terça-feira, 13 de Março de 2018

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No Draft de 2017, o Cleveland Browns teve incríveis três escolhas de primeira rodada. Como esperado, draftou o defensive end Myles Garrett, o melhor jogador disponível na primeira escolha. Porém, foi na última sexta-feira (9) que o Browns começou a mostrar uma mudança em sua filosofia gestacional, anunciando três jogadores adquiridos via troca: o quarterback Tyrod Taylor (ex-Buffalo Bills), o defensive back Damarious Randall (ex-Green Bay Packers) e o wide receiver Jarvis Landry (ex-Miami Dolphins), que recém havia recebido a franchise tag. Outra transação importante foi a troca do defensive tackle Danny Shelton para o New England Patriots por uma escolha de terceira rodada no draft de 2019. O quarterback DeShone Kizer também saiu, enviado para o Packers na aquisição de Randall.

Para entendermos essa guinada na gestão de Cleveland, devemos analisar as temporadas passadas. A intertemporada sempre é muito movimentada, com trocas de jogadores-chave entre equipes que acabam por elevar o nível de uma franquia. No entanto, o Browns sempre se mostrou quieto durante o período entre as temporadas, realizando uma ou outra troca ou liberando alguns jogadores. Os atletas mais notáveis adquiridos via troca pelo Browns foram o linebacker Jamie Collins, em 2016, e talvez o wide receiver Sammie Coates, em 2017.]

Myles Garrett, Jabrill Peppers e David Njoku, as escolhas de primeira rodada do Browns no draft de 2017.

No final do ano passado, veio a reviravolta: horas depois de demitir Sashi Brown, a equipe de Cleveland anunciou o GM John Dorsey, que havia rescindido contrato com o Kansas City Chiefs em junho do mesmo ano. Até aí, tudo bem. Mas o que a troca de dirigentes significa? Significa justamente que o Browns resolveu parar de brincadeira e formar uma franquia sólida.

Dorsey tem um ótimo currículo. Passou a maior parte de seu tempo como diretor de scouting universitário e diretor de operações em Green Bay (2000 a 2012) e possui os créditos por ter montado um dos melhores times com jogadores draftados na NFL, sendo responsável por ajudar a escolher nomes como Aaron Rodgers, Clay Matthews e Gregg Jennings, entre outros. Em 2013, Dorsey foi nomeado GM do Kansas City Chiefs. Nas quatro temporadas em Kansas City, ele ajudou a draftar nomes como Eric Fisher, Travis Kelce, Marcus Peters, Tyreek Hill e Kareem Hunt, além de Patrick Mahomes. Dessas quatro temporadas, apenas em uma o Chiefs não foi aos playoffs.

No começo de dezembro de 2017, o Browns anunciou a contratação de John Dorsey como seu novo general manager

Ou seja, é inegável que Dorsey iria mudar o status de mediocridade que paira em Cleveland. Pelo menos no extracampo o GM já mostra serviço. Com inúmeros jogadores bons nesta free agency, não é de se espantar que o Browns venha a utilizar mais do seu poderio no teto salarial. São essas as amostras que John Dorsey vem dando em entrevistas à mídia americana. O GM já mencionou claramente que não tem posicionamento fechado sobre a primeira escolha do draft, dando a entender inclusive que estaria aberto a propostas de troca.

Assim, dependendo das movimentações na free agency, pode ser que o Browns saia deste draft com mais escolhas para o próximo. As mudanças afetam o status da franquia — o que fica claro com as trocas do dia 9 de março, que causaram rebuliço na internet. O Browns reintegrou Josh Gordon à equipe no final de 2017, após dois anos suspenso. Contudo, a franquia ainda relutava em ter certeza acerca da posição de quarterback nas mãos do novato DeShone Kizer. Gordon é um playmaker nato, um jogador digno de sustentar uma franquia. Os outros recebedores, inclusive o novato Corey Coleman, não corresponderam às expectativas. Portanto, era esperado um movimento na free agency por um bom recebedor. E o Cleveland Browns ganhou mais um playmaker: Jarvis Landry, ex-Miami Dolphins. Landry era o garoto-propaganda da franquia de Miami. Era o jogador mais aclamado pela torcida. Pronto, agora o Browns possui dois playmakers como recebedores. Lançar a bola para eles se tornou tarefa fácil — sobretudo porque Landry é um slot receiver seguro.

A incerteza sobre a qualidade de DeShone Kizer fez com que o GM procurasse Tyrod Taylor. O ex-quarterback do Buffalo Bills vem atraindo há tempos os olhares de times com carência nessa posição. Taylor é um dos quarterbacks mais seguros em termos de evitar turnovers e figura entre o top 10 em passer rating e porcentagem de passes completos em jogadas que duraram mais de 2,5 segundos. Só Aaron Rodgers e Tom Brady têm uma relação melhor entre touchdowns e interceptações nos últimos anos. O que isso quer dizer? Que o novo quarterback do Browns é um bom passador. E não devemos esquecer que ele também é uma ameaça correndo.

Por fim, Damarious Randall foi mais uma aposta do que uma certeza. O jovem foi cornerback nos três anos pelo Green Bay Packers e tem muito mais potencial do que mostram seus números inconsistentes. Em 2017, ele cedeu 81,7% dos passes em sua direção. No Browns, a tendência é que ele volte a jogar como free safety, como era no nível universitário. A questão é se vai disputar posição ou se adaptar a jogar com Jabrill Peppers.

Meras escolhas e trocas definem, sim, a filosofia de uma equipe. Dessa vez, com Dorsey à frente, o Browns mostrou que deve ser mais incisivo nesta e nas próximas intertemporadas. O futuro chegou.

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