sexta-feira, 13 de Abril de 2018

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A reunião anual dos donos das franquias apresentou uma mudança que era pedida por muitos e que deve trazer grandes impactos para a liga: a regra de recepção. Mas afinal, a regra antiga era tão ruim e complicada a ponto de justificar a alteração? E essa mudança vai realmente trazer benefícios para o jogo?

Analisando a regra antiga, a recepção era composta por 3 passos:

  1. Ter controle da bola.
  2. Ter os dois pés ou outra parte do corpo que não sejam as mãos dentro de campo.
  3. Uma das duas situações abaixo:
  • Se tornar um corredor.
  • Sobreviver ao contato com o solo mantendo o controle da bola (independente se o recebedor cair dentro de campo, fora dele ou na endzone) e sem utilizar o solo para manter o controle da bola.

Esqueçam o termo football move, ele saiu do livro de regras em 2015. A recepção é (ou melhor, era) composta por estes 3 pontos. A regra estava longe de ser complicada como é pregado por muitos e existem motivos para ela haver sido configurada dessa forma. E convenhamos, em 99.5% dos casos ela não causava uma vírgula de discussão.

A nova regra proposta pela liga e aprovada por unanimidade pelos donos da franquia ainda deverá ser melhor redigida para a reunião de maio, mas tem a seguinte base para o que é uma recepção:

  1. Ter controle da bola. – Nenhuma dúvida aqui. O recebedor precisa, primeiramente e obviamente, receber a bola.
  2. Ter os dois pés ou outra parte do corpo dentro de campo. – Novamente tudo claro, o recebedor deve estar dentro de campo para ser uma recepção válida.
  3. Uma das situações abaixo
  • Se tornar um corredor – Nada novo.
  • Fazer um movimento de projeção do corpo para ganhar jardas. – Basicamente, a ação de “se esticar” com a bola em mãos será um critério que valida a recepção.
  • Ter a capacidade de fazer um dos pontos anteriores. – Talvez o maior ponto de preocupação da nova regra.

Existem 3 grandes preocupações que esta alteração pode despertar e que podem impactar muito no andamento do jogo, possivelmente de uma forma não muito boa.

Confira aqui quais regras foram alteradas na reunião dos donos das franquias!

Turnovers

No momento que o jogador tiver a bola em mãos e começar a fazer o movimento de alongar o corpo para ganhar mais jardas, a recepção estará completa. Até mesmo quando ele tiver a bola e ter a capacidade de fazer esse movimento (seja lá o que isso significa) já será uma recepção. Ou seja, caso ele perca a posse de bola nesse momento será um fumble. Se ele se esticar, cair no chão e soltar a bola, o que antes seria um passe incompleto por ele não sobreviver ao contato com o solo agora será um possível turnover.

Essa sutil mudança com certeza também irá alterar a forma com que a defesa atacará os recebedores. Um coordenador defensivo esperto vai mandar seus jogadores iniciarem tackles ou atacarem a bola no momento que o jogador tiver os dois pés no chão, justamente para forçar um turnover. Há quem defende que um fumble é divertido, que traz emoção para a partida. Porém tudo que é demais não é bom. E não seria interessante ter que mudar o significado da sigla da liga para National Fumble League.

Segurança

A sessão de faltas pessoais no livro de regras da NFL cita situações nas quais os jogadores estão sem a capacidade de se defender e, caso sejam atingidos em uma dessas situações, o resultado é uma falta pessoal. Uma das citações considera um jogador indefeso quando ele ainda não completou o processo de recepção de um passe, ou quando recebeu e ainda não conseguiu se proteger. Na regra antiga, completar a recepção seria se tornar um corredor ou sobrevier ao contato com o solo, sendo ambas situações que levam o jogador a se proteger, ou pelo menos se tornar menos vulnerável.

Com essa nova regra caso o jogador tenha a bola em mãos e projete seu corpo (ou tenha a capacidade de fazê-lo) já será considerado um passe completo, mas não de uma forma que leve ao jogador tentar se proteger. Muito pelo contrário, ao tentar ganhar mais jardas ele se tornará ainda mais vulnerável. Como funcionará a regra de falta pessoal nessa situação só descobriremos na pré-temporada. Vide que, com certeza, os jogadores da defesa tentarão forçar um turnover no momento que perceberem que houve uma recepção.

Aplicabilidade

Talvez o ponto mais crítico dessa nova regra. Fale bem ou fale mal, a regra antiga podia ser aplicada como estava no papel para virtualmente todos os casos. Tanto que as discussões sempre foram sobre a regra em si, e nunca sobre ela ter sido aplicada de forma correta ou não. Já esta nova regra, pelo menos nesse texto inicial, apresenta um problema de cara na sua última frase: a capacidade de fazer o movimento (seja de projeção ou de se tornar um corredor).

Este ponto é altamente subjetivo, o que já prejudica a aplicabilidade da regra na prática. O que significa essa “habilidade de fazer o movimento”? Seria ter a bola firme por algum tempo? Se sim, por quanto tempo? Ou seria começar o movimento de correr ou projetar o corpo? Mas como pode ser definido que o jogador está começando o movimento, ou que tem capacidade de fazê-lo? São apenas alguns dos questionamentos que esse simples trecho na regra pode trazer. E o texto que antes era capaz de ser aplicado sem nenhuma dúvida agora não é mais.

Apenas o tempo dirá se a nova regra realmente irá melhorar a dinâmica e entendimento do jogo e quais os impactos que ela irá trazer. Mas as possíveis implicações negativas são relevantes e não podem ser ignoradas. Algumas delas poderão ser respondidas em maio, mas somente em setembro na pré-temporada que começaremos a ter uma resposta definitiva.


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