O Green Bay Packers vem aí?

22 de dezembro de 2016
Tags: igor seidl, packers,

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Rápida retrospectiva da temporada.

A temporada de 2016 começou de maneira atípica para o Packers. A tradicional franquia, tão acostumada à um amplo domínio na sua própria divisão e ao nível de jogo extraordinário de seu QB, viu o ano se iniciar com desempenhos entre regulares a ruins do seu principal jogador, um jogo corrido ineficiente e uma defesa que não vinha bem – especialmente contra o passe. Talvez mais importante do que isso, até a semana 6 o Packers viu um dos seus rivais de divisão deslanchar com um começo avassalor. Para completar, o Lions, outro rival de divisão, vinha rendendo bem e superando expectativas. Assim, a semana 6 se encerrou com o então invicto Vikings na liderança da divisão norte da NFC e em sua semana de bye, com o ascendente Lions na segunda posição com 3-3  vindo de 2 vitórias seguidas e o Packers apenas em terceiro lugar com 3-2, já que a equipe teve seu bye na semana 4. As perguntas sobre o que estaria acontecendo com Aaron Rodgers só aumentando e as críticas ao Head Coach correndo soltas. A situação já não paria das melhores e estava prestes a piorar.

Leia mais: O que há de errado com Aaron Rodgers?

Felizmente para o Packers, o Vikings se desestabilizou e no final da semana 10 já não era nem sombra da ameaça que se projetava no começo da temporada. Uma sequência de 4 derrotas faz isso por uma equipe, mas não por toda equipe. Infelizmente para o Packers, a equipe também desandou nessas semanas, e assim como o Vikings, passou por uma sequência de 4 derrotas e viu o Lions deslanchar com 4 vitórias (não consecutivas) no mesmo período. Após uma derrota total frente ao Redskins na semana 11, a percepção sobre as chances de playoffs do Packers não era das melhores. A equipe estava com 4-6 e em terceiro lugar na sua divisão, atrás de Vikings (6-4) e Lions (6-4). Hora de desesperar? Que nada!

Quando no dia 23 de novembro Aaron Rodgers disse em entrevista que ele sentia que sua equipe poderia ganhar todos os seus jogos até o final da temporada (a expressão foi “run the table”) e que não havia motivos para grandes preocupações, seria de se desconfiar. Seria, se não se tratasse do mesmo Aaron Rodgers que mandou a torcida relaxar (R-E-L-A-X) em 2014 e na sequência conduziu a equipe aos playoffs. Seria, se não se tratasse de um dos melhores QBs do jogo.

O fato é que, acelerando a retrospectiva para o final da semana 15, o Packers venceu as 4 partidas que disputou após essa declaração e com isso encontra-se com 8-6, a apenas um jogo do líder Lions (9-5) e com um confronto direto na última semana da temporada regular. A equipe “embalou” nessa reta final e dá sinais de que pode chegar aos playoffs com força.

O que aconteceu nesse período?

1. Bem-vindo de volta Aaron Rodgers

Ninguém sabe quem era o doppelganger usando a #12 no final da temporada passada e começo dessa semana, mas boa parte dos fãs da NFL fica agradecida pela “volta”, por assim dizer, do Aaron Rodgers de costume. Na partida contra o Eagles Rodgers passou para mais de 300 jardas e com 77% de acerto nos seus 39 passes terminou a noite com 313 jardas e 2 touchdowns sem nenhuma interceptação. Ninguém havia passado para mais de 300 jardas contra o Eagles até então na temporada – e a equipe já tinha enfrentando Big Ben, Kirk Cousins, Eli Maning e Matt Ryan.

Essa partida foi um marco na atual boa sequência de jogos. O Packers encontrou seu ritmo e passou a acertar mais as jogadas pelo meio, o que é, segundo seu HC Mike McCarthy, o caminho mais rápido para a endzone.

Figura 1 – Passes para o meio nos últimos 4 jogos

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E claro, o Rodgers em plena forma tem uma queda por grandes passes no quarto período e exibiu isso novamente na última semana para evitar uma derrota teria prejudicado enormemente as chances de playoffs da equipe.

Figura 2 – Passes mais longos no quarto período completados por Aaron Rodgers

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2. O resgate do jogo corrido com Ty Montgomery.

Nem só de jogo aéreo se vive na NFL e poder contar com um jogo corrido pode ser a diferença entre a vitória e a derrota em diversas partidas, como viu o Packers no último jogo contra o Bears. É a mesma história de sempre: o jogo corrido abre espaço para play action e impede que o time seja unidimensional, ajudando a manter a defesa adversária honesta e impedindo que coloquem apoio adicional na cobertura dos recebedores.  Apesar da ótima linha ofensiva, o Packers não vinha tendo sucesso nas suas corridas até criar seu próprio RB principal, com uma inusitada conversão no meio da temporada do WR Ty Montgomery para a função de RB.

Muito embora a conversão de WR em RB não seja assim tão rara, no geral ela ocorre ou logo após o draft ou ao final de um período mais longo de transição. A principal questão é que, muito embora vários WRs possuam os atributos físicos necessários para a função de RB, existem grandes diferenças em termos de técnica de uma função para a outra, detalhes como a necessidade de se correr com o centro de gravidade baixo e maior cuidado com a proteção da bola devido ao maior tráfego enfrentado pelos RB, as fintas de corpo e ângulos de ataque contra marcadores vindo de frente (o mais comum para WRs é ter marcadores mais próximos e correndo na mesma direção que eles), a fisicalidade e, principalmente, a visão e paciência para navegar entre os bloqueios. Montgomery, que declarou ter crescido sendo um RB e assistindo Walter Payton e Earl Campbell disse que a função é simplesmente natural para ele e, ao que parece, é mesmo.

Video 1 – Montgomery ataca a linha, força o safety Adrian Amos a se comprometer um gap interno e corta para fora para chegar na endzone.

Video 2 –  Montgomery percebe o gap interno se fechar e novamente corta para fora para dessa vez conseguir um first down.

As defesas ainda estão se adaptando ao novo corredor do Packers e devem tentar antecipar suas tendências e preferências ao longo dos próximos jogos, mas até o momento o desenvolvimento de Montgomery como RB é simplesmente excepcional.

3. Equilíbrio

Após um começo irregular na temporada a defesa do Packers, que chegou a ser a 28ª contra o passe e a 30ª em termos de pontos cedidos, vem melhorando e atualmente é a 23ª no geral. Pode não ser muito impressionante, mas é uma defesa com poucos pontos realmente fracos. A avaliação individual dos jogadores feita pela PFF ajuda a ilustrar esse ponto.

Figura 3 – Notas ao final da semana 15 da defesa do Packers

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Mais do que isso, uma defesa que simplesmente não seja hedionda pode já ser o suficiente para não destruir as esperanças dos torcedores quando o outro lado da bola pode ser tão dominante.

No entanto, o  principal fator de melhora da equipe em termos de equilíbrio está justamente no seu lado mais forte. A volta aos bons tempos da dupla Rodgers-Nelson, o surgimento de Jared Cook como uma boa opção pelo meio e o surgimento do Ty Montgomery como RB, aliados a uma linha ofensiva que sempre foi boa ajudou a facilitar o trabalho dos outros recebedores e o resultado pode ser visto abaixo.

Figura 4 – Notas ao final da semana 15 do ataque do Packers

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Um grupo sem qualquer ponto verdadeiramente fraco e com alguns jogadores que fazem toda a diferença.

Conclusão.

Aaron Rodgers voltou a jogar em nível de MVP e não só é muito difícil dizer, como também não importa tanto na realidade, se isso é causa ou consequência dos outros fatores citados nesta matéria, mas o fato é que uma vez combinados,  esses fatores tornam o Packers uma das equipes mais perigosas nesse final de temporada.

Figura 4 – Chances dos Packers pela ESPN após a semana 15

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Igor Seidl conheceu a NFL com o SB XXVII, mas só voltou a assistir seriamente a partir de 2008. Desde então, busca aprender mais sobre o esporte. É editor da Liga dos 32, produz uma matéria semanal e faz revisões. No twitter: @igorseidl