sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

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Desde que entrou na NFL em 2013, recrutado na segunda rodada daquele Draft oriundo da universidade de Michigan State, talvez não há RB mais talentoso e versátil na NFL que Le’Veon Bell, do Pittsburgh Steelers. Além de revolucionar o jeito de atuar em uma das posições mais críticas na montagem de um bom time, com sua incomum paciência na espera da abertura dos buracos feitos pela linha ofensiva, combinando com o arranque e explosão física para atacar o menor deles e conseguir grandes avanços, temos que Bell é uma das figuras mais completas a atuar na NFL nos últimos anos. Como se não bastasse, sua capacidade de atuar como recebedor saindo do backfield ou mesmo alinhando como WR o torna uma arma praticamente indefensável para os adversários. Tal status de intocável dentro do Steelers que o torna figurinha repetida em votações para o Pro Bowl e All Pro em cada uma de suas temporadas em que atuou a majoritária maioria dos confrontos anuais.

Pois bem, somente isto representaria a garantia que ele seria um dos atletas mais bem pagos de toda a NFL, correto? Bom, não é bem assim. A posição de RB é uma das mais desvalorizadas no quesito salário na atual fase da NFL. Com o predomínio do jogo aéreo se comparado ao terrestre, temos que QBs, WRs e mesmo LTs de elite ganham muito mais se comparado a um RB deste mesmo nível, afinal a “vida útil” para um atleta nesta posição, isto é, sua margem de anos atuando em alto nível é realmente muito menor que todas as outras, sem falar que eles estão a uma jogada, um tackle, um movimento em falso de machucar o joelho e nunca mais ser o mesmo pelo resto da carreira, além da longa estrada de recuperação apenas para pisar em um campo novamente na próxima temporada à lesão. Apenas para ilustrar o que foi dito anteriormente, o RB novato Kareen Hunt, do Kansas City Chiefs, liderou a NFL em jardas terrestres nesta temporada com 1327. Em 2003, onze RBs ultrapassaram a marca das 1350 jardas e teriam liderado a NFL no quesito se tivessem atuado em 2017.

Mas isto é assunto para outra coluna (belo assunto, aliás), então o foco desta vez é para Bell. O atleta de 25 anos atuou durante toda a última temporada com a franchise-tag, um atributo dos times que permite uma renovação contratual automática de uma temporada a um jogador designado que esteja sem contrato ao fim dela, usando como base os cinco maiores salários entre todos os atletas de sua posição. Mesmo Bell publicamente afirmando que não atuaria em 2017 sob este contrato de uma temporada, as intensas negociações entre jogador e time não obtiveram resultado e, sem outra escolha, Bell assinou contrato de um ano no valor de U$12.1 milhões, o que já representou o maior contrato entre todos atletas desta posição.

Talvez temendo um resultado semelhante visando a próxima intertemporada, Bell foi mais enfático e declarou que pensa em ficar de fora da próxima campanha ou pior, se aposentar abruptamente e no auge da carreira caso não receba a generosa extensão contratual que deseja. Tal notícia não poderia vir em pior momento, afinal, o Steelers se prepara para enfrentar o algoz Jacksonville Jaguars nos playoffs de divisão, cuja defesa engoliu o ataque do time na semana 5 e marcou a pior derrota da equipe na atual temporada e uma das piores dos últimos anos, com Ben Roethlisberger lançando cinco interceptações (sendo duas retornadas para Touchdown).

Bell declarou o seguinte para um repórter da ESPN: “Espero que não chegue a este ponto (aposentadoria), mas eu definitivamente consideraria isto. Quero apenas que os números simbolizem exatamente o que esperam de mim. Ainda não resolvi nada, mas sei o que sou e o que eu acrescento dentro de campo. Não irei lá para tocar 400 vezes na bola por ano (entre corridas e recepções) se eu não estiver ganhando o que sinto que mereço. Já ganhei bastante dinheiro até agora, estou feliz onde estou…tenho uma boa família. Não preciso jogar mais futebol. Agora, estou fazendo isso (atuando) apenas pelo meu amor ao esporte. Já realizei tudo que queria com a exceção de vencer um Super Bowl. Não necessariamente estou ligando totalmente para o aspecto monetário neste ponto. Quero apenas ser valorizado pelo que fiz e onde estou agora.”

Desde 2013, sua marca de 7996 jardas de scrimmage (soma das terrestres e aéreas) representam a segunda maior marca da NFL no período. Só o RB LeSean McCoy tem mais jardas e mesmo assim, a diferença é de apenas vinte, sendo que McCoy atuou em 13 partidas a mais que Bell neste intervalo, aí podemos ter uma noção do quão produtivo o RB tem sido na curta carreira. A grande maioria desta produção veio com um salário baixíssimo: segundo o Spotrac (site especializado em contratos dos jogadores), ele assinou por quatro temporadas e apenas U$4.12 milhões antes de receber mais de U$12 milhões atuando com a franchise-tag em 2017. Ano este que, inclusive, foi responsável por 1291 jardas terrestres em 321 tentativas além de mais 85 recepções para 655 jardas pelo ar.

Ele até postou no Twitter uma breve explicação sobre suas declarações, mas nesta altura, toda a mídia já estava em cima do atleta e repercutindo aquilo que ele supostamente declarou.

“Estou tentando vencer o Super Bowl…não poderia ligar menos para o que acontecerá após a temporada…a grande questão é que meu foco é neste time que estou agora, jogando com meus irmãos e trazer o sétimo anel! O que acontecerá no próximo ano é irrelevante para meus objetivos.”

É claro que o salário de Bell não é condizente com seu nível de atuação, mas ao declarar isso ele criou para si e para o Steelers uma situação que pode tirar a concentração dele e de e outros jogadores na semana de um importante duelo divisional, e em um cenário bastante otimista, com mais dois jogos a atuar – AFC Championship Game e o Super Bowl 52. Analisando friamente a situação, temos o seguinte: em um cenário hipotético no qual ele receba a segunda franchise-tag em 2018, a previsão é que seja algo na faixa de U$ 14 milhões, o que nos dá que ele receberia mais de U$ 26 milhões garantidos em apenas dois anos, além de que, uma terceira franchise-tag em 2019 é praticamente impossível, pois o valor se assemelharia ao pago para um QB de elite, algo na casa de U$25 milhões por ano, inviável para o Steelers que deixaria Bell livre no mercado com apenas 26 anos de idade e já multimilionário. Dada a proibição de time e jogador negociarem um contrato enquanto este está sobre a franchise-tag até o final da temporada em questão, a declaração de Bell em nada ajuda sua situação, do contrário, só piora.

Contudo esta história deverá se alastrar por toda a intertemporada e, graças a estas declarações, já começamos a discutir aquela renovação contratual que pode ser também uma mudança de paradigma e um alento para a posição, tão desvalorizada na atual fase da NFL. Jovens atletas da posição como Kareen Hunt, Leonard Fournette, Todd Gurley e Jordan Howard assistirão com atenção todo o desenrolar desta novela, afinal, todos ainda estão sob seus contratos de calouro e provavelmente serão os próximos na linha de sucessão e em breve renegociarão seus respectivos vencimentos anuais por temporada.


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