segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

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Estamos cada vez mais perto do final da temporada de 2018 e finais de semana como esse nos fazem lembrar porque sentimos tanta falta da NFL entre fevereiro e setembro.

Este último final de semana ficou marcado pela rodada de Semifinais de Conferência, com espetaculares confrontos entre alguns dos melhores times do ano, rendendo uma das melhores rodadas dos últimos tempos. Assim, não podemos deixar de analisar o que aconteceu de melhor e de pior nos quatro jogos que definiram os duelos das Finais de Conferência, que serão disputadas entre New England Patriots e Jacksonville Jaguars na AFC e por Philadelphia Eagles e Minnesota Vikings na NFC.

Eagles domina nas trincheiras

Com a lesão de Carson Wentz, muitos acreditavam que o Eagles chegaria aos playoffs apenas para fazer figuração. Contudo, os comandados de Doug Pederson fizeram bom proveito da semana extra de preparação e montaram um bom plano tático para mover a bola com Nick Foles como QB e para conter o ataque do Falcons.

A grande chave para a vitória por 15 a 10 esteve nas trincheiras. No setor ofensivo, a OL dominou fisicamente o front seven mais leve do Falcons e abriu diversas crateras para avanços dos RBs, principalmente Jay Ajayi, que aproveitou as oportunidades e teve ótima média até Atlanta realizar ajustes no segundo tempo. Com boa produção pelo solo, Foles apenas precisou acertar passes simples para recebedores que estavam abertos na maior parte do tempo. Quando teve que tentar algo em profundidade, flertou com o desastre, inclusive com seu maior ganho da noite vindo de um lançamento que deveria cair nos braços do S Keanu Neal, que inexplicavelmente errou a bola e acabou deixando ela rebater em seu joelho e cair nas mãos de Torrey Smith, o que permitiu que o Eagles chutasse um FG e saísse apenas um ponto abaixo do placar no primeiro tempo. Isto foi uma grande vitória para um time que sofreu com uma série de fumbles, que podiam ter terminado em tragédia.

Créditos para Doug Pederson por ter montado um plano de jogo eficiente para um ataque com vantagem física em uma situação de frio intenso. No entanto, a maior parte dos méritos pela vitória do Eagles deve ir para a defesa do coordenador Jim Schwartz, que fez uma partida excelente. Sua excepcional DL comandada por Fletcher Cox e Brandon Graham dominou a linha de scrimmage e conteve Devonta Freeman a apenas 7 jardas em 10 carregadas, pressionou Matt Ryan com consistência e ainda contou com a ajuda de uma secundária que esteve muito bem posicionada ao longo do jogo. Com o auxílio do domínio de posse de bola que o setor ofensivo promoveu, sobretudo no segundo tempo, puderam se manter descansados e aparecer no momento chave para impedir a tentativa final de virada do Falcons. Sobre esse drive…

Último drive do Falcons termina em desastre

Como dito anteriormente, o ataque de Atlanta foi contido de forma primorosa pela defesa do Eagles ao longo de todo o jogo. Mesmo assim, a unidade ainda recebeu a bola mais uma vez com cinco pontos de desvantagem, precisando de um touchdown para virar o jogo e se manter vivo e com 6:07 restando no relógio.

O Falcons avançou com calma até sua própria linha de 42, onde se viu em situação de terceira para 6. Nela, Matt Ryan completou passe para Mohamed Sanu, mas este não conseguiu manter a posse quando caiu e promoveu uma importante quarta descida. Nela, Ryan buscou o melhor jogador do ataque e estabeleceu uma conexão de 20 jardas com Julio Jones. Mais dois lançamentos completos, um para Jones e outro para Taylor Gabriel e uma boa corrida de Tevin Coleman colocaram Atlanta em uma primeira para o touchdown na linha de 9 jardas.

Foi nesse momento que tudo começou a dar errado. Muito criticado ao longo de toda a temporada, o coordenador ofensivo Steve Sarkisian teve um bom jogo chamando jogadas na partida contra o Rams na semana passada, mas foi desastroso nessa última sequência. Com 1:19 sobrando e ainda um tempo para pedir, o ideal para o Falcons seria queimar o relógio e anotar o touchdown para virar o placar e reduzir as chances do Eagles conseguir uma virada ou empate. Entretanto, vamos ao que realmente aconteceu.

Primeira descida: Fade incompleta para Julio Jones. Essa é uma chamada estatisticamente de baixa probabilidade de funcionar e isto foi visto aqui.

Segunda descida: Shovel pass incompleto para Terron Ward, o terceiro RB do time, sendo que Tevin Coleman é uma ótima arma recebendo passes.

Terceira descida: Slant completa para 7 jardas para Julio Jones, derrubado por Ronald Darby antes de poder entrar na end zone. Tempo pedido pelo Eagles para conservar o relógio.

Quarta descida: Rollout para a direita visando Julio Jones no canto da end zone. Jones escorregou na rota e atrapalhou o timing da jogada. Matt Ryan precisou improvisar, ganhou tempo e ainda conseguiu passar para Jones, que havia se levantado. Contudo, a bola passou entre as mãos do WR, que dificilmente conseguiria cair dentro do campo caso realizasse a recepção. Vale destacar ainda que nessa chamada foi colocado o FB Derrick Coleman realizando uma rota cruzando o campo do lado esquerdo para o direito, quando poderia ser Coleman, Freeman ou até Taylor Gabriel e esta rota ainda se misturou com a de Mohamed Sanu, que poderia ser alvo de Ryan quando Julio caiu no começo da jogada.

Enfim, uma sequência lamentável de chamadas com execução ruim que enterrou as chances do Falcons e provavelmente decretou que Sarkisian não deve retornar para a próxima temporada, principalmente se depender dos torcedores da equipe.

Deu a lógica em Foxborough

O Tennessee Titans começou o jogo parecendo que daria algum trabalho ao New England Patriots, mas a impressão ficou apenas no primeiro quarto mesmo. Após sua defesa conseguir forçar punts nas duas primeiras posses do Patriots e o ataque abrir o placar em belo passe de Marcus Mariota para Corey Davis, o Titans não conseguiu mais fazer frente.

Desse momento em diante foram 35 pontos do Patriots, sem resposta do ataque de Tennessee. Tudo começou quando o coordenador ofensivo Josh McDaniels percebeu que os ganhos terrestres de Dion Lewis estavam sendo contidos e os passes mais longos foram evitados nos primeiros drives. Assim, rapidamente realizou os ajustes e abusou das rotas mais curtas, com ampla participação de Lewis e James White como recebedores e de excelente exibição de Danny Amendola, se aproveitando do fato de Wesley Woodyard e Avery Williamson serem muito lentos e terem dificuldades de acompanhar jogadores mais ágeis na cobertura. Quando era preciso um ganho maior, Rob Gronkowski aparecia. Assim, Tom Brady foi cirúrgico ao completar 35 de 53 passes, com três touchdowns.

O Titans só foi pontuar novamente a dois minutos do fim do jogo, com mais um passe de Mariota para TD de Corey Davis. Mariota fez um bom jogo, mas não foi capaz de superar um pass rush forte, que somou 8 sacks, e um front seven que limitou o impacto de Derrick Henry, além de uma boa partida do CB Stephon Gilmore, que não permitiu nenhuma recepção em sua marcação, consolidando um belo jogo da defesa de Matt Patricia. Dessa forma, o Patriots conseguiu cumprir com o esperado de dominar um time mais fraco e alcançar sua sétima final de conferência consecutiva na AFC.

A arbitragem também teve grande destaque na partida, sendo amplamente criticada por torcedores, principalmente ao marcar uma inexistente interferência ofensiva de Eric Decker em recepção chave para converter uma terceira descida quando o jogo ainda estava 7 a 7.

Ataque aguenta tiroteio e defesa faz as jogadas chave e Jaguars está na final da AFC

Quando o Jaguars saiu vencendo o Steelers por 21 a 0, a maior parte das pessoas esperava que o time saísse vitorioso, mas ainda tivesse algum sufoco. No entanto, o time de Pittsburgh mostrou vontade para voltar ao jogo e quase conseguiu uma grande reação. No fim, Jacksonville conseguiu segurar o ímpeto do adversário e chegou na final da AFC com um placar de 45 a 42, conforme o previsto por todos.

O Jaguars começou com um desempenho completo no primeiro quarto. Leonard Fournette correu com muita força, quebrou tackles, teve ótima média de jardas por carregada e ainda anotou dois TDs, Blake Bortles acertou o que lhe foi pedido e não comprometeu e a defesa dominou ao forçar um 3 & out, uma interceptação e um turnover em downs. O Steelers reagiu rapidamente, com um touchdown em sua campanha seguinte em uma conexão esplendorosa de Ben Roethlisberger e Antonio Brown e forçando um punt logo depois. No entanto, quando tentava reduzir a diferença para apenas uma posse, Yannick Ngakoue forçou um fumble em Big Ben e Telvin Smith recuperou e retornou para abrir 28 a 7 no placar. Pittsburgh ainda conseguiu um TD em passe de 36 jardas para Martavis Bryant em uma quarta pra cinco, que deixou a diferença em 14 pontos ao fim do primeiro tempo.

O jogo ficou oficialmente aberto quando o Steelers retornou do intervalo com mais um drive impressionante que culminou em belo passe de Big Ben para Le’Veon Bell anotar o touchdown. O resto do terceiro quarto passou sem mais nenhuma pontuação, preparando a insanidade que estava por vir. No começo do último período, os comandados de Mike Tomlin tiveram uma quarta descida no campo de ataque, mas não converteram em mais uma péssima chamada do coordenador Todd Haley, que pediu um passe, que terminou incompleto, assim como tinha chamado um toss que falhou miseravelmente no primeiro quarto.

A bola voltou para o Jaguars e Bortles tratou de fazer sua melhor jogada na partida ao encontrar Keelan Cole em passe de 45 jardas. Logo em seguida, Fournette caminhou até a end zone para seu terceiro touchdown e abriu novamente uma vantagem de 14 pontos. O Steelers não demorou para revidar, com dois lançamentos longos de Big Ben para Brown, que fez uma grande recepção ao ser puxado e agarrado por AJ Bouye, mas ainda pegar a bola com a ponta dos dedos para o seu segundo TD.

O mais incrível é que niinguém imaginava que o ataque de Jacksonville fosse capaz de responder na mesma moeda, mas lá estava ele avançando o campo mais uma vez e mais um touchdown foi anotado, com passe de Bortles para o FB Tommy Bohanon em um play action. Steelers ligou o sensor de extrema urgência no ataque e atravessou o campo com 12 jogadas em dois minutos em sua posse seguinte, culminando em uma inteligente jogada de Roethlisberger, que fazia um scramble, mas viu que não atingiria a end zone, então jogou a bola para trás, nas mãos de Bell, que fez seu segundo touchdown no dia.

Com pouco tempo no relógio, o Steelers tentou um onside, mesmo com três tempos ainda pra pedir e podendo forçar uma parada no ataque do Jaguars. O chute de Chris Boswell falhou miseravelmente e já deixou Jacksonville na linha de 36 jardas do campo de ataque. Três corridas depois, Josh Lambo colocou o time 10 pontos na frente e Pittsburgh precisando de um milagre. O time ainda conseguiu chegar na linha de 5 jardas com 47 segundos restantes. Contudo, uma falta de intentional grounding e uma falha idiota de Antonio Brown, que não saiu de campo após uma recepção exterminaram o que faltava e só foi possível que Big Ben completasse mais um passe para TD de Juju Smith-Schuster, que encerrou o placar de 45 a 42.

Apesar de ter sofrido 42 pontos, é preciso ressaltar que a defesa do Jaguars foi a diferença na partida, com os turnovers que foram chave, ao conter Bell como corredor, mas sofreram com um ataque de Pittsburgh que estava desesperado, que atuou de maneira extremamente agressiva e contou com grandes jogos de Antonio Brown e do TE Vance McDonald, além de forte participação de Bell como recebedor. Resta saber se o Steelers conseguirá manter seu principal trio junto e finalmente tirar proveito deles para alcançar um Super Bowl e o que farão a respeito do coordenador ofensivo Todd Haley, que supostamente estava em situação instável antes do jogo.

Já para o Jaguars, a questão é se Leonard Fournette conseguirá repetir a fantástica atuação na final da AFC e o que a defesa conseguirá entregar para atrapalhar Tom Brady. Além disso, Blake Bortles precisará manter suas atuações com jogadas importantes realizadas nos momentos chave e seguir sem comprometer o time ao não sofrer turnovers.

Torcedor do Vikings após o jogo: “Morri, mas passo bem”

O melhor jogo da temporada aconteceu em Minnesota.

O primeiro tempo da partida exibiu todo o poderio da defesa do Vikings. Excepcionalmente talentosa, profunda e bem treinada, ela voava ao redor da bola, pressionava Drew Brees de forma constante e forçava passes imprecisos, além de limitar as corridas. Para completar, ainda conseguiu duas interceptações e possibilitou que o time, que dominava as trincheiras no ataque, chegasse ao intervalo com 17 a 0 de vantagem após os times trocarem erros de field goals. Entretanto, é preciso ressaltar que o Saints ainda assim conseguia mover a bola e parecia ter capacidade de esboçar alguma reação.

O terceiro quarto começou com uma campanha do Vikings que matou 7 minutos e terminou em punt. Em sequência, o Saints tratou de abusar de Michael Thomas, que recebeu três de quatro passes lançados em sua direção, culminando em um TD no qual queimou Xavier Rhodes. Na jogada de scrimmage seguinte, Case Keenum jogou uma bola para o alto na direção de Stefon Diggs e o S Marcus Williams – lembrem desse trio – fez a fácil interceptação, posicionando New Orleans na linha de 30 do campo de ataque. Brees entrou mais uma vez no campo e três minutos depois achou Thomas na end zone mais uma vez, para deixar o jogo completamente aberto no começo do último período.

Minnesota respondeu com um FG no drive seguinte, no qual Sean Payton jogou dois tempos fora ao desafiar jogadas que tiveram resultados inquestionáveis. Em seguida, os times trocaram punts. No entanto, o Saints bloqueou o chutado pelo Vikings e pouco depois Brees encontrava Kamara em uma rota wheel para virar o jogo. Dessa forma, New Orleans liderava por 21 a 20 e restavam 3:09. É aqui que a insanidade começa.

Em uma campanha segura, Case Keenum teve uma excelente conexão com Adam Thielen, que fez jogada espetacular para voar até a bola após ser segurado por Marshon Lattimore e ganhar 23 jardas. Cinco jardas depois, Kai Forbath virava o jogo com um chute de 53. Contudo, a sensação foi de que os 1:29 que sobraram eram tempo mais do que suficiente para que Brees conseguisse a virada. A impressão foi confirmada, sobretudo após uma demonstração incrível de tranquilidade em conversão de quarta para dez para Willie Snead. Pouco depois, Will Lutz colocava o Saints de volta na frente do placar.

Mike Zimmer foi inteligente de pedir tempos para ainda dar uma chance ao seu ataque. Assim, Keenum teria 25 segundos para buscar uma jogada salvadora. Um passe de 19 jardas para Diggs dentro do campo forçou a utilização do último pedido de tempo. Dois lançamentos incompletos em sequência e a situação ficou em uma terceira para dez na própria linha de 39 e dez segundos sobrando. Nesse momento os deuses do futebol americano se lembraram da série de desclassificações sofridas pelo Vikings nos pés de seus kickers nas últimas viagens aos playoffs. Assim, Keenum fez uma conexão longa para Diggs, que aparentemente receberia a bola em posição para um field goal na linha de 34. Contudo, em um desfecho cinematográfico, o Marcus Williams teve uma tentativa vergonhosa de tackle, errando Diggs e acertando seu companheiro Ken Crawley. Isso possibilitou que o WR corresse livre até a end zone com o relógio zerado para levar Minnesota para a final de conferência na NFC.

Em um esforço heróico, é muito importante falar dos grandes desempenhos de Keenum, que entregou sob pressão, e da muito subestimada dupla de recebedores formada por Thielen e Diggs, que fizeram jogadas muito importantes quando o time mais precisava. No lado defensivo, Everson Griffen, Anthony Barr, Xavier Rhodes e Harrison Smith são os destaques, apenas para citar alguns dos grandes nomes de uma unidade capaz de parar qualquer time. Assim, a possibilidade de finalmente um time disputar um Super Bowl em casa está realmente viva e parece cada vez mais palpável. Para isso, basta vencer o Eagles na Philadelphia, no que promete ser uma batalha defensiva.

Pelo lado do Saints, é triste ver mais um grande esforço de Drew Brees morrer na praia, mas caso ele renove, parece ter uma equipe mais completa e plenamente capaz de estar nesta mesma fase do campeonato no ano que vem, ainda mais com companhia de uma ótima dupla de RBs formada por Mark Ingram e Alvin Kamara e um WR que já se mostrou como um dos melhores de NFL em Michael Thomas. O que queremos falar aqui é de Marcus Williams. O calouro teve uma temporada de estreia muito boa, fez uma interceptação chave no jogo, sem a qual dificilmente o time estaria na situação que chegou, mas terá a carreira marcada pelo tackle errado no lance decisivo. Esperamos que este seja um momento de aprendizado, que Williams trabalhe em seus fundamentos e tenha um apoio psicológico para que dê a volta por cima, uma vez que já mostrou muito talento e que pode ser um jogador de alto nível.

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  • Anderson M. Santos

    Eu gostaria demais de ver Brees x Big Ben no SB, não deu! Méritos totais a Jaguars (#euacredito) e Vikings (mals ae, mas torcerei para o Eagles). A jogada do Keenum para o Diggs, me lembrou muito, mas muito mesmo a jogada do Flacco contra o Broncão da Massa https://www.youtube.com/watch?v=HmRYZOuXHrA e no fim da história os Ravens venceram o jogo e na sequência o SB! Será?

  • João Gabriel Gelli

    Pareceu demais essa jogada mesmo.