sexta-feira, 16 de Março de 2018

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Na última quarta-feira, 14 de março, começou oficialmente o calendário de 2018 da NFL com a abertura da Free Agency. A partir deste momento, as franquias podem assinar contratos com jogadores que estão sem vínculo com outros times. É sem dúvida um dos períodos mais movimentados e importantes não só da pós-temporada, mas sim de todo o ano para liga.

Porém, uma Free Agency movimentada para uma franquia não significa necessariamente um time competitivo no próximo ano. Existem diversas formas de montar um elenco forte e gastar milhões nos primeiros dias de Free Agency pode não ser uma decisão sábia.

Em um histórico recente, times que gastam dinheiro demais contratando agentes livres tendem a ter temporadas piores do que franquias mais econômicas. A tabela abaixo foi montada considerando os gastos de times nas últimas quatro temporadas, de 2014 a 2017, e suas campanhas no final da quarta temporada (número de vitórias dividido pelo número total de jogos de cada time). Ela apresenta os 15 times que mais gastaram com agentes livres sem considerar renovações de contratos. As campanhas em verde indicam times com um total de pelo menos 32 vitórias e 32 derrotas nas quatro temporadas somadas.

Dos times da lista, apenas Broncos, Ravens, Saints e Falcons tiveram pelo menos o mesmo número de vitórias e derrotas. Os demais ficaram com desempenho negativo apesar do alto investimento realizado.

Um exemplo de sucesso, o Seattle Seahawks do início da década trouxe ao mundo uma das defesas mais impressionantes da história da liga com a Legion of Boom. Nesse período, a franquia foi muito econômica ao contratar agentes livres, buscando a maioria de seus talentos no draft e montando o elenco com esta filosofia. O resultado disso foram consecutivas aparições nos playoffs com domínio da NFC Oeste, dois títulos de conferência e um Super Bowl.

O Carolina Panthers campeão da NFC na temporada de 2015 foi outro time montado sem gastos com agentes livres. Foi o 3º que menos gastou em 2013, o 6º em 2014 e o 5º em 2015. Outros times como Packers e Steelers também sempre figuram entre os menores gastos na Free Agency ano após ano, mas nem por isso deixam de ser competitivos, muito pelo contrário.

Além disso, um jogador bem pago ou com nome forte não significa necessariamente um jogador produtivo. Da mesma forma que existem decepções no draft, o mesmo pode-se dizer de agentes livres. Contratar um grande nome não significa que ele irá jogar bem no novo time, ou então se encaixar no esquema de jogo. E a história da liga traz vários exemplos disso.

DeMarco Murray, que em 2014 foi contratado pelo Eagles em um contrato de 40 milhões por 5 anos, nunca desempenhou o esperado. Correu apenas para 702 jardas em 2015 (uma queda gigante das 1845 jardas da temporada anterior) e foi trocado no final do ano para o Tennessee Titans.

Em 2004 o Cleveland Browns assinou com Jeff Garcia, então quarterback do San Francisco 49ers, um contrato de 25 milhões para 4 anos. Garcia levou o Niners a aparições nos playoffs em duas oportunidades e foi 3 vezes ao Pro Bowl. Porém, na sua primeira temporada com o Browns jogou apenas 10 jogos com míseras 7 vitórias e não sobreviveu a seu primeiro ano.

O Washington Redskins tem um histórico grande de agentes livres decepcionantes, sendo o Defensive Tackle Albert Haynesworth um dos maiores busts na história recente não apenas da franquia como da liga em geral. Após um 2008 com 41 tackles e 8,5 sacks no Titans, o Redskins assinou no primeiro dia da Free Agency de 2009 um contrato de 100 milhões e 7 anos com o jogador. Logo na chegada, Haynesworth teve problemas com a comissão técnica e nos seus dois primeiros anos combinou apenas para 42 tackles e 6,5 sacks. Acabou sendo trocado após duas temporadas para o New England Patriots por uma escolha de 5ª rodada.

E como não lembrar do recente casamento entre o quarterback Brock Osweiler e o Houston Texans que ainda está fresco na memória dos fãs da franquia? O time assinou em 2016 um contrato de 4 anos e 72 milhões de dólares com o jogador. Desse caso, só cabe dizer que Osweiler virou reserva de Tom Savage em seu 15º jogo e levou 37 milhões de dólares no divórcio após um ano no Texas.

Isso tudo não quer dizer que o time não deva ir ao mercado em busca de talentos. Apenas que essa busca deve ser consciente e com planejamento, já que existem outras formas de se construir um elenco capaz de brigar na temporada. Então torcedor, se seu time não contratou ainda, não se desespere. Isso pode ser um bom sinal.

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