terça-feira, 10 de outubro de 2017

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Para quem acompanha a NFL há um pouco mais de tempo do que eu, por exemplo, o começo desta temporada parece ter marcado o início do fim de uma era gloriosa na história. Em um dos melhores Drafts da história para a posição mais importante dentro do jogo (talvez o melhor), três franquias que cambaleavam na mediocridade fizeram escolhas que mudaram para sempre a história na noite de 24 de Abril de 2004, em Nova Iorque: New York Giants, San Diego Chargers e Pittsburgh Steelers iniciaram ali uma época gloriosa recrutando três jovens Quarterbacks que guiariam seus times pela década que se seguiu e além. Porém, como pode ser visto no começo desta temporada, ninguém pode escapar dos sinais de declínio que o tempo cobra após anos exigindo o máximo de desempenho físico, técnico e mental.

Não foi há três anos atrás que Eli Manning e o Giants derrubaram o então invicto New England Patriots do QB Tom Brady na maior zebra da história do Super Bowl? Mas e Ben Roethlisberger e o Steelers, que apenas duas temporadas atrás impediram o lendário QB Kurt Warner e o Cardinals de conquistar seu primeiro Super Bowl com uma das campanhas mais monumentais do grande jogo nos minutos finais? E o Chargers de Philip Rivers e seu imponente ataque com LaDainian Tomlinson, Antonio Gates (no auge) e Vincent Jackson? Eliminando seguidas vezes o Colts de Peyton Manning em playoffs, tenho certeza que foi na temporada passada!

Mas não, não foi, e o Draft de 2004 parece estar a anos-luz de nós agora. Carson Wentz lidera a gloriosa NFC Leste e Jared Goff se transformou num Quarterback competente com alta possibilidade de evolução nos anos que seguirão. Aaron Rodgers protagoniza duelos lendários contra Dak Prescott enquanto Eli Manning já não consegue dançar dentro do pocket, escapar do sack e ainda assim completar o passe com dois jogadores de 120kg cada pendurados nele como tanto fez na década passada. Jogadores do College Football como Josh Rosen (UCLA), Sam Darnold (USC) e Josh Allen (Wyoming) com certeza entrarão no vocabulário destas equipes nos próximos meses, afinal, como tudo na vida, está chegando a hora da sucessão de trono para os três lendários QBs da classe de 2004. Se você torce para estes times, é bom se familiarizar com estes nomes, afinal, é possível que eles estejam atuando pelo seu time aos domingos em 2018.

Rivers, mesmo vencendo o Giants no último domingo, vem tendo a segunda pior temporada desde que se tornou um titular em 2006: são nove passes para TD contra cinco interceptações e um rating de 86 sendo que a porcentagem de passes completos (59.8) é a menor de sua carreira após cinco partidas. Manning tem um TD a menos e a mesma quantidade de interceptações e tem um rating um pouco maior, de 89.1. Roethlisberger tem seis TDs e sete interceptações (foram CINCO no último domingo contra o Jacksonville Jaguars) combinados para um rating de pouco mais de 75. Para os saudosistas de plantão, as seguintes palavras podem doer: eles são maus QBs e só devem piorar com o tempo.

Falando ainda do QB grandalhão que veio de Miami (Ohio), você sabia que foram 2262 passes seguidos de Roethlisberger sem lançar uma pick-six (interceptação retornada para TD), e no último domingo ele lançou duas em um intervalo de quatro passes? “Talvez eu não tenha ‘isto’ dentro de mim”, declarou Big Ben após ser humilhado pelo Jaguars em casa, numa partida que lançou cinco interceptações. Há de se destacar ao menos a humildade do QB, afinal, só ele e o saudoso Ryan Fitzpatrick podem se gabar (ou não) de terem uma partida com zero passes para TD e cinco interceptações na história da NFL.

Mas este é o mundo da NFL, em que não há 32 pessoas entre mais de sete bilhões que são capazes de serem bons QBs para cada uma das franquias que a compõe. O que nos diz que provavelmente estes jogadores ainda terão chance de lutar contra o tempo e provarem que ainda podem render o mínimo esperado para a outrora dominante classe de 2004 da NFL.

Algumas pessoas odeiam lembrar da mortalidade de lendas esportivas quando estas começam a dar sinais de declínio. Quando aquele atleta que supostamente iria jogar em alto nível para sempre já não consegue entregar o resultado esperado e com isso extirpa qualquer chance de sucesso de sua equipe, o que só torna mais monumental e intrigante quando observamos outros jogadores contrariarem todas as expectativas criadas para si. Quarterbacks como Drew Bress (38 anos) e Tom Brady (40 anos) continuam sendo dominantes mesmo chegando na NFL antes do trio que damos ênfase nesta coluna, Brady, inclusive, é o inegável MVP caso a temporada acabasse hoje, por isso, somos verdadeiros sortudos e privilegiados em assistir a dupla atuar, assim como os mais antigos nisto também puderam acompanhar os gloriosos anos de Eli, Philip e Ben.

Esta é a ordem natural das coisas. Prescott e Wentz ao que tudo indica travarão batalhas para definir a hegemonia na NFC Leste na próxima década e não deverão encontrar muita resistência no Giants enquanto comandado por Eli Manning. Ben Roethlisberger talvez não consiga mais ser competitivo contra o Jaguars jogando em Pittsburgh e Philip Rivers sofrerá com um time medíocre em um estádio alugado que não consegue ocupar 100% dos lugares, levando a quase ser uma partida de campo neutro (ou pior) quando o Chargers atua em LA.

Manning e Roethlisberger ganharam dois títulos de Super Bowl (cada). Rivers, pela carreira consistente e sempre atuando em um nível ao menos aceitável (combinando com anos em que foi elite) pode muito bem sonhar com a imortalização no Hall da Fama do esporte, mas nos dias de hoje, as atuações lamentáveis do trio parecem sinais de que o pior ainda nos aguarda no futuro próximo, e que suas equipes já não podem contar com os atletas para os carregarem rumo à glória.

Todos os três QBs já começam a dar sinais de declínio, e se a situação não melhorar, há uma chance real de todos eles estarem desempregados ao final da temporada, 14 anos após as escolhas monumentais de todos eles na mesma noite, que mudou para sempre não só a história das franquias, mas também da NFL, afinal, exemplos de lealdade, alto rendimento e vitórias praticamente definiram a carreira destes jogadores enquanto profissionais. Times adoram usar QBs na parte final da carreira para fazerem as últimas corridas rumo ao Super Bowl: o próprio Cardinals com Kurt Warner, Vikings com Brett Favre e o Broncos com Peyton Manning obtiveram certo sucesso, com o último caso culminando na glória máxima do esporte. Mas uma mudança de ares nesta altura da carreira deve ser algo muito planejado para não se tornar um fracasso, mas parece a melhor chance para qualquer pretensão do trio enquanto as franquias podem amargar uma fase de reconstrução na posição mais importante.

Você amando ou odiando estes Quarterbacks, é inevitável discutir a ação do tempo sobre seus desempenhos como atletas no presente, o que no final da temporada é a única coisa que importa. Aliás, todos nós vamos ficando mais velhos a cada dia também, me desculpe.

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