segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018

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Entrando na temporada regular de 2017, o Jacksonville Jaguars era um improvável candidato a sucesso, sendo que casas de apostas tinham a cotação de 100-1 para a franquia da Florida avançar ao Super Bowl 52. Mas numa das melhores histórias de toda a temporada, o time surpreendeu o mundo: apoiado numa feroz, jovem e igualmente talentosa defesa, um jogo terrestre potente e uma confiança que aumentava semanalmente a cada vitória, eles não apenas venceram a divisão como ganharam com propriedade de Buffalo Bills e Pittsburgh Steelers para carimbarem o passaporte até o AFC Championship Game contra o New England Patriots. A doída derrota por 24 x 20 extirpou as chances de representarem a conferência no próximo Super Bowl, mas esta temporada pode ter representado o início de uma era para a equipe que não avançava nesta fase dos playoffs desde a temporada de 1999.

Mas para a equipe que pode se gabar de ter muito talento na defesa, o mesmo não pode ser dito do ataque, principalmente na posição mas importante: Quarterback. Talvez você não se lembre mas a competição pela titularidade nesta posição entre Blake Bortles e Chad Henne estava aberta na pré-temporada, inclusive com Henne sendo declarado o titular em determinado momento, até que Bortles ganhou novamente o cargo ao final da fase de preparação. Acabou que Bortles teve um dos anos mais estáveis desde que entrou na NFL: foram mais de 60% de acerto nos passes (maior marca da carreira) e as 13 interceptações lançadas foram a menor marca para o ex-jogador de Central Florida. Ele mostrou sinais de melhora e em certos momentos até se mostrou um atleta confiável dentro do esquema de jogo, que incluiu nove passes para TD nos cinco jogos finais da temporada regular.

Bortles foi bom o suficiente num ataque orientado primeiramente para o jogo terrestre, que minimiza as claras limitações do QB e o coloca em situações bem favoráveis dentro das partidas. O sempre potente jogo terrestre e as rotas curtas dos ágeis recebedores, que são os responsáveis por grandes ganhos após a recepção também corroboram para o afloramento do bom desempenho do QB e o RB Leonard Fournette, outrora candidato a calouro do ano é que pode ser tido como a principal figura do ataque. Mas no último jogo, com Fournette sendo bem controlado pela defesa do New England Patriots, Bortles não foi capaz de dar o próximo passo na carreira.

Neste confronto, o Jaguars rapidamente abriu uma liderança de 14 x 03 graças as criativas chamadas do coordenador ofensivo da equipe. Os passes curtos para RBs e as bem orientadas conexões aos WRs foram capazes de mover as correntes rapidamente e as duas boas campanhas iniciais provam isso, mas quando a situação se inverteu e precisaram mudar este plano de jogo conservador, a temporada foi fadada ao fracasso dentro da penúltima partida da mesma.

Na parte final do jogo, quando realmente importa e o QB Tom Brady esquentou, as quatro posses finais do Jaguars foram um verdadeiro fracasso:

  • Três jogadas, nove jardas e punt;
  • Cinco jogadas, vinte e duas jardas e punt;
  • Três jogadas, uma jarda negativa e punt (esta campanha começou com um turnover forçado pelo LB Myles Jack);
  • Seis jogadas, trinta e duas jardas e turnover on downs.

Por toda a temporada, Bortles pode ser descrito como “bom o suficiente”, isto é, ele fez seu serviço, raramente foi o responsável único e principal pelas derrotas do time e como dito, foi confiável em determinados momentos. Para o atleta que outrora tinha mais interceptações retornadas para TD do que vitórias na carreira, isto já é um grande avanço em sua curta carreira, mas nesta fase da temporada, nesta posição e neste esporte, ser apenas “bom o suficiente” ironicamente não é suficiente para obter sucesso, ainda mais quando se trata de vencer o time comandado por Brady e Belichick atuando em New England. Temos que engrandecer a equipe por esconder as fraquezas de Bortles, mas quando mais precisou, não havia muito de positivo para exaltar em seu jogo, e isto condenou a temporada da equipe. Em quatro temporadas talvez já vimos o teto máximo que ele pode alcançar, e sinceramente não é algo que o time possa se animar para os anos que virão.

O Jaguars exerceu a opção do quinto ano do contrato de calouro de Bortles, e deve ao atleta cerca de U$ 19 milhões. Contudo, este valor é garantido apenas em caso de lesão, ou seja, o time é livre para dispensar o QB sem qualquer peso no teto salarial e se livrar do outrora 3ª escolha geral do Draft.

Francamente, o time da Florida tem muitas opções para melhorar sua posição mais enfraquecida do elenco. A classe de QBs que ficará sem contrato ao ano-novo da NFL incluiu até agora nomes como Alex Smith, Case Keenum, Sam Bradford, Teddy Bridgewater, Kirk Cousins, Eli Manning e mesmo Drew Brees. Mesmo que nem todos se tornem agentes livres para negociarem com qualquer time, é totalmente palpável o cenário em que três ou mesmo quatro jogadores desta lista possam negociar livremente com outros times. Um time jovem, em uma divisão pouquíssimo tempo atrás tida como a pior da NFL, com uma besta na posição de RB, boas peças ofensivas e uma defesa jovem que incrivelmente não atingiu seu auge com certeza irá atrair a atenção de um veterano lançador em busca de título para uma equipe determinada a vencer imediatamente. Caso Dave Caldwell e Tom Coughlin decidam por uma opção mais arrojada, há a classe de 2018 do Draft da NFL que deverá ser a melhor em anos no que diz respeito à variedade na posição mais importante do time. Mesmo que os nomes mais badalados provavelmente estejam fora de cogitação, atletas como Mason Rudolph e Lamar Jackson possuem atributos físicos e técnicos para se integrarem bem aos profissionais.

Eles chegaram o mais perto possível em sua curta história de avançar ao Super Bowl. A liderança de dez pontos com nove minutos para jogar foi vaporizada por um desempenho vintage do QB Tom Brady é verdade, mas não tira os méritos de uma boa temporada feita por um time desacreditado.

O núcleo da equipe é muito jovem, com atletas cruciais ainda em seu primeiro contrato, como Jalen Ramsey, Myles Jack, Yannick Ngakoue, Dante Fowler Jr, Leonard Fournette e Cam Robinson. Mesmo que outros atletas como o LB Paul Posluzny e o CB Aaron Colvin estejam sem contrato, o time tem o teto salarial para renovar com a importante dupla e aí sim retornar com a defesa intacta para 2018.

Mesmo que estejam contaminados pela dor de ficarem tão perto do Super Bowl, eles podem se orgulhar de terem ido mais longe que o mais fanático dos torcedores poderia imaginar antes do início da campanha. Mas como pode ser provado, cabe à alta direção ser mais agressiva para que o time dê o próximo passo e realmente compita pelo direito de representar a conferência na próxima temporada. Resta saber se vão acreditar na evolução que Bortles apresentou ao longo desta campanha ou se buscarão outro nome no mercado ou no recrutamento anual universitário.


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2 Comentários

  1. O fiel da balança foi o turnover. Os Jaguars tinham que ter capitalizado ao menos um FG, mas foram para um 3 and out, dando moral pra NE

  2. Outro lance no mínimo curioso, para não dizer outra coisa, foi no fim do segundo quarto, com 1 min de relógio, preferiram ajoelhar na bola, do que tentar avançar umas 30 jardas e chutar um FG.

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