terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

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Entre diversas peculiaridades que rodam a NFL e sua temporada, a Free Agency é, sem dúvidas, um dos momentos mais importantes. Nele, jogadores renovam contratos, são trocados ou simplesmente trocam de equipe. Dentre os momentos da offseason, a free agency é, certamente, o primeiro que te dá aquele gosto de como vai ser a temporada que vem e aquela injeção de ânimo. Se você não sabe o que é, fique tranquilo: esse post está aqui justamente para isso.

Se você já acompanhou o futebol da bola redonda por algum momento da sua vida, você já deve estar familiarizado com a janela de transferências, um período do ano onde os times são permitidos negociar jogadores. Na NFL, isso é quase a mesma coisa. A primeira e grande diferença que você precisa saber é que não é possível comprar jogadores de outro time. Esqueça aquele papo de “pagar a multa rescisória”, pois ele não existe no futebol americano.

No período da free agency, a contratação dos jogadores só é permitida em duas maneiras:

  • Esperando o contrato acabar

Não tem jeito. Se é proibido comprar jogadores que estão sob contratos, a principal maneira de contratar jogadores é indo atrás dos que estão sem contrato. Por conta do teto salarial imposto pela NFL, todos os anos bons jogadores acabam ficando sem contrato pelo fato de seu time anterior não ter condições de oferecer um salário tão alto quanto o que ele pode ganhar ouvindo as propostas de outros times. É nesse tipo de caso que os jogadores mais acabam faturando, como o DT Ndamukong Suh, que se tornou o jogador de defesa mais bem pago da história da NFL ao assinar com o Miami Dolphins por seis anos e 114 milhões de dólares.

  •  Fazendo uma troca

Essa é a única opção de adquirir os jogadores que estão sob contrato com outros times. Incomum de acontecer na janela de transferências do futebol, as trocas são muito comuns no football. Para fazer uma troca, um time pode apenas envolver outros jogadores ou escolhas do draft para a troca, e nunca uma compensação financeira. A troca recente de mais impacto envolvendo apenas jogadores foi entre Philadelphia Eagles e Buffalo Bills, que trocaram respectivamente o RB LeSean McCoy e o LB Kiko Alonso. Já a última troca envolvendo escolhas também envolveu o Eagles: desesperado por um quarterback após a lesão de Teddy Bridgewater, o Minnesota Vikings deu uma escolha de primeira rodada e uma escolha condicional de quarta rodada (isto é, que poderia mudar de acordo com o desempenho do jogador) pelo QB Sam Bradford.

Essas opções de contratação são mais uma das medidas da NFL para impedir que os times mais ricos se sobressaiam contratando jogadores de outros times. Dessa forma, times de mercados menores, como o Jacksonville Jaguars, podem competir de forma igual com equipes de mercados maiores, como o New York Giants. Essa medida, juntamente com o salary cap, são um dos motivos que o Green Bay Packers não só existe como também é uma das equipes mais fortes da NFL. Por ser de uma cidade minúscula, o time jamais sobreviveria se as regras fossem parecidas com a La Liga, o campeonato espanhol de futebol.

Agora que você já sabe como os times podem se movimentar na free agency, vamos falar dos três grandes períodos que a envolvem:

  • Período pré-tampering

O termo tampering pode não ser comum para o fã de futebol americano que acabou de começar a acompanhar a NFL. Em uma tradução simples, a palavra que mais se aproxima de tampering é aliciar. Isto é, negociar com o jogador sem conhecimento do seu time atual. O que no futebol é até comum — quem nunca ouviu que tal time “acertou salários com o jogador” antes de negociar com o time? –, na NFL é ilegal. Isso mesmo, é proibido um time aliciar um jogador do time adversário sem antes consultar seu time por uma troca. A punição da NFL para esse tipo de atitude pode passar desde multas no salary cap para até perda de escolhas no draft.

O período pré-tampering, ou seja, o momento no qual os times estão proibidos de aliciar jogadores de outros times, acontece entre o prazo final para trocas (por volta de outubro e novembro do ano anterior) até o começo oficial da free agency, no começo de março. Nesse período, principalmente ao fim da temporada regular, os times focam mais em renovar com seus próprios jogadores do que avaliar os jogadores de outros times que ficarão sem contrato.

  • Período de tampering

Como o próprio nome já diz, esse é o período em que os times podem conversar com jogadores que acabaram de ficar sem contrato e seus empresários para uma possível contratação, sem qualquer risco de punição. O período é curto, cerca de dois dias, mas é um dos que mais movimentam os bastidores da NFL. Um detalhe importante é que nenhuma negociação pode ser oficialmente anunciada nesse momento, apesar de algumas acabarem vazando. O período é restrito para negociações, enquanto os anúncios só podem ser feito no período seguinte.

  • Período da Free Agency

Depois de tudo isso, finalmente estamos na janela de transferências da NFL. O primeiro dia da free agency é considerado o ano novo da liga, por ser justamente o momento em que ela sai do calendário da temporada passada para a nova. Aqui, as negociações continuam acontecendo, com a diferença de que elas podem ser anunciadas. Os times podem negociar e contratar jogadores sem vínculo com outro time não só durante o mês de março, como também ao longo de toda a temporada — com a diferença que aqui há um sistema de prioridades para contratar jogadores dispensados, os waivers. Já as trocas continuam liberadas por toda a pré-temporada e boa parte da temporada regular, se encerrando por volta de outubro e novembro, onde começa justamente o primeiro período que citamos.

Já falamos o que é, como os times se movimentam e quando eles podem fazer as movimentações. Agora, chegou a hora de falar dos jogadores.

Como já foi dito, os jogadores só podem ouvir e negociar com outros times se estiverem sem contrato. Mas estar sem contrato — ser um free agent — implica em mais de uma possibilidade. Há mais de um tipo de free agent na NFL, e ele pode ser explicado por meio de dois termos completamente desconhecidos: a accrued season e a credited season. Não entre em pânico, já que a explicação é bem simples.

A Accrued Season é um termo para indicar o número de temporadas acumuladas de um jogador que entra na NFL. Para que um jogador acumule uma accrued season, ele precisa estar no elenco principal ou na lista de lesionados do time por pelo menos seis jogos de uma única temporada regular. Há três situações em que o jogador pode estar no time e não acumular uma accrued season: (1) estar na commissioner exempt list, uma lista que jogadores suspensos por atitudes fora de campo entram; (2) estar na reserve PUP list, uma lista de jogadores que se lesionaram em uma outra atividade que não seja o futebol americano profissional; e o (3) practice squad, uma parte do elenco que pode apenas treinar com o time, e não participar de partidas. O mais comum para jogadores que não acumularem uma accrued season em todas as suas temporadas é a exceção de número três, que é estar na equipe de treinos de algum time.

Já a Credited Season é um termo ainda mais desconhecido que a Accrued Season. A única diferença entre as duas é que a credited season obriga o jogador a estar no elenco principal ou na lista de lesionados por três jogos, e não seis. Sua única importância é para os jogadores, pois ela ajuda a determinar se ele está elegível para receber uma aposentadoria da NFL. Para que isso aconteça, o jogador precisa ter três credit seasons em sua carreira.

Focando apenas nas accrued seasons, podemos determinar os três tipos de jogadores sem contrato da NFL: o free agent irrestrito, o free agent restrito e o free agent de direitos exclusivos.

Free Agent Irrestrito (UFA): Esse é o caso mais comum dos jogadores da NFL de longe. Para um jogador ser considerado um free agent irrestrito, ele precisa ter acumulado no mínimo quatro accrued seasons em sua carreira. Aqui não há qualquer asterisco ou exceção: o UFA está livre para assinar um vínculo com uma nova equipe sem qualquer ligação com seu time anterior.

Free Agent Restrito (RFA): Dentre os jogadores que ficam sem contrato, os free agents restritos são uma exceção. Para que um jogador seja considerado um RFA, ele precisa ter exatamente três accrued seasons. No caso desses jogadores, o time original tem uma prioridade de renovação sobre eles, chamada de tender. A tender é uma designação que o time dá ao jogador para garantir uma renovação automática por um ano, com o salário dependendo do valor da tender. Mas não se engane: o jogador ainda pode trocar de time. Apesar da designação, outros times podem oferecer um contrato para o jogador. Caso isso aconteça, o time original tem a opção de igualar a oferta e manter o jogador pela prioridade ou não igualar e perder o jogador. Essa perda, no entanto, tem um custo: o time que contratou o jogador precisa dar uma escolha de draft para o time original do jogador como uma forma de compensação. O valor da escolha será justamente o valor designado pela tender. Se o jogador não receber a tender, ele se torna automaticamente um free agent irrestrito.

Exemplo: Em 2006, o Arizona Cardinals deu uma tender de 6ª rodada para o guard Reggie Wells. Pela tender, o jogador renovaria por um ano e receberia por volta de 700 mil dólares, valor da tender na época. Pelas regras do free agent restrito, Wells recebeu uma oferta de 5 anos e US$18 milhões do Buffalo Bills. Nesse momento, o Arizona Cardinals tinha duas opções: igualar a oferta e manter o jogador ou não igualar e receber uma escolha de 6ª rodada do Bills (valor da tender) em compensação. O Cardinals optou por igualar e, por conta da prioridade, manteve o jogador. Se o time não tivesse dado uma tender ao jogador no período permitido (o de pré-tampering), ele teria se tornado um free agent irrestrito.

Free Agent de Direitos Exclusivos (ERFA): Se os free agents restritos já eram exceção, os de direitos exclusivos são uma exceção ainda maior. Para um jogador ser considerado ERFA, seu contrato precisa ter expirado e ele precisa ter duas ou menos accrued seasons. Nesse tipo de caso, seu time pode dar uma tender ao jogador que equivale ao salário mínimo da NFL e nenhum outro time pode cobrir a oferta. O jogador tem duas opções: aceitar a tender e renovar por mais um ano ou recusar e ser proibido de jogar na NFL por um ano. Isso mesmo, o jogador não pode jogar pela liga por uma temporada caso ele se recuse a aceitar a tender. Se ele não receber a designação, ele se torna automaticamente um free agent irrestrito.

Exemplo: Em 2012, Ronald Leary ficou quase toda a temporada no practice squad do Dallas Cowboys, o que o impediu de acumular uma accrued season. No time principal em 2013 e 2014, Leary acumulou duas accrued seasons antes do fim de seu contrato, o colocando como um free agent de direitos exclusivos. O Cowboys ofereceu ao jogador uma tender, prontamente aceita. Depois da temporada de 2015, Leary já acumulava três accrued seasons e com isso se tornou um free agent restrito em 2016. Para 2017, agora com quatro accrued seasons, Leary será um free agent irrestrito.

Há ainda uma outra opção de free agent, mas que acaba fugindo do foco principal da free agency. Trata-se dos free agents não draftados (UDFA), que são os jogadores que se declaram disponíveis para o draft, mas acabam não sendo selecionados. Após o fim do recrutamento, esses jogadores estão disponíveis para assinar com qualquer time. E não pense que somente jogadores ruins entram nessa categoria: não são poucos o número de jogadores Hall da Fama que não foram selecionados no Draft.


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