quarta-feira, 14 de março de 2018

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Existe um ditado que diz que na vida nada se cria, tudo se copia. No mundo da NFL, essa máxima apresenta grande validade. Para ficarmos em alguns exemplos recentes, após o sucesso do Patriots com formações que usavam 2 TEs, diversos times apostaram nesse mesmo modelo. Da mesma forma, o ótimo Seahawks que chegou em dois Super Bowls seguidos modificou o protótipo de CB procurado pela maior parte das franquias ao trazer jogadores altos, de braços longos e muito físicos na linha de scrimmage. Com o atual campeão Philadelphia Eagles a história parece já estar se repetindo e o aspecto copiado tem nome: trocas.

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Ao longo de sua campanha em 2017, o Eagles viu seu General Manager, Howie Roseman, adquirir três peças muito importantes para o título por meio de trocas. Foram acordos pelo DT Timmy Jernigan, CB Ronald Darby e RB Jay Ajayi que contribuíram para a formação de um elenco muito profundo e capaz de superar a lesão de seu quarterback titular rumo ao título. Apesar de outros times como o Patriots de Bill Belichick terem usado este artifício por muitos anos, foi o trabalho de Roseman que proporcionou o que foi visto no período de pouco mais de um mês que se passou desde o final da última temporada.

Nunca antes na história da NFL tantas trocas foram feitas em um espaço de tempo tão curto. Ainda mais se considerarmos que o ano fiscal da liga ainda não tinha começado. Foram 11 delas, incluindo quatro feitas pelo Cleveland Browns em um período de menos de 24 horas. Dessa forma, parece que o verdadeiro potencial das trocas foi descoberto por alguns times e que este é o início de uma tendência de crescimento de transações desse tipo.

Mas o que quero dizer quando falo que o verdadeiro potencial das trocas foi descoberto? Primeiramente, é preciso reparar que as equipes evidentemente valorizam mais escolhas de Draft do que jogadores veteranos. Seleções no recrutamento de calouros são tratadas como ouro, enquanto muitos atletas são movidos sem muita resistência. Dois exemplos desse fato puderam ser presenciados nessa última janela, nas movimentações que levaram o DE Michael Bennett ao Eagles e o CB Aqib Talib ao Rams, ambos pelo pequeno preço de uma quinta rodada. Tanto Bennett quanto Talib eram peças muito importantes de seus times e têm carreiras de alto nível até o momento e, por mais que já estejam em uma fase de declínio atlético, ainda podem ser muito produtivos e úteis para suas novas equipes. Isto torna suas aquisições verdadeiras barganhas por parte de franquias que procuram competir por títulos imediatamente.

Para ajudar a corroborar a tese do valor das trocas, uma ferramenta interessante é o método chamado Approximate Value (Valor Aproximado), criado pelo site Pro Football Reference. Ele tem como objetivo designar um valor numérico para os jogadores individualmente em cada temporada de acordo com suas participações na mesma. Apesar de não ser uma estatística infalível, ela serve como um bom parâmetro para representar o desempenho de um atleta ao longo de sua carreira. No gráfico abaixo, cada ponto representa o AV acumulado ao longo da carreira de um jogador de acordo com a escolha na qual ele foi selecionado no Draft. A linha azul indica a linha de tendência de todos os dados do gráfico.Por meio do gráfico, é possível perceber a disparidade de valor médio de uma escolha primeira rodada para uma a partir da quarta. Isso já serve para representar que todo o peso dado pelas franquias para uma seleção no terceiro dia do Draft provavelmente é exagerado e estes recursos poderiam ser melhor utilizados.

Ao elencar a maior parte dos bons titulares selecionados na quinta rodada ao longo dos últimos cinco anos, conseguimos encontrar nomes como Jordan Howard, Tyreek Hill, Grady Jarrett, Stefon Diggs, Jay Ajayi, Telvin Smith, Corey Linsley, Adrian Amos, Ricky Wagner e Micah Hyde e alguns outros atletas úteis, como Jesse James, Avery Williamson, Ricardo Allen, Kenny Stills, Chris Thompson Devon Kennard, Matt Judon, Alex Collins, Anthony Zettel, Matt Ioannidis, Halapoulivaati Vaitai, Desmond King e Jake Elliott. Apesar de ótimos jogadores estarem na lista, eles representam uma ínfima taxa de acerto próxima de 6 % para contribuintes acima da média nesse ponto do Draft, que sobe para pouco mais de 10% quando ampliamos o escopo de aceitação para todos aqueles capazes de auxiliar um time com uma boa quantidade de snaps de qualidade. Além disso, considere quantos deles levaram uma ou duas temporadas para evoluírem e alcançarem o nível que têm agora.

Poderiam argumentar que não se espera que uma seleção de quinta rodada seja uma estrela, mas se fosse possível garantir que um jogador de alto nível seria adquirido por esse mesmo preço, pareceria preferível possuir um talento como Talib ou Bennett no time, o que possivelmente traria um resultado imediato melhor do que investir em um ativo muito incerto, com baixo índice de sucesso. Basta pensar: quantas escolhas de quinta rodada em 2018 terão desempenho melhor do que o dos dois veteranos? Se tudo ocorrer dentro da normalidade e ambos ficarem saudáveis, a resposta provavelmente será um valor muito pequeno, talvez um ou dois, que ainda teriam poucas chances de cair em seu time.

Obviamente, essa não é uma estratégia para ser adotada por todo e qualquer time. Uma franquia apertada em sua folha salarial normalmente deve preferir o alívio que o contrato muito abaixo do valor de mercado que uma escolha de quinta rodada traria do que um pesado salário de um veterano consagrado. Mesmo assim, ainda é possível encontrar boas condições para trocas.

Também vale ressaltar esta estratégia de trocas constantes sob o ponto de vista do Browns, que moveu diversas escolhas de Draft para trazer um maior volume de talento para seu plantel. Para a franquia de Cleveland, a adoção desse modelo tem relação com o fato de ter muita munição no recrutamento e de trocas serem uma maneira mais direta de adquirirem jogadores acima da média, que muitas vezes não olhariam com tanto carinho para uma equipe que vem de uma temporada sem vitórias se estivessem no mercado.

Dessa forma, como GM de um time com bastante espaço para gastar ou com alguma folga e um elenco pronto para disputar no alto nível, sobretudo com a presença de um QB em seu vínculo de calouro, que é a maior vantagem competitiva da NFL atual quando o passador é de qualidade, realizar constantes trocas que envolvam as escolhas da quinta rodada em diante parece ser uma estratégia muito interessante para montar um plantel recheado de talento e preparado para competir de maneira imediata, mas sem necessariamente comprometer o futuro do time, uma vez que as principais seleções no Draft permaneceriam intactas. Essa foi abordagem que o Eagles iniciou e o Rams acompanhou com aparente sucesso até agora e que promete trazer uma grande mudança na forma como as equipes fazem a gestão de seus recursos na hora de adquirirem novos jogadores, ao revelar qual seria o verdadeiro poder das trocas.

Qual a opinião de vocês sobre as trocas? Acreditam que elas eram subutilizadas e que agora tiveram seu valor finalmente descoberto?


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