O estranho caso de um time que perdeu por anotar um touchdown

29 de novembro de 2016
Tags: broncos, chiefs, Gabriel Plat, matérias,

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Foi um jogo com tons dramáticos do início ao fim. Os protagonistas do ataque e da defesa de ambos os times apareceram e tiveram seus momentos de destaque. De um lado, Justin Houston voltava de lesão com 10 tackles e 3 sacks, enquanto do outro havia Von Miller, MVP do último Super Bowl, com 9 tackles e também 3 sacks. No lado do ataque, Travis Kelce passou das 100 jardas e Tyreek Hill anotou três touchdowns, um correndo, um recebendo e um retornando. No ataque de Denver, Trevor Siemian passou das 300 jardas e lançou para 3 touchdowns, com Emmanuel Sanders recebendo para mais de 150 jardas e um touchdown.

No fim da prorrogação, um chute mais do que dramático do Cairo Santos deu a vitória para o Kansas City Chiefs fora de casa. Mas acredite se quiser: a derrota de Denver já estava sacramentada muito antes disso.

Vencendo por 17 a 16, o Denver Broncos recebeu a posse de bola com pouco mais de cinco minutos restantes no relógio. A ideia do time aqui era uma só: gastar o relógio e vencer o jogo. Se não der para matar a partida nessa campanha, que o time ao menos consiga sair dela com uma pontuação. E foi isso que o ataque do Broncos fez até um fatídico lance.

Na linha de 24 jardas do campo de defesa, o Broncos enfrentava uma terceira descida para duas jardas com 3:12 restantes para o fim do jogo. O Chiefs havia pedido seu último timeout e o relógio só pararia mais uma vez, no two minute warning. Em um passe preciso, Siemian achou o WR Bennie Fowler para sua única recepção no jogo. Graças a uma bobeada do cornerback na jogada, Fowler só teve o trabalho de correr reto até a end zone para anotar o touchdown. E por incrível que pareça, foi nesse momento que o Broncos perdeu o jogo.

“Mas como assim? Como pode ser ruim para um time anotar um TD?”

Olhe bem para a primeira ideia do ataque de Denver nessa campanha: gastar o relógio. Com o touchdown, o Kansas City Chiefs recebeu a bola com 3 minutos restantes e perdendo apenas por uma posse de bola, uma situação até confortável para buscar uma reação — que acabou acontecendo, por sinal.

Imaginem o cenário se o Bennie Fowler tivesse ajoelhado, sei lá, dentro da red zone do Chiefs. Sem tempos para pedir, Kansas City receberia a bola, com sorte, perdendo por 4 pontos e tendo apenas 1:20 no relógio. Se com três minutos já foi extremamente complicado pro Chiefs anotar o touchdown e a conversão de dois pontos para empatar o jogo, imagina tendo menos da metade desse tempo?

Para piorar a situação, o Broncos poderia ter saído com a vitória sem ao menos dar a chance do Chiefs ter a posse de bola de volta. Bastava um simples first down no cenário acima para o time ajoelhar e encerrar com o jogo, sem dar chance para o azar — ou para o Cairo Santos.

Dessa jogada, podemos tirar duas conclusões: ou faltou experiência para o Fowler pensar nessa situação e não anotar o touchdown, ou ele havia se escalado no fantasy e precisava do TD pra ganhar o confronto da semana na liga dos seus amigos do bairro.

Uma coisa é certa: o provérbio “Quem tudo quer, tudo perde” segue valendo.

P.S.: Mesmo com o touchdown, Gary Kubiak teve a chance de matar a partida e optou por não tentá-la. O TD do Fowler deu ao Broncos uma vantagem de 7 pontos sobre o Chiefs. Ao optar por chutar o ponto extra e abrir a vantagem para 8 pontos, Kubiak desperdiçou uma chance de ouro de vencer a partida. A tentativa de conversão de dois pontos nesse momento tinha um risco nulo e uma recompensa alta. Se o Broncos convertesse, a vantagem aumentaria para 9 pontos, obrigando o Chiefs a pontuar em duas posses de bola com 3 minutos restantes, algo bem improvável de acontecer. Caso a conversão não desse certo, a vantagem se manteria em 7 pontos e o Chiefs ainda precisaria de um TD para empatar o jogo — e jamais tentariam a conversão de dois pontos nesse caso. Kubiak certamente deve ter se arrependido após o jogo por não ter pensado nessa situação.

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Gabriel Plat acompanha a NFL desde 2009 e se tornou completamente obcecado pelo esporte. Editor da Liga dos 32 e também editor-chefe do portal Blue Star Brasil. Responsável por uma matéria semanal e revisão. Está no twitter como @gabrielplat.