O que está acontecendo com o Panthers?

10 de novembro de 2016
Tags: igor seidl, panthers,

can-i

Os atuais campeões da NFC e vices do último Super Bowl estão em apuros. Com uma campanha de 3-5 e a última colocação na divisão Sul, o time do Panthers nem remotamente lembra a equipe que assombrou a liga no ano passado com uma campanha de 15-1 e uma grande eficiência tanto ofensiva, quanto defensiva. O time recheado de jovens talentos tinha, segundo todos, o que era preciso para amadurecer e voltar forte esse ano mas não é o que estamos vendo com um pouco mais de metade da temporada. Afinal, o que está acontecendo com o Panthers?

.

Vamos aos números

Segundo a Pro Football Reference o ataque do Panthers é atualmente o 12º colocado da liga, o que é uma queda vertiginosa do 1º lugar ocupado no ano anterior. O Panthers aparece com apenas a 20ª posição no jogo aéreo e com a 13ª posição no jogo corrido, culminando na 12ª posição em termos de pontos marcados por partida. Já na defesa, a queda é ainda pior, com a 21ª posição na defesa no geral, a 23ª contra o passe e a 3ª contra o jogo corrido – bastando lembrar que em 2015 a defesa do Panthers ficou em 6º lugar no geral.

O que esses números mostram de maneira incontestável é a grande queda de desempenho da equipe, mas não ajudam a elucidar os motivos para essa queda, visto que a mesma ocorre de forma generalizada, permeando todas as unidades e praticamente todas as fases do jogo.

É possível porém recorrer às avaliações como a da PFF, que oferecem um quadro mais interessante para análise.

.

Figura 1 – Parte superior defesa nickel, parte inferior ataque com 3 recebedores

pff-panthers

Assumindo que as avaliações acima sejam razoavelmente representativas é possível já há pontos que chamam a atenção.

Fica evidente as fragilidades na linha defensiva com 2 avaliações muito ruins no meio dela e que indicam potenciais problemas para um pass rush eficaz com apenas 4 jogadores e uma possível dependência exagerada do Charles Johnson. O grupo de cornerbacks e safeties com avaliação medíocre também apontam para problemas na secundária, o que é corrobarado pela 23ª posição contra o passe da unidade.

Ofensivamente, com a ausência de Michael Oher a já questionada linha ofensiva do Panthers ficou ainda mais fragilizada contra o pass rush pelas pontas, expondo Cam Newton a pressão mais constantemente – o que não é ajudado pela queda de rendimento no jogo corrido, que saiu de 2º para 13º neste ano. Por outro lado, um dos motivos mais apontados para a queda do time, que seria um suposto mal desempenho da super estrela e líder do time, Cam Newton, não é apoiado pela avaliação da PFF, na qual Cam apresenta um bom desempenho (9ª posição). Mesmo assim, há uma boa diferença em relação ao que se viu do QB no ano passado, quando foi o MVP da liga e simplesmente pareceu imparável em vários jogos. Quais seriam as outras criptonitas para o Panthers?

.

1. O pass rush sumiu

Charles Johnson vem sendo praticamente a única fonte de pass rush consistente do time, o que na prática facilita demais para as linhas ofensivas adversárias que podem simplesmente dedicar marcação dupla à ele em boa parte dos lances. Sem um pass rush feroz a secundária suspeita fica muito mais exposta e aí não há mágica – mesmo a excelente dupla de LBs do Panthers com Davis e Kuechly fica vendida. A queda no rendimento da defesa é possivelmente o grande vilão da temporada do Panthers.

.

2. A linha ofensiva não vem ajudando.

Embora não tenha sido uma ótima linha ofensiva, ajudada pelo esquema baseado fortemente em corridas e empregando regularmente o apoio dos tigh ends nos bloqueios, a linha ofensiva do Panthers rendeu bem no ano passado e superou expectativas. Já neste ano, vem deixando a desejar, expondo o seu QB à pressão em praticamente todas as jogadas de passe e não sendo tão eficaz no apoio ao jogo corrido. O resultado disso é um efeito dominó que tira a efetividade do play action e impede atrapalha demais as jogadas explosivas e em profundidade e sem essa dimensão o ataque acaba ficando mais previsível e fácil de se parar.

Apesar disso, o ataque vem rendendo razoavelmente, mas não à ponto de carregar o time nas costas nos momentos decisivos e de superar a brutal queda de desempenho da defesa do time. É bom lembrar que o ataque do ano passado se beneficiou, e muito, de posses de bola com campo curto e das posses de bola adicionais conseguidas pela defesa. A falta de obrigação de pontuar por poder confiar na sua defesa também era algo que ajudava. Há uma grande diferença entre um ataque que complemente uma defesa sólida e um ataque que precisa carregar o time nas costas.

.

3. Os adversários não são os mesmos

Muito se diz que a NFL é uma liga de paridade e a definição dos oponentes a cada ano é um fator importante para isso. Com um calendário elaborado para que as equipes mais fortes se enfrentem, é natural que as dificuldades aumentem após uma boa campanha.

Veja mais: Como é montada a tabelda da NFL

Acontece que, para o azar do Panthers, não foi só isso que ocorreu. Em primeiro lugar, sua própria divisão que foi fraquíssima em 2014 e ainda relativamente fraca em 2015 melhorou muito neste ano, como as 3 derrotas para seus rivais de divisão bem ilustraram. É óbvio que um time que se vê como candidato ao Super Bowl precisa encarar qualquer adversário, mas é inegável que um caminho mais difícil desgasta um time e expõem de maneira mais óbvia suas fragilidades.

.

4. Queda de intensidade

A conhecida histórica de ressaca do Super Bowl parece mais uma vez estar acontecendo. O time atual do Panthers parece ter perdido aquela intensidade muitas vezes arrogante e quase juvenil do ano passado. A marra e o excesso de confiança deram espaço para jogadores que hesitam ao atacarem a bola e que parecem jogar com o freio de mão puxado em alguns lances. Foi amplamente pontuado no ano passado que equipes jovens muitas vezes não lidam bem com as adversidades, mas em uma temporada mágica como a de 2015 praticamente não houveram adversidades e muito do que está se vendo nessa temporada é o resultado dessa dificuldade em se lidar com os problemas quando as coisas não saem como se gostaria. Não é possível medir a intensidade de um time e por isso é difícil apontar esse fator como sendo o principal mas aquele feeling que se tem quando se assiste um jogo do Panthers nessa temporada pode apontar para este como sendo, no fim das contas, o principal fator para a queda do time, até mais do que o desempenho ruim da defesa.

.

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook.

.

Postagens Relacionadas









Igor Seidl conheceu a NFL com o SB XXVII, mas só voltou a assistir seriamente a partir de 2008. Desde então, busca aprender mais sobre o esporte. É editor da Liga dos 32, produz uma matéria semanal e faz revisões. No twitter: @igorseidl