sexta-feira, 23 de setembro de 2016

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Shaun Alexander, Tiki Barber, Larry Johnson, Jamal Lewis, LaDainiam Tomlinson. Quem acompanhava a NFL nos anos 2000 talvez tenha sentido uma leve nostalgia ao ler esses nomes.

Os anos 2000 talvez tenha sido a última década da era dos Feature Backs.”Feature Backs” é o equivalente da posição de RB para o termo “Franchise QB”. Eram Running Backs que conseguiam correr entre 1000 e 2000 jardas em uma única temporada, e faziam isso por vários anos consecutivos.

Nessa época, as jogadas “feijão com arroz” para ganhar algumas jardas dos ataques da NFL eram corridas Power como essa abaixo onde esses RBs corriam atrás de um lead block do Guard. De preferência um bem grande e parrudo como Alan Faneca ou Steve Hutchinson.

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Hoje, com praticamente todos os times tentando mais passes do que corridas, não vemos tanto grandes temporadas de Feature Backs. Os que conseguem o feito de passar das 1400 jardas em uma temporada são poucos. Mas afinal, por que uma liga onde se chegou a ter uma franquia trocando TODAS as suas escolhas de um draft para subir de posição e draftar um RB, como fez o New Orleans Saints em 1999 com o RB Ricky Williams, hoje tem Drafts onde nenhum RB é selecionado na primeira rodada? Nos anos de 2013 e 2014, por exemplo, nenhum RB foi selecionado na primeira rodada do draft.

A primeira explicação para os times na NFL estarem passando a bola numa média 60% das jogadas está nas regras e no novo jeito da NFL proteger os jogadores do ataque. Faltas como Unnecessary roughness e Pass Interference são julgadas com mais rigor e marcadas com mais frequência. Um Helmet to Helmet hit é muito mais passível de multa do que era antes, o que faz os jogadores da defesa hesitarem a jogar de forma muito agressiva contra um recebedor no meio do campo.

Mas apenas isso não explica tamanha mudança de filosófica. O fato é que o que está acontecendo com a NFL nessa década é parecido com o que aconteceu com o College Football nos anos 2000: A popularização da Spread offense (Ataques que usam constantemente formações com 3 ou mais WRs, sem nenhum FB e geralmente com o QB em Shotgun).

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Pra falar a verdade, essas formações estão longe de ser novidade na NFL. Já nos final dos anos 70, Don Coryell usava múltiplos recebedores no campo no tipo de ataque que se tornou conhecido como Air Coryell.

Leia mais: Série Tática – Air Coryell

Porém, o grande motivo do Spread ter se tornado uma epidemia no College naquela década é que ele não apenas abre o horizonte para o jogo de passe. Ele pode fazer o jogo corrido ser mais efetivo também. A lógica é que com mais recebedores espalhados pelo campo, e com os safeties longe da linha de scrimmage esperando o passe, ficarão menos jogadores da defesa no box para defender diretamente a corrida.

Leia mais: Série Tática – Spread Offense

Agora, imagine que além de menos jogadores no box, o QB também seja uma ameaça pra corrida. De repente a defesa tem que pensar em defender o QB ou o RB, e com o QB em Shotgun essa corrida pode vir pra qualquer um dos lados, e se for um Read Option um dos defensores não vai ser um fator para parar a corrida e a OL terá superioridade numérica contra os defensores do lado que a corrida acontecer. Junte isso a bloqueios de zona pela linha, o que faz um RB ágil poder cortar pra um Gap que estiver mal defendido e você tem um novo pesadelo para as defesas.

Esse tipo de jogo corrido começou a ganhar força na NFL na década atual a medida que foram sendo draftados QBs que tem mobilidade e que já tinham familiaridade com esses conceitos como Cam Newton, Colin Kaepernick, Russell Wilson e Robert Griffin. E assim, RBs mais pequenos e agéis que conseguem fazer grandes corridas com espaço e que são bons em correr rotas e receber passes se tornaram mais comuns na NFL.

Não que corridas Power não sejam mais usadas na NFL, mas como o uso de Fullbacks nas formações é cada vez menor, a variação mais comum desse conceito é o One Back Power, que não envolve o FB. Conceitos de corrida como Read Option, Speed Option simplesmente não eram usados na NFL dos anos 2000. A regra de ouro era usar a força bruta de FBs com Mike Alstoott e RBs quebradores de tackle como Jerome Bettis para ganhar as famosas “3 jardas e uma nuvem de poeira”.

Hoje, a NFL parece ter uma nova jogada “feijão com arroz” para ganhar essas jardas. Apesar de também não ser nenhuma novidade, o Inside Zone partindo do Shotgun se espalhou pela NFL e é um conceito usado por praticamente todos os times.

Leia mais: Série Tática – Zone Blocking: Outside e Inside Zone

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Um conceito que fica ainda mais poderoso com um QB que seja uma ameaça no jogo corrido com o Read Option.

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