sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

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O San Francisco 49ers teve um dos times mais vencedores na década de 1980 dentro da NFL, o que, somado com o começo da exposição da NFL para o Brasil criou uma verdadeira legião de torcedores tupiniquins desta tradicional franquia da Califórnia.  Após vários anos de ostracismo posteriores à esta década, a equipe obteve muito sucesso quando Jim Harbaugh assumiu o comando da equipe, transformando totalmente o nível de atuação de diversos jogadores e ameaçando a construção de uma real dinastia dentro da NFC, mesmo contando com Quarterbacks como Alex Smith e Colin Kaepernick, no máximo atletas regulares. O ponto alto foi a temporada de 2012 quando disputaram o Super Bowl 47 contra o Baltimore Ravens e mesmo que tenham sido derrotados pelo rival, a temporada estava longe de ser tida como um fracasso.

Porém, Harbaugh é igualmente talentoso e sistemático na formação de seus times. Quando a comissão não lhe deu o nível de comando necessário para a montagem do elenco, Harbaugh migrou rumo ao College Football para ser técnico de Michigan e com isso o 49ers parecia voltar ao ostracismo que marcou o time durante os últimos anos (com a exceção do citado período). A torcida de certa forma parecia aplaudir a opção de começar uma nova vida sem o vencedor técnico, o que se provou um verdadeiro fracasso pelos anos que seguiram, com Jim Tomsula e Chip Kelly falhando miseravelmente em criar qualquer impacto positivo no elenco e traduzir este impacto em vitórias na temporada regular. A situação dos QBs então nem se fala, pois após toda a confusão envolvendo Kaepernick, alguns atletas passaram por lá e não conseguiram se estabelecer para demonstrar que podem ser o jogador para montar a equipe em torno dele.

A dupla mais importante dentro da NFL, talvez de todos os quatro grandes esportes profissionais norte-americanos, é a combinação entre Quarterback titular e Head Coach, o técnico principal. Não é difícil corroborar para este afirmação quando olhamos o New England Patriots, que combina dois dos melhores da história nas respectivas posições e simplesmente conquistou a AFC Leste pela nona temporada consecutiva na última semana mesmo muitas vezes com um elenco limitado ao redor da poderosa combinação.

Quando Kyle Shanahan assumiu o cargo de HC após uma temporada como coordenador ofensivo pelo Atlanta Falcons que rendeu o título de MVP ao QB Matt Ryan, muitos tiveram esta como uma das melhores contratações para técnico da última temporada. Mas sem talento na posição de QB, o time se viu obrigado a começar a temporada regular com um calouro, CJ Beathard, que conseguiu uma vitória como profissional dentro da NFL em dez partidas, contra o New York Giants por 31 x 21. Neste meio tempo, a direção tomou uma decisão arrojada: mandou uma escolha de segunda rodada de Draft para o New England Patriots pelo QB Jimmy Garappolo e assumiu que o atleta tinha a capacidade de ser o cara para o time ao longo dos anos. No momento que não lutavam por mais nada em 2017 foi dada a certeza que era hora de testar a nova aquisição, e até agora o experimento tem obtido um sucesso tremendo.

São apenas três jogos, é verdade, mas a última vitória por 25 x 23 contra o Tennessee Titans é uma prova indiscutível que a combinação de Shanahan com Garoppolo tem a chance de se tornar algo muito especial para a equipe. São três vitórias consecutivas no período, incluindo uma contra adversário que chegou ao confronto liderando divisão, é algo difícil de acreditarmos mas sim, o 49ers é um dos times mais embalados da NFL nesta reta final de temporada. É algo realmente bizarro, pois se analisarmos, o time que venceu três partidas consecutivas é criteriosamente o mesmo (se bobear até pior) que aquele que perdeu as nove partidas iniciais, a exaltar a inserção do jovem QB no cargo de titular. Tem sido bonito observar o time se transformando de um saco de pancadas para uma unidade que pode competir de igual pra igual contra a maioria dos times, tudo com apenas uma única alteração que desencadeia uma sequencia de fatos em todo o time.

Shanahan herdou o pior elenco da NFL quando assumiu o 49ers na última temporada. Sem uma solução viável na posição mais crítica dentro da formação titular, era difícil cobrarmos qualquer bom desempenho de uma ótima mente defensiva com passagens espetaculares por Falcons, Redskins e mesmo Cleveland Browns. O contrato de seis anos assinado nos diz que a direção teria paciência com o técnico e que ele seria a pessoa certa para comandar a reconstrução, que parece ter encontrado a maior rocha de fixação para apoiar esta situação.

Ao contrário de Hoyer e Beathard (que alternaram a titularidade antes de Jimmy), o novo QB pode desenhar e executar as jogadas que Shanahan realmente deseja chamar, ou seja, ele pode assemelhar a si mesmo na hora de abrir o livro de jogadas. A capacidade de estender jogadas (foi apenas um punt com 50% de aproveitamento em terceiras descidas na última partida) é a última prova que o time joga com confiança desde que foi feita a mudança de lançador no começo deste mês. Não há duvidas do talento do HC em manejar o vestiário de uma equipe, de instalar uma cultura entre todos os atletas e sua capacidade de motivar seus comandados, qualidades indispensáveis para qualquer HC, mas com Garappolo, estamos vendo o quão talentoso Shanaham é na montagem de um ataque de elite dentro da NFL.

O 49ers não tem grandes recebedores para conseguir rápida separação nas rotas, não tem uma linha ofensiva sólida como outrora capaz de estabelecer o jogo terrestre e aéreo e com isso conta com um jogo terrestre deficitário, mas ao contrário do começo da temporada, tem um QB capaz de carregar um ataque, diagnosticando a situação e fazendo aquilo que deve ser feito, não importa quão minúscula seja a janela de passe na jogada. Prova disso é que, mesmo o jogo terrestre obtendo menos que duas jardas por tentativa na última vitória contra o Titans, o ataque superou as 400 jardas totais contra estatisticamente uma das melhores defesas de toda a NFL.

O time vem tirando o melhor de atletas questionáveis como Garrett Celek, Marqise Goodwin e Kendrick Bourne, todos com grandes ganhos territoriais em jogadas muito bem desenhadas pelo técnico principal, como na jogada vista acima.

Reitero, são apenas três jogos, mas a dupla parece ser uma ótima fundação para recuperar o prestígio de um dos times mais tradicionais na rica história da NFL. A presença de um técnico decente e um jovem Quarterback é um verdadeiro ímã de free agents e, munido de um grande espaço no teto salarial, poderemos ver em breve o San Francisco 49ers reunindo novamente grandes jogadores dentro de seu elenco, para aí sim competir em uma divisão que subitamente parece ter invertido a ordem de poder, com o declínio de Seattle Seahawks e Arizona Cardinals além da ascensão meteórica do Los Angeles Rams este ano e porque não do San Francisco 49ers na próxima temporada? Confesso que estou ansioso, e vocês?


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2 Comentários

  1. Só um detalhe… CJ ganhou um jogo… Contra o Giants, que naquela altura parecem ter jogado de sacanagem para derrubar o Mcadoo, vide TD que o Jenkins nem foi na jogada.

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