O que mudou no Buffalo Bills?

3 de outubro de 2016
Tags: Arthur Murta, bills, matérias,

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Depois de começar com duas derrotas nas duas primeiras partidas: um jogo apertado em Baltimore e um vexame no TNF diante do Jets, o Buffalo Bills parecia ter chegado ao fundo do poço.  O coordenador ofensivo Greg Roman foi demitido e muitos acreditavam que o técnico Rex Ryan estivesse bem encaminhado para ter um destino parecido antes do término da temporada.

Só que aí aconteceu o jogo contra o Arizona Cardinals na semana 3 em Buffalo. Recebendo o poderoso ataque liderado por Carson Palmer e David Johnson, as expectativas eram que o filme do jogo contra o Jets fosse repetido. No TNF a secundária de Buffalo teve um dia pavoroso contra onde viu Ryan Fitzpatrick brilhar, só para o barbudo ex-Bills sofrer 9 interceptações nos dois jogos seguintes. A troca no comando do ataque, aliado as ausências do WR Sammy Watkins, do LT Cordy Glenn e do CB Ronald Darby aumentavam a desesperança com um resultado positivo do Bills. Mas foi justamente aí que a história começou a virar.

A defesa de Buffalo até tinha feito um bom jogo contra o Ravens, só que a derrota para o Jets da forma que foi levantou uma série de dúvidas sobre a unidade. No jogo contra o Cardinals a defesa conseguiu segurar o ataque de Arizona que só foi conseguir o seu primeiro first down na sua 6ª posse de bola, quando o Bills vencia por 17 a 0. Buffalo acabou vencendo por 33 a 18 um jogo em que forçou 5 turnovers, incluindo 4 interceptações de Carson Palmer.

No jogo contra New England na semana 4 a equipe manteve uma pegada parecida. Patriots só foi conseguir seu primeiro first down na sua quarta posse de bola e o Bills já tinha conseguido anotar ponto em seus três primeiros drives, todos eles drives bem sustentados e com mais de 10 jogadas. Isso era algo impensável para o time que tinha sofrido mais 3 and outs em toda a liga nas duas primeiras partidas. Algo também impensável era o time do Patriots não fazendo nenhum ponto dentro de seus domínios pela primeira vez desde 1993.

Hoje vamos analisar o que mudou no ataque do Bills com a saída de Greg Roman e a promoção de Anthony Lynn e o que tem funcionado na defesa do time:

O QUE MUDOU NO ATAQUE DO BILLS COM ANTHONY LYNN:

NFL: Arizona Cardinals at Buffalo Bills

Greg roman é um dos coordenadores ofensivos mais criativos da liga, é um cara que sempre procura formas criativas de explorar os pontos fracos de uma defesa adversária. Só que ele não estava levando tanto em consideração as forças da própria equipe. LeSean McCoy não vinha sendo bem utilizado e ele parecia insistente em explorar os passes em profundidade do Taylor, deixando de lado sua principal qualidade que é sua capacidade atlética. A demissão de Roman foi uma surpresa para os torcedores, mas ela veio depois de uma conversa entre os donos do time e os principais jogadores do ataque. O próprio time deu o aval para que Rex Ryan continuasse no comando e que – o então técnico de RBs – Anthony Lynn assumisse o comando do ataque.

A primeira coisa aqui é conhecer Anthony Lynn, o novo coordenador ofensivo do time é um ex-RB e já até foi campeão do SB com o Broncos de John Elway e Terrell Davis. Teu nome não é muito conhecido no meio dos torcedores, mas ele já foi entrevistado para três vagas de Head Coach e tem um prestígio ao redor das franquias. Sendo ex-jogador ele tem uma visão do jogo diferente de Greg Roman, um cientista do esporte.

Uma mudança inicial de Lynn foi simplificar o complexo playbook de Greg Roman. Antes o Bills tinha a disposição cerca de 90 jogadas para usar em cada partida, com Lynn no comando as jogadas ensaiadas por semana caem para cerca de 40 jogadas. Isso faz com que os jogadores consigam praticar mais repetições nos treinos e cheguem com mais confiança para as partidas. A execução ofensiva melhorou significativamente com esse esquema simplificado.

E o outro fator que mudou é a disposição dos jogadores que parecem estar bem mais confortáveis no ataque. O time tem priorizado estabelecer LeSean McCoy cedo nos jogos e isso tem sido recompensado: nos dois primeiros jogos Shady McCoy havia corrido 31 vezes para 117 jardas e 1 TD (3,8 jardas por corrida) e recebido 8 passes para 43 jardas. Nos jogos com Lynn no comando McCoy correu 36 vezes para 180 jardas e 2 TDs (5 jardas por corrida) e recebeu 9 passes para 44 jardas com outro TD.

Tyrod Taylor teve muita liberdade para usar as pernas na partida contra o Cardinals e ajudou o time a conquistar mais de 200 jardas corridas naquele jogo adicionando 76 com seus próprios pés. Já na partida contra o Patriots era sabido que o gameplan precisaria ser outro: nos dois confrontos anteriores contra New England, Belichick não mandou muitas blitzes e forçou Taylor a ficar no pocket e ganhar as jardas com o braço. Taylor não fez números absurdos em New England, mas continuou protegendo bem a bola e foi extremamente eficiente passando, especialmente no início do jogo. Algo difícil de imaginar  considerando que o Bills perdeu seu melhor recebedor, Sammy Watkins – que talvez nem volte a jogar esse ano. No seu lugar Robert Woods fez uma grande partida chamando a responsabilidade e fazendo 7 recepções para 89 jardas, sendo algumas em momentos cruciais onde se fazia necessário mover as correntes. Woods não é um recebedor muito atlético, mas é um ótimo corredor de rotas e consegue achar espaços no meio das defesas em zona com frequência.

Sem Sammy Watkins os TEs também vêm sendo mais procurados. Charles Clay é um exímio bloqueador, mas seu potencial de playmaker não vinha sendo muito bem utilizado, ele ganhará mais espaço agora, Nick O’Leary é um TE recebedor que em seu segundo ano parece estar sendo mais incorporado ao ataque.

A linha ofensiva também é muito boa, especialmente após a volta do LT Cordy Glenn que havia se lesionado na semana 1. Formada por jogadores que gostam de se impor fisicamente, como o LG Richie Incognito, essa linha abriu caminho para o time que liderou a NFL em jardas no ano passado.

O ataque como um todo terá muitas limitações quando estiver em desvantagem e precisar recuperar um placar mais amplo, mas isso não foi o caso nos últimos dois jogos em que o time fez 30 pontos e sofreu 7 nos primeiros tempos dos últimos dois jogos. Isso nos leva a grande força desse time caso eles queiram se colocar como competidores na AFC:

A DEFESA DO BUFFALO BILLS

NFL: Buffalo Bills at New England Patriots

A defesa havia caído muito de produção para os padrões do Rex Ryan, terminando em 19º no ano passado, a única vez que uma defesa de Ryan havia terminado fora do top 10 foi em 11º colocado no ano de 2013. Boa parte da evolução para esse ano era esperado com jogadores mais confortáveis no sistema e outra parte da esperança de renovação vinha do Draft, onde o Bills usou suas três primeiras escolhas para tentar consertar seu front seven: o pass rusher Shaq Lawson, o LB Reggie Ragland e o DT Adolphus Washington. Os três eram cotados para começar jogando desde o primeiro jogo, mas os dois primeiros se lesionaram antes da temporada começar. Lawson pode até voltar na segunda metade da temporada, mas Ragland só retorna no ano que vem.

Menos badalados foram os reforços no período de free agency e duas das grandes surpresas desse time são justamente os jogadores que estão substituindo os calouros: o pass rusher Lorenzo Alexander e o LB Zach Brown. O primeiro faz um ótimo início de temporada jogando de OLB. O viajado jogador não era titular em uma partida desde o ano de 2010, ainda com o Washington Redskins, mas seu desempenho em campo tem sido muito importante. Nos 4 jogos até agora ele compilou pelo menos meio sack em todos os jogos, totalizando 4, com 2 fumbles forçados e 21 tackles. Ele vem sendo muito importante no controle da borda do front seven jogando no lado oposto de Jerry Hughes, que também já coleciona 4 sacks nessa temporada.

No interior da linha defensiva o time está sem o seu melhor jogador, Marcell Dareus, que estava suspenso por essas quatro primeiras semanas da NFL e poderá retornar na semana que vem. Em sua ausência o veterano Kyle Williams vem jogando como se ainda fosse um menino, mostrando muito dinamismo rompendo o interior dos pockets adversários e desfigurando linhas de bloqueio para as corridas. Adolphus Washington é um dos outros coadjuvantes que vêm se destacando na rotação da linha defensiva, junto com Leger Douzable e Jerell Worthy.

Mas nenhum grupo posicional da equipe vem jogando tanto quanto o seu corpo de LBs: Preston Brown teve um segundo ano terrível na NFL em 2015, quando não conseguiu absorver bem as funções de playcaller da defesa, isso mudou nesse ano. Preston está muito confortável chamando as jogadas e comandando seus companheiros. E a grande surpresa aqui é seu “primo” Zach Brown, que chegou do Titans após um início de carreira abaixo das expectativas e está se mostrando um grande playmaker na defesa. Sua capacidade atlética e poder na cobertura eram os fatores que chamaram a atenção para sua contratação, mas nem o mais otimista em Buffalo poderia imaginar o impacto que ele causaria. Zach lidera a NFL com 52 tackles e ainda tendo feito um sack e forçado dois fumbles na partida contra o Patriots. A dupla de Browns está jogando o fino e foram essenciais em conter o jogo corrido de Patriots, tarefa necessária com a presença do calouro Jacoby Brissett no comando.

A secundária do Bills também faz um ano muito bom, com a exceção do jogo contra o Jets onde o time pareceu perder todas as bolas aéreas que vem ganhando ao longo do ano. A dupla de CBs Stephon Gilmore e Ronald Darby viveram um verdadeiro pesadelo no TNF, coincidindo o pior jogo da carreira dos dois na mesma noite. E os safeties de Buffalo – Corey Graham e Aaron Williams – são CBs convertidos e têm jogado muito bem na cobertura, além de serem muito eficientes parando o jogo corrido. Corey Graham foi escolhido o melhor tackleador da temporada passada só tendo errado 3 dos 104 tackles que tentou.

Enfim, antes do início da temporada passada a defesa do Bills era considerada uma das mais fortes da liga e era o motivo para o time ser tido como uma potencial surpresa da competição. Só que a transição do esquema de Jim Schwartz para o esquema do Ryan foi muito dolorosa e o elenco precisou ser ajustado na última offseason. Mas o talento do grupo continua lá e no segundo ano dentro do sistema parecem estar mais a vontade.

Caso o Buffalo Bills queira alçar vôos mais longos essa temporada, o sucesso passará pela defesa. Do ataque espera-se que eles continuem correndo bem e protegendo a bola. É uma incógnita se o time vai manter o desempenho na sequência da competição em que joga em Los Angeles, recebe o 49ers e depois viaja para Miami, mas de qualquer forma os últimos dois jogos contra dois dos competidores que eram mais badalados antes da temporada começar, mostram que o time tem condições de brigar com algum dos melhores times da liga. Uma torcida que já estava começando a pensar no ano que vem, agora vê o seu time bem vivo na competição.

E se pelo lado do Patriots a derrota foi feia, não é nenhum fim do mundo. Se você falasse para qualquer torcedor de New England antes da temporada que seu time terminaria o período sem Tom Brady com 3 vitórias e 1 derrota eles estariam satisfeitos. Mas, se você falasse para um torcedor do Bills antes da temporada que o time estaria 2-2 nesse momento, ele dificilmente acreditaria que essas vitórias seriam contra o Cardinals e o Patriots.

E como vocês já sabem, semanalmente faço uma coletânea das jogadas mais marcantes do final de semana. Sempre com uma ofensiva, uma defensiva e o momento Buttfumble que celebra as trapalhadas da NFL. Você pode encontrar assistir esses lances e todas as partidas da NFL por esse link aqui. Esses foram os escolhidos da semana 4: 

Jogada ofensiva da semana:

Crabtree teve uma atuação de gala onde recebeu 3 TDs, mas nenhum foi tão importante quanto esse que deu a vantagem para o Raiders com 2 minutos de jogo no relógio. Derek Carr está se mostrando cada vez mais decisivo e Crabtree é seu jogador de confiança. Eles já quase tinham entrado nessa lista na conversão de 2 pontos que deu a vitória contra o Saints na semana 1, repetindo a dose não tinha como deixá-los de fora. Crabtree só tem que ter cuidado com o equipamento dos fotógrafos na próxima vez que cair fora do campo.

Jogada defensiva da semana:

Zach Brown foi o grande nome da defesa de Buffalo no primeiro jogo que New England não marca nenhum ponto em casa desde novembro de 1993. Foram 18 tackles, 1 sack e 2 fumbles forçados, nenhum mais importante que esse sofrido por Jacoby Brissett na única viagem que New England fez até a redzone de Buffalo na partida. Um TD ali levaria o jogo em 13 a 7 para o intervalo e o decorrer da partida poderia ter sido bem distinto.

Momento buttfumble:

Uma coisa é fazer um fumble quando você tenta correr com a bola e bate de cara na bunda do seu companheiro de linha ofensiva, outra coisa completamente diferente é você receber um passe com seu time na frente do placar, no último quarto de jogo e sofrer um fumble sem ninguém ao menos encostar em você. Pensando bem o fumble na bunda continua sendo mais grotesco, mas o Chargers de Travis Benjamin está bem encaminhado no rumo das vergonhas com a quantidade de vantagens no último quarto de jogo que eles tem entregado recentemente. San Diego vencia no último período as três partidas que perdeu esse ano.

E quais foram os melhores – e piores – momentos da semana para vocês?

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Arthur Murta conheceu a NFL em 2005 e, desde que pisou no Ralph Wilson Stadium, nunca mais foi o mesmo. Além de uma matéria semanal, também é responsável pela coluna Dicas de Fantasy e co-apresenta o Podcast Liga dos 32. Arthur gosta de fantasy football mais do que gosta de sorvete. Twitter: @murtaarthur