O prêmio de Calouro Ofensivo do Ano pode estar caindo no colo de um improvável jogador

7 de novembro de 2017
Tags: Gabriel Plat, matérias, saints,

Ele foi selecionado na terceira rodada do último draft. 66 jogadores selecionados antes dele. Vinte e cinco jogadores de ataque selecionados antes de seu nome ter sido anunciado. Da sua posição, quatro jogadores foram selecionados na sua frente, sendo dois nas primeiras 10 escolhas. Em outras palavras, a probabilidade dele vir a ser o Calouro Ofensivo do Ano ou até a ser cotado como possível candidato ao prêmio era baixíssima — para não dizer nula.

Se você ainda não o reconheceu na foto, estamos falando do running back Alvin Kamara, do New Orleans Saints.

Sua temporada começou com muita desconfiança, já que ele havia uma forte concorrência no próprio elenco de New Orleans, precisando dividir snaps com Adrian Peterson e Mark Ingram. Para piorar sua situação, os jogadores de ataque que foram selecionados antes dele começaram a ter vantagem desde o primeiro jogo. Enquanto jogadores como Leonard Fournette, Kareem Hunt e Dalvin Cook eram os donos do backfield de seus times e garantiram uma enorme quantidade de snaps por jogo, Kamara ainda precisava buscar seu espaço no time principal. E como nada é tão ruim que não possa piorar, o Saints começou a temporada 0-2, dificultando ainda mais sua situação.

Foi nesse momento que o universo resolveu conspirar a seu favor.

Dentro do próprio time do Saints, Kamara começou a se destacar. Apesar de ter apenas duas carregadas na Semana 3, contra o Panthers, Kamara conquistou 37 jardas. Desde então, seu desempenho foi aumentando e, coincidentemente, as vitórias de New Orleans começaram a vir também. Seu destaque no time foi tão grande que Adrian Peterson acabou sendo deixado de lado e, por fim, trocado para o Arizona Cardinals. Com os constantes problemas de Mark Ingram com fumbles, não seria impossível crer em Kamara recebendo mais a bola daqui em diante.

Olhando para seus “concorrentes”, a situação também foi favorável à ele. Dalvin Cook, que estava tendo um começo arrasador pelo Minnesota Vikings, lesionou o joelho na Semana 4 e está fora da temporada. Deshaun Watson, outra estrela a aparecer ao longo da temporada, também lesionou o joelho e está fora da temporada. Leonard Fournette, do Jaguars, não joga desde a Semana 6 e isso pode colocá-lo em uma situação de desvantagem pelo prêmio. Kareem Hunt, destaque absoluto da NFL nas primeiras semanas, vem caindo de produção e não anota um touchdown desde a Semana 4.

Enquanto os wide receivers da classe ainda não mostraram muito valor para serem considerados, o único tight end a ter bons números, Evan Engram, está no 1-7 Giants, que praticamente o coloca como carta fora do baralho na disputa. Além deles, jogadores de linha ofensiva (infelizmente) acabam não sendo considerados para o prêmio por não jogarem em uma posição com muito destaque.

Sendo assim, o que separa Alvin Kamara do prêmio de Calouro Ofensivo do Ano? Na minha opinião, há três justificativas plausíveis.

A primeira justificativa se dá por conta do começo de temporada. Como ainda está “fresco” na memória, há a tendência de valorizar o que já foi feito pelos running backs Kareem Hunt e Leonard Fournette, mesmo com os problemas apresentados pelos jogadores nas últimas semanas. Da mesma forma, há a tendência de desvalorizar o que Alvin Kamara está fazendo nos últimos jogos por conta de seu início tímido.

A segunda justificativa se dá por conta do próprio New Orleans Saints. Como Alvin Kamara ainda divide carregadas com Mark Ingram e não é o running back que está em campo em 90% das jogadas, ele acaba sendo desvalorizado (de forma injusta) para os jogadores que estão sempre em campo. Ora, se ele está produzindo muito bem em menos tempo em campo, ele deveria ser mais valorizado, não é mesmo?

Já a terceira justificativa é mais subjetiva. Apesar do New Orleans Saints ter um recorde de 6-2, melhor que o 5-3 do Kansas City Chiefs e do Jacksonville Jaguars, o time teve poucos jogos no horário nobre americano. Em outras palavras, apenas o restrito mercado de New Orleans consegue assistir Alvin Kamara jogar todo fim de semana, enquanto o Kaarem Hunt já foi visto por todo o país por cinco vezes na temporada. Sim, o Saints ainda terá jogos no horário nobre e Kamara terá a oportunidade de mostrar o seu valor, mas por essa discrepância na primeira metade da temporada, ainda há a tendência de valorizar outros jogadores primeiro.

Ainda resta meia temporada até que sejam votados os prêmios e muita coisa pode acontecer. No entanto, o andar da carruagem indica coisas boas não só pela atuação individual de Alvin Kamara, como da atuação geral do New Orleans Saints e da atuação de seus concorrentes. Será que a previsão se concretizará?


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Gabriel Plat acompanha a NFL desde 2009 e se tornou completamente obcecado pelo esporte. Editor da Liga dos 32 e também editor-chefe do portal Blue Star Brasil. Responsável por uma matéria semanal e revisão. Está no twitter como @gabrielplat.