x 15. Naquele jogo Tannehill foi bem, acertando 24 de 32 passes para 252 jardas, sem ser interceptado e sem passar para nenhum TD. Mas quem ganhou aquele jogo para o time da Florida foram as suas trincheiras e seu jogo corrido: Jay Ajayi explodiu naquela partida com 204 jardas e 2 TDs e a defesa contra a corrida conseguiu conter Le’Veon Bell. Big Ben teve um dia apagado em que ele se machucou durante o jogo e atuou segurando as dores. Mas mesmo considerando isso, o seu desempenho já não era bom antes de se machucar naquele dia. Dessa vez a tarefa do Dolphins será mais difícil, jogar contra o Steelers fora de casa nos playoffs não é o confronto dos sonhos de ninguém, mas a fórmula para a vitória foi desenhada na semana 6 e mesmo que Tannehill não jogue o time sabe o que precisa fazer para conseguir sua primeira vitória na pós-temporada desde o dia 30 de dezembro de 2000.

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Imagino que os torcedores desses times estejam coçando a cabeça preocupados com os comandantes dos seus times no jogo mais importante do ano, mas em um momento difícil como esse eu tenho uma mensagem encorajadora para vocês: Trent Dilfer foi campeão de um Super Bowl. #ChupaMurphy

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Arthur Murta conheceu a NFL em 2005 e, desde que pisou no Ralph Wilson Stadium, nunca mais foi o mesmo. Além de uma matéria semanal, também é responsável pela coluna Dicas de Fantasy e co-apresenta o Podcast Liga dos 32. Arthur gosta de fantasy football mais do que gosta de sorvete. Twitter: @murtaarthur