O que acontece quando um calouro não assina seu contrato?

12 de maio de 2016
Tags: a liga explica, contrato, draft, rodrigo perrotta,

eli manning san diego

Logo após o evento que transforma os principais nomes universitários dos Estados Unidos em atletas da NFL, as equipes precisam, logicamente, fechar os contratos com suas novas estrelas. É praticamente questão de tempo até todos os jogadores selecionados assinarem seus acordos, porém, já houve calouro que se recusou a vestir a camisa da franquia que o escolheu. É bem difícil isso se repetir hoje em dia, mas como temos exemplos recentes sobre isso e nunca sabemos quando pode acontecer novamente, é bom explicar a situação para deixar tudo bem claro e tirar as possíveis dúvidas sobre o assunto.

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É difícil imaginar algum motivo para alguém não assinar um contrato milionário com uma equipe da principal liga de futebol americano do planeta, mas os jogadores que já passaram por isso tem seus motivos. Um deles, por exemplo, é o “baixo” valor oferecido, vamos usar o exemplo do DT Andrew Billings (Bengals) – deve ficar em Cincinnati sem problemas – no evento realizado há pouco mais de duas semanas: antes do Draft, ele era considerado um nome de no máximo até a segunda rodada, mas foi caindo e só foi escolhido na quarta rodada. Os nomes chamados na primeira noite fecham acordos mais lucrativos e esses valores vão diminuindo conforme o dia em que o atleta for chamado. Além disso, pode haver alguma insatisfação do jogador com a diretoria da equipe , o próprio não querer estar no time que o selecionou ou divergência com relação ao valor garantido e a forma de pagamento de bônus. Porém, o que acontece, de fato, se isso não for resolvido? Existem duas opções:

TROCA ENTRE EQUIPES

John-Elway-ColtsExistem dois casos famosos de atletas que foram selecionados logo na primeira escolha geral e acabaram forçando uma troca só para não jogarem pelo time que o escolheu. Em 1983, John Elway foi chamado pelo até então Baltimore Colts, mas como não queria ficar na cidade, decidiu não assinar nenhum contrato com a franquia. A equipe, então, foi atrás de vários interessados para finalizar uma troca e conseguiu isso com o Denver Broncos. Além dele, isso também ocorreu no Draft de 2004, quando Eli Manning foi escolhido pelo San Diego Chargers, mas sua cara quando subiu ao palco já mostrava alguma insatisfação. A franquia acabou trocando o atleta com o New York Giants, que tinha ido atrás de Philip Rivers para ser o dono da principal posição do ataque. É bom deixar claro que o jogador não é obrigado a permanecer no time que o selecionou e não é nenhum crime se ele quiser atuar por outras cores, claro que é uma pequena falta de respeito pela franquia que o escolheu, mas é perfeitamente aceitável essa atitude. A troca, no entanto, só pode acontecer até 30 dias antes do início da temporada. Passado esse prazo, se o atleta não assinar só resta uma opção.

ESPERAR O PRÓXIMO DRAFT

BO JACKSON RAIDERS

Além de sair por meio de troca, existe outra forma do jogador buscar outros rumos por não desejar ficar no time que o selecionou. Isso aconteceu em 1986, quando o Tampa Bay Buccaneers foi atrás do astro universitário Bo Jackson, um dos melhores atletas que já pisou em um campo de futebol americano, com a primeira escolha geral. Devido a uma grande polêmica com o dono e a diretoria da franquia, o jogador decidiu que não ia atuar naquele ano, foi jogar na MLB e poderia ser selecionado no evento da NFL no ano seguinte. O Oakland Raiders decidiu arriscar e trouxe Jackson na 7ª rodada do draft de 1987. O que precisamos deixar claro aqui: quando um atleta decide não assinar com a equipe e entrar no draft de outro ano, ele não vira um Free Agent, o único time que pode contar com ele para aquela temporada é o que o escolheu, a não ser que aconteça uma troca como nos casos já citados. Além disso, quando o atleta decide esperar mais um ano, ele não pode voltar a jogar por seu time na universidade, o máximo que pode fazer é treinar para se manter em forma e torcer para ser selecionado novamente.

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Rodrigo Perrotta teve seu primeiro contato com a NFL em 2006, mas só em 2010 começou a se interessar por tudo ao redor da liga. A cada ano fica mais fascinado pelo esporte. Responsável pela edição e revisão dos textos publicados no site e por uma matéria semanal. No Twitter: @roddperrotta