O fator casa nunca teve tanta chance de fazer a diferença nos playoffs

10 de janeiro de 2017
Tags: Gabriel Plat, matérias,

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Se você prestou um pouco de atenção nos quatro jogos da rodada de wild card dos playoffs até agora, você deve ter percebido algo diferente. Não, não estamos falando dos jogos chatos, das polêmicas e dos touchdowns. Estamos falando de algo mais importante: o fator casa.

Em 2015, a rodada de wild card fez a vantagem de jogar em casa virar pó. Chiefs, Steelers, Packers e Seahawks impuseram vitórias longe de seus domínios e fizeram os campeões de divisão lamentarem o fato de não ter feito valer o mando de campo. Esse ano, a coisa mudou completamente. Todos os times que jogaram em casa na rodada de wild card venceram seus jogos. E por mais que jogar em casa traz sim uma certa vantagem, ela nem sempre é tão dominante.

Para analisar esse fator na pós-temporada, vamos utilizar os dados de todas as partidas dos playoffs desde o realinhamento da NFL para o atual formato da liga, em 2002. E de lá pra cá, é comum algumas zebras passearem nos gramados no mês de janeiro.

Analisando apenas a rodada de wild card, essa foi somente a terceira vez nos últimos 15 anos que todos os times que jogaram em casa venceram suas partidas. Analisando o mesmo período, os times que jogam fora de casa nessa mesma rodada tem um aproveitamento de 43,3%. Parece pouco? Nem tanto.

O aproveitamento dos times que jogam fora de casa cai para 28,3% na rodada divisional e 30% em finais de conferência. Ou seja: na rodada em que os times que jogam fora de casa mais aprontam, os times que jogaram em casa esse ano não deram chance alguma. E é agora que eu faço a pergunta:

Estaríamos em uma situação possível de domínio completo dos times que jogam em casa?

Vamos analisar um pouco os jogos da rodada divisional aqui. O New England Patriots recebe o Houston Texans e tem amplo favoritismo nessa partida. Na verdade, seria um desastre se o Patriots perdesse essa partida. Já as outras três partidas já são bem mais equilibradas, mas é extremamente possível que eles façam valer o mando de campo e vençam os jogos. Afinal, você acha que seria uma zebra se o Chiefs vencesse o Steelers em casa? Ou o Cowboys vencer o Packers em Dallas e o Falcons bater o Seahawks em Atlanta? Eu, sinceramente, acho que não.

Veja bem, não estamos dizendo que os times que jogam em casa são favoritos e os que jogam fora de casa são azarões e devem perder. Com exceção do jogo entre Patriots e Texans, eu não ficaria surpreso com nenhum vencedor dos outros três times. A única surpresa seria se acontecesse de um time vencer por um placar elástico, dado o equilíbrio dos três jogos.

Partindo de uma situação hipotética onde os times que jogam em casa vençam seus jogos, nos depararíamos com Patriots recebendo o Chiefs na final da AFC e Cowboys recebendo o Falcons na final da NFC. Aqui, novamente, você pode acreditar que será um jogo equilibrado, mas não seria exagerado acreditar que os dois times que estiverem jogando em casa possam ganhar as partidas. E isso seria algo inédito.

Nunca houve um domínio dos times da casa dessa forma na pós-temporada. Desde 2002, o mais próximo que se chegou de um domínio de times da casa foram as temporadas de 2014, 2011 e 2002, quando apenas dois jogos de toda a pós-temporada foram vencidos pelo time que estava jogando de branco — finja que Dallas joga de azul em casa, ok?

Das três temporadas mencionadas, a de 2011 é a mais interessante. Dos 12 times que jogaram naquela pós-temporada, apenas um venceu fora de casa: o New York Giants. Após vencer seu jogo em casa na rodada de wild card, o time jogou fora de casa nas duas rodadas seguintes e venceu, enquanto a AFC foi um domínio total dos times da casa. Curiosamente, o Giants acabou se sagrando campeão do Super Bowl daquele ano.

Como você pode ver, os números jogam contra quem precisa viajar para jogar na pós-temporada. Somando isso aos bons desempenhos dos times que jogarão em casa nas próximas fases, podemos ver um domínio nunca antes visto na história da pós-temporada. Moleza não vai ser, mas não deixa de ser um cenário possível. E você, acha que isso é possível?

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Gabriel Plat acompanha a NFL desde 2009 e se tornou completamente obcecado pelo esporte. Editor da Liga dos 32 e também editor-chefe do portal Blue Star Brasil. Responsável por uma matéria semanal e revisão. Está no twitter como @gabrielplat.