quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2018

Compartilhe

Após a confusão envolvendo Josh McDaniels, que voltou atrás de sua decisão de ser o novo head coach da franquia, o Indianapolis Colts não perdeu tempo para buscar um novo nome: Frank Reich. Sem experiência na função, mas com uma passagem pela equipe no começo de sua carreira como técnico, o ex-coordenador ofensivo do Philadelphia Eagles terá a função de restaurar a moral que foi devastada pelos anos ruins de Chuck Pagano.

Na coluna dessa semana, respondo o questionamento enviado por Leo Francelino (@LeoFrancelino12): o que esperar do Colts de Frank Reich? Para ter a sua pergunta analisada aqui na próxima quinta-feira, envie-a no Twitter para @massaricarlos!

Foram seis temporadas de Chuck Pagano à frente do Colts. O que até começou bem em termos de resultados (idas aos playoffs nos três primeiros anos, chegando à decisão da AFC em 2014) foi se desmanchando em melancolia e desespero da torcida. Sem Andrew Luck, a campanha de 4-12 em 2017 foi fundamental para finalmente trazer a mudança ao time de Indianapolis.

Para começar, Frank Reich é uma mente ofensiva. É verdade que o Colts de Pagano sofreu principalmente em termos defensivos, aparecendo entre os dez piores times da NFL em pontos cedidos por jogo em cada uma das últimas três temporadas – o que causa estranhamento devido ao fato do antigo head coach ter alcançado esse cargo após um brilhante trabalho à frente da defesa do Baltimore Ravens – mas trazer um pouco de ajuda para o ataque também fará muito bem à equipe de Indianapolis.

LEIA MAIS: Tom Brady apresentou algum declínio em 2017?

Reich vem de quatro temporadas consecutivas como coordenador ofensivo, duas no San Diego Chargers e duas no Philadelphia Eagles. Fez um excepcional trabalho em 2017, extraindo o máximo possível de seus atletas e montando planos de jogo muito eficientes. Em sua coletiva de apresentação, declarou planos de basear seu ataque em Indianapolis em conceitos variados, mas explorando muito o no-huddle, o uso de jogadas rápidas e de formações variadas.

A questão mais importante para o ataque do Colts, porém, é independente de quem é o head coach: qual o estado real de Andrew Luck? A essa altura, tudo parece uma incógnita. Ninguém sabe qual é exatamente a situação do ombro do quarterback e as notícias são sempre conflitantes – membros da imprensa eventualmente duvidam de seu retorno rápido ou em alto nível, mas as declarações internas, especialmente do general manager Chris Ballard, são mais otimistas.

Com Andrew Luck, o ataque de Indianapolis pode florescer. Um quarterback em seus tempos de jogador (foi o reserva de Jim Kelly em Buffalo por mais de uma década), Reich parece ser excelente em extrair o máximo possível dos atletas da posição. O trabalho feito com Carson Wentz e Nick Foles é digno de nota e o camisa 12 do Colts possui um dos maiores talentos comandando ataques na NFL atual. Com as ideias agressivas do head coach, esse é um casamento que tem ótimas chances para funcionar.

Sem o quarterback, porém, tudo fica mais difícil. É verdade que Reich poderia fazer muito bem também a Jacoby Brissett, mas qual o teto do camisa 7? Além disso, há uma falta de talento por todo o ataque que pode demorar para ser resolvida. A linha ofensiva e a posição de running back precisam de atletas mais talentosos para tirar o peso de quem quer que seja o quarterback.

LEIA MAIS: Quem são os novos head coaches da NFL e o que eles trazem às suas equipes?

Realmente complicado é o lado defensivo. São três temporadas seguidas entre as dez piores unidades da NFL cedendo pontos. Em 2017, o pass rush praticamente não existiu, ficando em trigésimo primeiro lugar com apenas 25 sacks. O talento é escasso desse lado e algumas lesões, como a do ótimo safety calouro Malik Hooker, não ajudaram a equipe nos últimos tempos.

O responsável por comandar essa unidade será Matt Eberflus, marinheiro de primeira viagem na NFL que foi escolhido por Josh McDaniels, mas mantido mesmo após o head-coach-que-nunca-foi dar para trás. Ele exerceu a função por oito anos na universidade de Missouri, mas nunca no nível profissional. Era técnico dos linebackers do Dallas Cowboys desde 2011.

Será um árduo trabalho estruturar essa defesa e, mais uma vez, paira o ar de incógnita sobre o que Eberflus pode fazer. É complicado acreditar que um time com técnicos inexperientes em suas funções e um elenco que não possui muito talento possa dar a volta por cima de forma rápida, mas algumas coisas podem dar munição para que o Colts cumpra essa missão de forma aceitável.

A principal delas é a situação salarial. Com 77 milhões disponíveis, o time de Indianapolis só não tem mais cap space que o Cleveland Browns. Assim, terá munição de sobra para tentar atrair alguns dos principais agentes livres dessa off-season. Nomes de experiência e qualidade comprovada na linha ofensiva e na defesa podem fazer uma transição mais rápida em direção ao sucesso. Também é necessário destacar a terceira escolha geral do próximo draft, que pode ou se converter em um arsenal de seleções no caso de uma troca, ou levar ao Colts um prospecto de luxo como o defensive end Bradley Chubb ou o running back Saquon Barkley.

LEIA MAIS: Quais jogadores se recuperaram na carreira após cometerem um erro grave nos playoffs?

De uma forma ou de outra, o torcedor do Indianapolis Colts precisará ter paciência. Frank Reich é um técnico com pouca experiência (apesar da idade elevada), que nunca exerceu a função e que recebe um dos elencos menos talentosos da NFL. Esperar sucesso no primeiro ano é algo utópico, a não ser que Andrew Luck retorne aos campos e jogue tão bem como nos melhores momentos da sua carreira.

Para os anos seguintes, a reconstrução do Colts e sua volta ao estado de postulante a coisas grandes na NFL dependerá não só da forma de Luck, como também de um bom uso da munição de espaço salarial e posição de draft feito pelo front office. Frank Reich pode ter ótimas ideias ofensivas e aplicá-las com sucesso, mas nada disso será suficiente sem uma montagem de elenco satisfatória.

O futuro do Indianapolis Colts, devido ao pouco que sabemos sobre como seus técnicos aparecerão em funções que nunca exerceram, ao ombro de Andrew Luck e às possibilidades múltiplas de montagem de elenco, é uma enorme interrogação. Eu acredito, porém, que existem mais sinais positivos do que negativos para um futuro relativamente próximo.

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe