segunda-feira, 27 de novembro de 2017

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Quem começou a acompanhar a NFL há um pouco mais de tempo, observa que o Cleveland Browns é uma verdadeira bagunça desde que entrou como uma equipe de expansão na década de 90. Atitudes questionáveis da alta direção ano a ano refletem em um desempenho patético do time dentro de campo e o resultado é o mesmo: a equipe sempre está em casa assistindo os playoffs em Janeiro. Com a última derrota são quinze anos consecutivos sem que o Browns, outrora um time de sucesso no passado não consiga sequer uma classificação para a pós-temporada. Mais que isso, o Browns corre sério risco de ser apenas o segundo time na história a perder os 16 jogos da temporada regular (se juntando ao Detroit Lions em 2008). Dos citados erros que a direção toma, o fato de como eles lidaram com a possibilidade de recrutar QBs no Draft destoa das demais e reúne algumas coincidências com o melhor time da NFL este ano, o Philadelphia Eagles.

Da sua maneira, cada time mudou seu próprio parâmetro recentemente, e o ponto principal é o próprio Carson Wentz. Antes de ligarmos o jovem atleta, vamos a uma recapitulação do passado: o Browns procura um QB da franquia desde os dias de Otto Graham. Em 1999 Cleveland tinha a primeira escolha do Draft e resolveu usá-la no QB Tim Couch, um dos maiores busts da história da NFL; o Eagles (!) com a segunda escolha geral optou por recrutar Donovan McNabb, que foi o maior QB da história do time e guiou o Eagles até um Super Bowl, sendo derrotado pelo New England Patriots.

Agora a sinergia: todos devem se lembrar que o Browns poderia recrutar Wentz no Draft de 2016 com a segunda escolha geral, mas preferiu trocar tal escolha com o Eagles que recrutou o QB oriundo da universidade de North Dakota State. Mais tarde naquele Draft o Browns recrutou Cody Kessler e num roteiro típico da franquia de Ohio, já desistiu de Kessler e recrutou DeShone Kizer neste último Draft, e ao que tudo indica já procura outro Quarterback no mercado. Claro, há de se lembrar que o Browns poderia ter recrutado Deshaun Watson este ano, que teve um dos melhores inícios de carreira para um QB novato na história da NFL, mas preferiu trocar a escolha para o Houston Texans.

Claro, o Eagles se saiu muito melhor na situação envolvendo o Browns, novamente. Wentz já é um dos candidatos a MVP e lidera a NFL em passes para TD. O Eagles tem dez vitórias em onze jogos e é a melhor campanha da NFL. De fato, o time chegou pelo menos ao NFC Championship Game em cada uma das vezes que teve esta campanha durante a temporada regular, então se a história se repetir, o Eagles terá uma longa caminhada em janeiro. O time pode garantir o primeiro título da NFC Leste desde 2013 já na próxima quinta, basta apenas o Dallas Cowboys não vencer o Washington Redskins que nenhum adversário de divisão poderá alcançá-lo, o que já garante ao menos um jogo de playoff em casa, na frente de uma das torcidas mais apaixonadas de toda a NFL.

O Eagles é o time mais dinâmico da NFL no momento. Eles não estão “apenas” vencendo, estão dominando cada adversário: na última vitória (massacre por 30 x 03 contra o Bears) foram apenas seis jardas terrestres para a equipe de Illinois, a menor marca em décadas para o time. O ataque comandado por Wentz tem peças de talento em todas as posições e são uma ameaça de pontos a cada posse; a defesa comandada por Jim Schwartz não cedeu nenhum TD no primeiro quarto em toda a temporada e é uma das melhores de toda a NFL, com o resultado refletindo na campanha do time.

O Browns…bom, são o Browns. A menos que seja no basquete ou beisebol, as coisas vão (históricamente) mal para o estado nos demais esportes. O Cleveland de 2016-17 se juntou ao Tampa Bay Buccaneers de 1976-77 como as únicas equipes da história a ter o recorde de 0-11 em duas temporadas consecutivas. Vale destacar que aquele Bucs tinha acabado de entrar na NFL como uma franquia de expansão, então tal estatística é ao menos explicável, afinal, vão anos para montar uma equipe competitiva na NFL.

A equipe viajará até Los Angeles enfrentar o Chargers na próxima semana buscando ainda a primeira vitória na temporada. Ano passado, o primeiro (e único) triunfo veio justamente contra os próximos rivais na semana 15 daquela campanha, contudo, Los Angeles este ano é um dos times mais completos e mesmo com o recorde de 5-6, está vivo na disputa por ao menos uma vaga de wild card dentro da AFC.

O Browns busca evitar marcar ainda mais seu nome nos recordes negativos da história da NFL. Não que já não estivessem marcados, já que certamente o time já é o pior time da liga nesta década, mas ainda há esperanças para o time.

A equipe tem várias escolhas no próximo Draft que deverá ter pelo menos três QBs com potencial para virar os rumos de uma franquia. Resta saber se a alta direção vai finalmente parar de acumular escolhas para os próximos recrutamentos e começar a injetar jovens talentos recrutados na primeira rodada do Draft, principalmente na posição mais importante, a de Quarterback.

O punhal para a combalida torcida é quando analisamos os atuais técnicos principais: Doug Pederson chegou a ser ventilado pelo Browns antes de contratarem Hue Jackson para o cargo, e o resultado já é conhecido: Pederson venceu 17 de 27 jogos até agora e tem nas mãos talvez o próximo grande QB da franquia em toda a NFL. Enquanto isso, o Browns de Jackson venceu apenas um dos últimos 27 jogos e parece não ter forças para sair do fundo do poço, mas não é um cenário novo para o time de Ohio.

Mas como disse o maior ídolo do estado (LeBron James), “Em Ohio nada é ganhado. Tudo é merecido. Você trabalha para ter o que tem.” Tal mantra pode guiar o Browns rumo à reconstrução da franquia, mas não sem esquecer dos diversos erros do passado, alguns bem recentes, não acha?


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