quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

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Antes desse jogo válido pela semana 15 da temporada 2017, o Pittsburgh Steelers tinha vencido apenas dois dos últimos 10 jogos contra o New England Patriots. O restrospecto na pós-temporada é ainda pior já que o Steelers nunca conseguiu bater a franquia liderada por Tom Brady desde que ele assumiu o posto de quarterback titular. O argumento contra esse tipo de levantamento de confrontos é sempre o mesmo: cada jogo é um jogo, são outros jogadores e uma nova história. Obviamente, isso é verdade. Todavia, a história pesa, principalmente quando um dos times comete os mesmos erros seguidas vezes em todas as partidas.

Sempre foi esse o ponto principal quando analisava-se mais uma derrota do Steelers para o Patriots. Mike Tomlin insiste em colocar sua defesa em cobertura por zona, facilitando a vida de Tom Brady para que ele explore os espaços entre as zonas designadas de marcação e, basicamente, vá matando a franquia de Pittsburgh aos poucos. Um first down de cada vez. Não que tenha sido o único fator que levou o Patriots a bater a equipe inúmeras vezes seja na temporada regular ou nos playoffs – do outro lado estava um grande adversário -, mas sem dúvidas foi uma decisão técnica que não colocava a defesa do Steelers na melhor posição para tentar limitar Brady e cia.

Parece que finalmente Tomlin aprendeu a lição, pois utilizou bastante a marcação homem a homem nesse último jogo entre as duas melhores franquias da AFC no momento. No que era um jogo decisivo para as pretensões de ambos de encaminharem a classificação como cabeça de chave número um, o Steelers abriu mão do uso frequente da marcação por zona para jogar mais no homem a homem, o que rendeu bons momentos para o setor defensivo. A interceptação de Brady, por exemplo. Além disso, foi possível neutralizar praticamente todas as armas ofensivas de New England, exceto por Gronkowski. Já foi um grande avanço, considerando o que a defesa do Steelers sofria diante dos comandados de Bill Belichick. E essa dificuldade para marcar Gronk pode muito bem servir para que Mike Tomlin e seus assistentes façam ajustes, assim como fizeram no sistema de coberturas para esse jogo.

A marcação homem a homem de Pittsburgh conseguiu, dentre outras coisas, limitar as rotas intermediárias que cruzavam o campo horizontalmente e permitiam que Brady se livrasse da bola rapidamente, achando através delas espaços entre as zonas de marcação. Não é aconselhável mandar blitz para cima do quarterback do Patriots porque ele cresce nessas situações e tem um desempenho fora do comum. O segredo é fazer o que o Broncos fez na final da AFC da temporada 2015 – marcação homem a homem e pressão com quatro jogadores no pass rush. O Steelers caminhou nesse sentido e colheu bons frutos. Gronk é um jogador que não pode ser anulado, mas tão somente limitado. Cabe ao time estudar o que pode fazer e como conseguir um duelo mais favorável para a sua defesa contra o astro.

Uma coisa que persegue o Pittsburgh Steelers contra o Patriots são as lesões. Pior que isso, lesões ou suspensões de jogadores importantes. Le’Veon Bell já perdeu duelos contra New England por suspensão e por lesão, Martavis Bryant já ficou de fora por suspensão em 2016 e agora foi a vez de Antonio Brown se machucar durante o jogo. Por mais que seja um ataque recheado de talento, para vencer o Patriots é preciso ter os grandes nomes em boas condições. Especialmente em uma possível final da AFC entre eles que muito provavelmente aconteceria em Foxboro, graças ao resultado desse jogo tão fundamental.

Le’Veon Bell mostrou que o front seven do Patriots precisa oferecer mais resistência se quiser pará-lo. E fez isso sem a ameaça chamada Antonio Brown em boa parte do jogo. Foram 24 corridas para 117 jardas, sem contar as 48 jardas aéreas. Martavis Bryant e JuJu Smith-Schuster mostraram novamente que têm capacidade de aparecer em jogo grande e contribuíram diretamente para que o confronto fosse equilibrado até o fim como líderes do time em jardas recebidas. Isso é algo extremamente valioso e vai além dos números, pois conseguir se destacar diante de um esquema de Belichick feito para tirar o, talvez, melhor recebedor da NFL da partida – como ele costuma fazer contra as grandes armas do oponente – é digno de muito destaque.

E por falar nesse aspecto, o treinador do Patriots seguiu com a mesma estratégia que ele tem adotado quando quer anular um WR1 (que até a lesão era Antonio Brown). O cornerback principal da equipe fica responsável pelo WR2 e o cornerback número 2 mais um safety ficam na marcação do melhor recebedor do adversário. Sendo assim, em muitos snaps vimos Gilmore cobrindo Martavis Bryant e Malcolm Butler e um safety em cima de Antonio Brown.

Nem sempre será possível contar com Antonio Brown vencendo constantemente uma marcação dupla. Isso é difícil mesmo para o melhor wide receiver da NFL na atualidade. Então, o Steelers precisa ver Martavis Bryant batendo sua marcação, especialmente no mano a mano, para dar uma opção constante a Ben Roethlisberger. E foi justamente isso que aconteceu, com a vantagem de ainda terem em JuJu outro recebedor capaz de gerar duelos favoráveis ao ataque.

Por fim, é preciso mencionar o quarterback do Steelers. Ben Roethliberger vem jogando em alto nível nesses últimos jogos da equipe e isso, por si só, já credencia Pittsburgh a ser um adversário bem difícil de ser batido em Janeiro. O fato de ele ter um excelente “elenco de apoio” só piora a situação de quem precisa enfrentá-los. O nível de Big Ben atualmente, bem como a vontade de vencer que ele demonstra são dois fatores que não eram vistos há um bom tempo e são um bom sinal para os torcedores. O confronto da semana 15 entre Steelers e Patriots foi em Pittsburgh e mesmo em casa não deu. Em um possível duelo entre os times em Janeiro, em Foxboro, o time de Big Ben vai precisar de um algo a mais para vencer e ter Antonio Brown recuperado pode ser justamente isso.


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