Nove estrelas da NFL que nunca conquistaram um Super Bowl

5 de junho de 2017
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A glória maior para um jogador da NFL tem nome: Super Bowl. A consagração de todo um ano de preparação e trabalho duro, representa o ápice na carreira de qualquer atleta que pise em um campo de futebol americano e é o objetivo cativado desde a infância pela grande maioria deles. Antes de qualquer contrato multimilionário, antes de estamparem propagandas de marcas famosas e antes de ficarem famosos por se relacionarem com belas mulheres, todos eles cultivaram o mesmo sonho quando crianças, objetivo muito difícil de ser alcançado em uma liga tão equilibrada e dinâmica. 

Esse fator tão peculiar da NFL, que por um lado a torna imprevisível a cada ano e garante surpresas no decorrer da temporada, também é o que condena grandes jogadores a carregarem o fardo de nunca terem conquistado um título em suas ilustres carreiras. São vários os exemplos atletas dominantes em suas posições por décadas, mas como o futebol americano é um esporte coletivo, seus esforços não foram suficientes garantir o grande prêmio ao fim da temporada. Montamos uma pequena lista com 5 jogadores já aposentados e 4 ainda em atividade que marcaram de alguma maneira a rica história da NFL ao longo de suas carreiras, mas que nunca conquistaram o Vince Lombardi Trophy:

JOGADORES APOSENTADOS

Barry Sanders (Running Back) – Detroit Lions (1989-1998)

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Motivos para citar Barry Sanders como o melhor RB da história da NFL não faltam. Mesmo antes de entrar na liga, o atleta realizou feitos históricos, como o recorde universitário de 2.850 jardas terrestres em seu último em Oklahoma State, números que permanecem imbatíveis até hoje. Selecionado na 3ª posição geral do Draft de 1989, o atleta foi ao Pro Bowl em todas as suas 10 temporadas e em seis delas foi eleito para o All-Pro Team. Sua ilustre carreira tem dois pontos negativos, mas que não o impediram de entrar para o Hall da Fama em 2004: sua aposentadoria prematura, sem nenhuma lesão e cercada de polêmicas, já que a “cultura de perder” no Detroit Lions tirou toda a sua competitividade e sede de vencer, nas palavras do próprio Sanders. A outra é a situação que o colocou nesta lista, nunca ter ganho um Super Bowl. Mesmo carregando o Lions para a pós-temporada em cinco das suas dez temporadas, a equipe nunca conseguiu fazer grandes caminhadas, principalmente devido as constantes mudanças de filosofia no ataque, que impediram qualquer QB de ter uma sequência como titular.

Dick Butkus (Linebacker) – Chicago Bears (1965-1973)

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Outro jogador com uma grande carreira universitária aliada a um grande desempenho como profissional. Butkus foi selecionado por dois times no Draft de 1965: o Denver Broncos, da antiga AFL, e o Chicago Bears, da NFL. Nascido em Chicago, a escolha de assinar com o Bears foi óbvia e por doze temporadas ele foi o pilar de uma das maiores defesas da história da NFL, conhecida como “The Monsters of Halfway”.  Eleito por jogadores e ex-jogadores como o defensor mais temido da história, impactou a grande defesa do Bears desde calouro, liderando o time em tackles, INTs e fumbles forçados em seu primeiro ano. Porém, se por um lado a defesa era dominante, o mesmo não pode ser dito do ataque. Butkus sofreu com o poder ofensivo nulo do Bears e sequer fez um jogo de pós-temporada na carreira, o que pode ser explicado pela modesta campanha do time de Chicago durante o período em que o atleta jogou por lá: 48-74-4.  Aposentou-se devido a recorrentes lesões nas pernas e com a acusação de que o Bears sabia dos problemas físicos e mesmo assim o forçou a jogar. Dá nome ao “Butkus Award“, prêmio destinado ao LB universitário de maior destaque da temporada.

Bruce Smith (Defensive End) – Buffalo Bills (1985-1999) e Washington Redskins (2000-2003)

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Se o Bills tinha no QB Jim Kelly o jogador ideal para comandar as ações no ataque e dominar a AFC na primeira metade da década de 90, a presença de Smith na defesa foi outro fator determinante para o time aparecer no Super Bowl por quatro vezes seguidas. Considerado um dos melhores DEs da história, ele foi dominante do primeiro ao último ano como profissional, somando dez ou mais sacks em 13 de suas 19 temporadas, além do surreal número de 200 sacks obtidos durante a carreira, número que lhe garante com folga a liderança histórica no quesito. Eleito para o Pro Bowl por 11 vezes e para o All-Pro Team em outras 9, ele ainda ostenta dois títulos de jogador defensivo do ano. Com quatro finais em seu currículo, provou ser um jogador que não se omite dos jogos importantes, constando na lista dos cinco atletas na história a conseguirem um Safety no Super Bowl, quando derrubou o QB Jeff Hostetler, do New York Giants, no Super Bowl XXV.

Anthony Muñoz (Offensive Tackle) – Cincinnati Bengals (19800-1992)

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Considerado um dos melhores OTs da história da NFL, teve uma carreira modesta no College, encurtada por lesões que o deixaram fora de campo na maioria dos jogos, mas não o impediram de ser selecionado com a 3ª escolha geral do Draft de 1980. A grande paixão de Muñoz pelo jogo o levou a instalar uma academia em sua casa e a estabelecer uma rotina exaustiva de treinos diários,  tentando evitar que as lesões o assombrassem também no nível profissional. O esforço e a dedicação deram resultado e o atleta somou apenas três ausências durante seus 12 anos como titular na linha ofensiva do Bengals, em que dominou amplamente e conquistou por duas vezes a AFC, mas não conseguiu repetir o feito no último jogo da temporada. Membro do time da década de 1980, seu currículo ainda conta com 11 participações no Pro Bowl e 9 escolhas para o All-Pro Team. Impiedoso na proteção ao passe, Munõz também era dominante abrindo espaços para o jogo corrido e foi um dos responsáveis por um período dourado do ataque do Bengals, que bateu vários recordes da franquia na época.

Dan Marino (Quarterback) – Miami Dolphins (1983-1999)

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Membro da lendária classe de QBs de 1983, que incluiu Jim Kelly e John Elway, Marino foi o último do trio a ser selecionado naquele ano, mas seu desempenho o equipara – e até o coloca acima – da dupla escolhida por Bills e Colts, respectivamente. Numa época dominada pelo jogo corrido, ele foi prolífico no jogo aéreo e sua contribuição vai além dos números espetaculares na carreira, representando a quebra de um paradigma na NFL,  já que os times viram que o futuro do jogo seria pelo ar. Em sua carreira, o QB quebrou diversos recordes de passe impensáveis para a época, que incluem ser o primeiro a lançar para 5.000 jardas ou mais em uma mesma temporada e o primeiro a lançar para mais de 45 TDs. Dan Marino transformou o Miami Dolphins instantaneamente, se classificando para a pós-temporada em dez oportunidades. Nunca foi um QB móvel, mas seu instinto no pocketaliado a uma mecânica muito rápida para lançar, o tornavam quase impossível de ser derrubado. Foi um dos únicos jogadores a ser eleito o “Offensive Rookie of the Year” e no ano seguinte o MVP da liga.

Andre Johnson (Wide Receiver) – Houston Texans (2003-2014), Indianapolis Colts (2015) e Tennessee Titans (2016)

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Andre Johnson foi um dos jogadores mais dominantes da década passada e uma das primeiras escolhas da história do Houston Texans. A falta de um QB capacitado durante toda a carreira não impediu o veterano de colocar números estratosféricos. Andre Johnson é dono de praticamente todos os recordes de recepção da franquia que defendeu até a duas temporadas. Divergências com o técnico Bill O’Brien levaram a franquia de Houston dispensar o atleta de 34 anos, que acertou com o rival Indianapolis Colts para a temporada seguinte. Porém, não mostrou a mesma qualidade de anos anteriores e também acabou dispensado após o campeonato e se juntou ao Tennessee Titans em 2016, onde se aposentou no meio do ano. Um dos 45 jogadores na história da NFL com mais de 10.000 jardas em recepção viu sua equipe fracassar na busca pelo título durante toda a carreira, culminando em apenas duas classificações para a pós-temporada em 13 anos como profissional.

JOGADORES EM ATIVIDADE

Frank Gore (Running Back) – San Francisco 49ers (2003-2014) e Indianapolis Colts (2015-atualmente)

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Gore tem uma carreira muito parecida com a de Johnson, mas obteve mais sucesso em seus últimos anos. Jogando pelo San Francisco 49ers, foi um RB útil desde a sua temporada de calouro, onde mesmo começando apenas um jogo como titular, somou 608 jardas terrestres e 3 TDs. Um dos melhores bloqueadores de sua geração, têm no currículo nove temporadas com mais de 1.000 jardas terrestres, além de ser uma grande arma no jogo aéreo, passando das 3.000 jardas recebidas na carreira. O fator fundamental para a falta de um título foi a fase difícil em que Gore chegou à San Francisco, sem qualquer definição na posição de QB. É um RB forte, que procura o contato e parece feliz quando precisa correr entre as linhas. Não aprovou a saída de Jim Harbaugh ao fim da temporada de 2014 e se juntou ao Indianapolis Colts no ano passado, assim como Andre Johnson, mas teve um rendimento bem melhor que o também veterano.

Philip Rivers (Quarterback) – San Diego Chargers (2004-presente)

Preterido pelo Chargers, que escolheu Eli Manning no Draft de 2004, viu o irmão mais novo de Peyton ser mandado para o Giants após se recusar a jogar na Califórnia. Sem escolha, a equipe de San Diego acabou ficando com o destaque da universidade de North Carolina State, que virou a 4ª escolha geral daquele ano. Rivers mostrou-se um QB acima da média em todas as oportunidades, mesmo que tenha assistido Eli Manning conquistar dois títulos com o Giants. Ao longo da carreira, se notabilizou como um dos bons QBs da NFL e somou em seu currículo temporadas vencedoras – seu primeiro ano com uma campanha negativa na liga aconteceu apenas em 2012 com um 7-9. Com mais de 45.000 jardas áereas na carreira, foi 6 vezes eleito para o Pro Bowl e conta com números interessantes ao longo dos anos, além da parceria com o TE Antonio Gates, uma das mais prolíficas da história, com mais de 60 TDs.

Adrian Peterson (Running Back) – Minnesota Vikings (2007-2016) e New Orleans Saints (2017-atualmente)

Talvez o melhor RB de sua geração, Peterson soma números que tornam a sua indicação ao Hall da Fama apenas uma questão de tempo, mesmo com alguns problemas extracampo. Dominante desde o seu primeiro dia no Vikings, foi selecionado com a 7ª escolha do Draft de 2007, oriundo da universidade de Oklahoma. Diferentes de outros RBs que apresentam uma característica em particular – força ou velocidade – Peterson contempla as duas em seu jogo, fundamentais para um corredor que quer ter sucesso na liga. O camisa 28 é o líder histórico em TDs de 60 ou mais jardas (7), ao mesmo tempo que suas 1.019 jardas após o contato na temporada de 2012 também são um recorde da NFL. Outro membro do clube das 10.000 jardas terrestres, entra na próxima temporada buscando aquilo que escapou das mãos quando teve Brett Favre como parceiro em 2009, ano em que o time de Minnesota não resistiu ao New Orleans Saints em um dos jogos mais incríveis da história da pós-temporada.


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Paulo César é o setorista da NFC LESTE. Analisa Giants, Cowboys, Redskins e Eagles às terças e quintas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @PcesarPJunior