O que esperar dos running backs do Patriots em 2017?

17 de maio de 2017
Tags: carlos massari, Notícias do Dia, patriots,

Ano após ano, os responsáveis por assinar cheques na NFL nos surpreendem com contratos muito valiosos dados a running backs de qualidade duvidosa ou mediana. A classe de free agents dessa offseason não viu nenhum nome de destaque atingir o mercado aberto, já que Le’Veon Bell recebeu a franchise tag do Steelers, mas ainda assim, vimos atletas como Latavius Murray recebendo 8,5 milhões garantidos.

Bill Belichick tem uma forma diferente de lidar com a posição. Ele não acredita em contratos valiosos e estrelas para carregar a bola, mas sim em comitês e jogadores que recebem pouco e variam nas carregadas. Mesmo nas últimas duas temporadas, quando LeGarrette Blount era claramente o running back titular, a carga de trabalho era dividida: o atual free agent teve só 299 das 482 carregadas do Patriots em 2016 e 165 das 383 em 2015. E sempre ganhando um dinheiro relativamente bem baixo por isso.

Com Blount fora da jogada – pelo menos por enquanto – a situação muda de figura para 2017. A estrela do SuperBowl LI, James White, e o velho conhecido Dion Lewis ganharam a concorrência de dois atletas que chegaram na offseason: Mike Gillislee, vindo do Bills, e Rex Burkhead, vindo do Bengals. Provavelmente a maior parte das carregadas será dividida entre os quatro. Mas como esse grupo pode se comportar?

O primeiro ponto a ser analisado é que o desempenho precisa melhorar. É difícil dizer que um ponto do atual campeão precisa melhorar, mas se existe algo que pode receber essa alcunha no New England Patriots, é o jogo terrestre. Em nenhum dos últimos três anos a equipe ficou colocada entre as vinte melhores da liga em jardas por carregada – 25ª em 2016 (3,9), 29ª em 2015 (3,7) e 22ª em 2014 (3,9).

Com Tom Brady como quarterback, correr com a bola serve mais como complemento que como ação principal. Ainda assim, sabe-se que os rivais nunca terão a coragem de encherem o box e desafiarem o jogo terrestre, o que deveria causar resultados melhores pelo chão. O grupo que jogará em 2017 tem o potencial para transformar esses dados.

Acredito muito no potencial de Mike Gillislee. Como reserva de LeSean McCoy em Buffalo, manteve por dois anos consecutivos uma ótima média de 5,7 jardas por carregada. É muito veloz e tem a capacidade de explodir em longos ganhos. Ele assinou um contrato de 2 anos e 6,4 milhões na offseason, mas custou uma escolha no draft. Com mais espaço para correr do que tinha no seu ex-time, pode fazer ainda mais estrago.

A dupla formada por Dion Lewis e James White teve desempenho superior a LeGarrette Blount nos últimos dois anos em jardas por tentativa e deve continuar com uma parcela relativa das carregadas. White é muito usado no jogo aéreo e essa é a sua principal força, com 100 recepções em 2015 e 2016 somados. São bem mais touchdowns recebidos (11) do que corridos (4) na carreira. Qualquer um que seja o principal back nos downs iniciais, o destaque do Super Bowl continuará sendo muito importante para Tom Brady.

Rex Burkhead nunca teve muitas chances em Cincinatti por estar atrás de Jeremy Hill e Giovanni Bernard no depht chart. Agora, com contrato de 1 ano e 3,1 milhões com o Patriots, deve receber sua carga justa das tentativas. Vale dizer que também é um back capacitado para o jogo aéreo, característica que agrada muito a Belichick e que faltava a Blount.

Juntos, os quatro principais running backs do elenco tem garantidos em seus contratos 7,8 milhões de dólares – menos que o dado só ao citado Latavius Murray, por exemplo. A ideia é muito inteligente para uma posição que vem sendo muito desvalorizada na NFL, graças ao crescimento dos ataques aéreos, às mudanças de estratégia e à durabilidade baixa que seus atletas apresentam. Se tirarmos os nomes de primeiro escalão, como Le’Veon Bell, Ezekiel Elliott e LeSean McCoy, ninguém garante produção terrestre constante.

Por isso, o comitê empregado por Belichick pode funcionar. Todos os quatro nomes tem potencial, principalmente Gillislee, em quem eu já disse acreditar bastante. A equipe tem chances de abrir o campo mais ainda verticalmente em 2017 com a adição do super veloz Brandin Cooks, obrigando as defesas a jogarem com mais atletas em profundidade e permitindo mais espaço para corridas. Todos os fatores, quando somados, demonstram que dificilmente o Patriots não conseguirá números melhores na temporada nova.

Vale lembrar que ainda há uma chance de LeGarrette Blount voltar ao time – a tender aplicada nele significa que qualquer time que assine com ele deve render ao Patriots uma escolha compensatória, e caso ele continue desempregado, tem até a semana 10 para acertar um contrato com a sua ex-equipe. Não se sabe exatamente o quanto Blount é desejado atualmente em New England, mas não é difícil imaginar que possa ser reintegrado em caso de necessidade.

Como em praticamente todo o elenco, o trabalho com os running backs foi bem feito pelo Patriots nessa offseason. A ideia é de garantir mais títulos enquanto Tom Brady estiver jogando, e a execução fora de campo foi bem-sucedida. Agora, ela também precisa ser quando a bola voar.

NOTA: Poucas horas após a publicação desse texto, LeGarrette Blount foi contratado pelo Philadelphia Eagles. Como ainda não se sabe muitos detalhes sobre os números, não é claro o que o Patriots receberá, mas espera-se que seja uma escolha compensatória entre a quinta e a sétima rodada.


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Carlos Massari é o setorista da AFC LESTE. Analisa Patriots, Jets, Bills e Dolphins às quartas e sextas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @massaricarlos