Lendas da Liga – Dan Marino

11 de maio de 2017
Tags: dolphins, tiago araruna,

Responsável por levar o jogo aéreo a um patamar nunca antes visto anteriormente na NFL, Marino foi o primeiro a lançar 40 touchdowns em uma temporada (lançou 48 em 1984, engolindo o recorde anterior de 36 TDs), bem como o primeiro a alcançar a marca das 5 mil jardas aéreas – também em 84 – quando o futebol americano ainda não era tão voltado ao passe, nem haviam regras que protegem tal estilo de ataque como existem hoje.  Esqueça essa história de que ele nunca venceu Super Bowl porque estamos diante de um dos maiores passadores de todos os tempos.

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Com um desempenho fantástico jogando por sua escola, ele teve a chance de escolher dentre diversas Universidades interessadas e optou pela University of Pittsburgh para seguir vivendo na cidade que nasceu. Levou o time a múltiplas temporadas com recorde 11-1, conquistando o direito de jogar em quatro College Bowls, a pós temporada do College Football. Foram eles o Sugar, Cotton, Fiesta e Gator Bowls, com direito a um touchdown a segundos do fim do Sugar Bowl para derrotar a University of Georgia. Ao final de sua jornada em Pittsburgh, Marino já havia quebrado diversos recordes da instituição, como o de jardas totais e passes para touchdown. Suas estatísticas finais no College Football correspondem a 7.905 jardas aéreas, 74 touchdows e 64 interceptações.

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Um Draft acima da média para um jogador acima da média. Esse foi o Draft de 1983, que contou ainda com nomes como John Elway e Jim Kelly, que foram selecionados antes de Marino. Para se ter uma noção do nível dessa classe de QBs, em 11 dos 16 anos seguintes ao Draft, um deles estaria no Super Bowl representando a conferência americana. Um fato um tanto quanto chocante aconteceu naquele evento, já que cinco quarterbacks foram selecionados antes do eterno QB do Dolphins. Além de Kelly e Elway, Ken O’Brien, Todd Blackledge e Tony Eason saíram do “board” antes do futuro Hall da Fama. Inclusive, quando O’Brien foi escolhido pelo Jets, Dan Marino perguntou a seu empresário sobre quem seria esse jogador que era menos conhecido. O Miami Dolphins o selecionou com a 27ª escolha geral e essa sua queda no Draft motivou o jogador a provar a cada time que o renegou que eles estavam muito enganados sobre o que ele poderia fazer na NFL.

Dono de uma presença no pocket quase que inigualável, ele conseguia sentir a pressão e evitá-la com um simples – mas essencial – passo à frente. Don Shula, técnico do Dolphins, o fazia estudar as defesas para chamar as jogadas também. Marino era capaz de explorar seu braço forte com lançamentos longos dotados de muita precisão, isso sem falar na rapidez com que se livrava da bola e tomava decisões. Características que carimbaram o jogador como um daqueles poucos e raros que são realmente à frente do seu tempo.

No Dolphins, Dan Marino foi prejudicado pela falta de um time mais talentoso construído ao seu redor, notadamente no lado defensivo da bola e no jogo corrido. Mas isso não o impediu de ser altamente bem sucedido individualmente e também no âmbito coletivo como quando venceu a final da AFC e levou seu time ao Super Bowl XIX, onde foram derrotados pelo 49ers de Joe Montana. Aliás, Marino vs Montana no grande palco da NFL foi algo comemorado demais naquele ano e não era para menos, afinal aquele Super Bowl colocou dois monstros sagrados frente a frente.O detalhe desse jogo é que Miami correu apenas oito vezes com a bola e exigiu 50 passes do seu quarterback, tornando seu jogo bem previsível.

Marino chegou ao Dolphins como reserva e assumiu a titularidade apenas na semana 6 do seu primeiro ano como profissional em um jogo diante do Buffalo Bills, onde foram derrotados na prorrogação por 38 a 35. Logo na sua segunda temporada ele estabeleceu dois recordes inacreditáveis para a época – mais TDs em uma temporada (48) e mais jardas aéreas (5.084). Outro momento digno de nota foi o jogo entre Miami Dolphins e Chicago Bears em 2 de Dezembro de 1985, pois Marino e cia foram o único time a vencer a poderosa defesa do Bears naquela temporada. Essa defesa é considerada a melhor de todos os tempos por diversos analistas.

A inesquecível passagem do nativo de Pittsburgh pela franquia de Miami envolveu ainda alguns recordes, como mais jogos com 400+ jardas aéreas (17) e a liderança geral em jardas pelo ar em cinco temporadas. Sua carreira recebeu o ponto final em 1999, concretizando 17 anos usando a mesma jersey. Ele ainda chegou a receber propostas de times como o Vikings, Steelers e Buccaneers, porém decidiu parar até mesmo por uma questão de saúde, tendo em vista que teve que lutar contra algumas lesões na sua carreira, até mesmo o rompimento do tendão de aquiles.

Quando ninguém achava que era possível alguém lançar para mais de 5 mil jardas em uma temporada, Marino foi lá e fez. Quando sequer cogitava-se que um quarterback anotasse mais de 40 TDs, uma vez mais ele provou ser sobrenatural. Existe uma frase de Fernando Calazans que é muito perspicaz ao afirmar que “se Zico não ganhou uma Copa do Mundo, azar da Copa”. Adaptando esse pensamento para o quarterback em questão, se Dan Marino não venceu um Super Bowl, azar do Super Bowl.

Alguns números e marca na carreira:

  • MVP da NFL e campeão da AFC em 1984
  • Nove vezes selecionado para o Pro Bowl
  • Primeiro a lançar para 5 mil jardas (1984) e 40+ TDs (1984 e 1986)
  • Líder da NFL em jardas aéreas (5 temporadas) e TDs (3 temporadas)
  • Camisa #13 aposentada pelo Miami Dolphins

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Tiago Araruna acompanha a NFL desde 2006 e é o idealizador do projeto Liga dos 32. Como Editor-Chefe do Portal, está à frente da coluna semanal 32 por 32, toda quinta no ar. Co-apresentador do Podcast Liga dos 32 que vai ao ar às quartas . No twitter: @tiagoararuna